O novo amplificador de potência topo de linha da Gryphon custa US$ 99 mil e aposta em operação Classe A pura, circuito dual-mono e ausência total de realimentação negativa global

A Gryphon Audio Designs elevou novamente a régua de seu catálogo com o Apex, um gigantesco amplificador de potência estéreo que representa o mais ambicioso projeto já desenvolvido pela fabricante dinamarquesa.
Com preço de US$ 99.000 por unidade estéreo, o Apex foi concebido sem concessões: é um projeto dual-mono de Classe A pura, sem realimentação negativa global, capaz de entregar nada menos que 210 watts por canal em 8 ohms, potência que praticamente dobra à medida que a impedância da caixa acústica cai, chegando a impressionantes 1.490 watts em 1 ohm.
Mais do que números impressionantes, essa capacidade de fornecer corrente revela a filosofia por trás do projeto. Para a Gryphon, um amplificador de referência deve manter o circuito o mais simples e rápido possível, enquanto a fonte de alimentação precisa ter reservas suficientes para enfrentar praticamente qualquer carga.
É justamente nessa combinação entre simplicidade do circuito e uma enorme capacidade de fornecimento de energia que o Apex procura estabelecer seu lugar entre os amplificadores de potência mais extremos do mercado.
Classe A pura, dual-mono e sem realimentação global
O nome Apex pode ser novo, mas a filosofia da Gryphon é bastante conhecida pelos aficionados por áudio de alto nível.
Cada canal funciona como um amplificador completamente independente, em uma configuração dual-mono, com 32 transistores bipolares de saída de alta corrente por canal, totalizando 64 dispositivos no conjunto estéreo. Todos trabalham em Classe A pura, enquanto o circuito dispensa completamente a realimentação negativa global. Na entrada, um estágio buffer baseado em J-FET, também operando em Classe A, alimenta o conjunto de transistores de saída.
A construção eletrônica recebeu o mesmo grau de atenção. O caminho do sinal elétrico utiliza placas de circuito impresso de quatro camadas, com trilhas de cobre de até 105 micrômetros de espessura, buscando reduzir a resistência elétrica e manter a distorção em níveis mínimos.
O ganho de tensão é de 31 dB, enquanto a impedância de entrada é de 20 k?. Já a impedância de saída é extremamente baixa, de apenas 0,015 ohm.
Em um amplificador desse porte, entretanto, o circuito de áudio é apenas uma parte da equação.

Uma fonte de alimentação à altura do projeto
O Apex possui uma fonte de alimentação que praticamente poderia ser descrita como um amplificador dentro do amplificador.
O banco de capacitores soma nada menos que 1.040.000 µF, alimentado por dois transformadores toroidais de 2.000 VA cada.
Essa enorme reserva energética foi concebida para garantir que o amplificador mantenha sua capacidade de fornecimento de corrente mesmo diante de cargas extremamente exigentes.
Há também um circuito de partida suave (soft-start), responsável por evitar que toda essa capacidade de alimentação seja exigida da rede elétrica instantaneamente ao ligar o equipamento.
As entradas utilizam conectores Neutrik XLR banhados a ouro, enquanto o consumo em standby permanece abaixo de 0,5 watt.
Potência que praticamente dobra a cada queda de impedância
É nos números de potência que o Apex realmente mostra sua personalidade.
A Gryphon especifica:
- 210 W por canal em 8 ?
- 420 W por canal em 4 ?
- 800 W por canal em 2 ?
- 1.490 W por canal em 1 ?
Ou seja, o amplificador foi projetado para acompanhar a redução da impedância com uma capacidade de fornecimento de potência que praticamente dobra a cada etapa.
Na prática, essa característica é particularmente interessante para caixas acústicas que apresentam curvas de impedância difíceis, incluindo sistemas eletrostáticos e outros projetos que exigem grandes quantidades de corrente do amplificador.
Em vez de simplesmente apresentar uma potência elevada em uma condição específica de teste, o Apex foi concebido para manter suas reservas disponíveis quando a carga se torna realmente difícil.
A resposta em frequência também está muito além do espectro audível, com largura de banda especificada entre 0,3 Hz e 330 kHz (-3 dB).

Um gigante dinamarquês
Se os números já impressionam, as dimensões deixam claro que o Apex pertence a uma categoria muito particular de componentes high-end.
Cada chassi mede 593 × 371 × 886 mm (L × A × P) e pesa nada menos que 202 kg.
Não se trata, portanto, de um amplificador que simplesmente se acomoda em um rack convencional. O Apex é, assumidamente, um equipamento de grandes proporções, e sua construção exterior foi pensada para transmitir essa mesma sensação de exclusividade.
O projeto visual é assinado por Flemming E. Rasmussen, conhecido por décadas de trabalho como arquiteto naval no desenvolvimento de iates à vela no Báltico.
A eletrônica, por sua vez, foi desenvolvida por Tom Møller, da própria Gryphon.
Todo o amplificador é projetado e fabricado na Dinamarca, reforçando a proposta da empresa de manter sob controle tanto o projeto industrial quanto a engenharia eletrônica.
Tecnologia também para a integração moderna
Apesar de toda a sua abordagem purista, o Apex não ignora as necessidades de sistemas contemporâneos. O amplificador incorpora uma entrada de trigger de 12 V, permitindo sua integração com sistemas de áudio e home theater automatizados.
O firmware também pode ser atualizado por USB, permitindo que futuras atualizações sejam realizadas sem a necessidade de enviar o equipamento a um serviço técnico.
É uma combinação curiosa: de um lado, um circuito concebido segundo uma filosofia quase purista, baseada em Classe A e ausência de realimentação global; de outro, recursos práticos para integrar o equipamento a instalações modernas.
O novo topo da Gryphon
O Apex passa a ocupar o posto de referência entre os amplificadores de potência da Gryphon e representa uma demonstração explícita de até onde a fabricante está disposta a levar sua filosofia de engenharia.
Seu preço de US$ 99.000 por unidade estéreo o coloca naturalmente em um território reservado a sistemas high-end de altíssimo nível.
Para quem deseja experimentar a assinatura sonora da Gryphon em uma solução mais compacta e integrada, o Diablo 333 permanece como uma alternativa dentro do catálogo atual da empresa. Mas o Apex é outra história.
Com seus 64 transistores de saída, mais de um milhão de microfarads em capacitores, dois transformadores de 2.000 VA, operação em Classe A pura e capacidade de chegar a 1.490 watts em 1 ohm, ele foi claramente concebido para uma missão específica: não deixar que a caixa acústica determine os limites do amplificador.

Especificações técnicas
- Tipo: amplificador de potência dual-mono, Classe A pura, sem realimentação negativa global
- Potência: 210 W em 8 ?; 420 W em 4 ?; 800 W em 2 ?; 1.490 W em 1 ?
- Transistores de saída: 32 bipolares por canal, 64 no total
- Largura de banda: 0,3 Hz–330 kHz (-3 dB)
- Impedância de entrada: 20 k?
- Impedância de saída: 0,015 ?
- Ganho de tensão: 31 dB
- Fonte de alimentação: banco de capacitores de 1.040.000 µF e dois transformadores toroidais de 2.000 VA
- Entradas: Neutrik XLR banhadas a ouro
- Recursos: trigger de 12 V e firmware atualizável via USB
- Consumo em standby: inferior a 0,5 W
- Dimensões: 593 × 371 × 886 mm (L × A × P)
- Peso: 202 kg
- Projeto exterior: Flemming E. Rasmussen
- Projeto eletrônico: Tom Møller
- Fabricação: Dinamarca
- Preço: US$ 99.000 por unidade estéreo
Um amplificador sem concessões
O Gryphon Apex não parece ter sido criado para disputar uma simples corrida de números. A enorme potência é consequência de uma filosofia de projeto que começa muito antes da especificação de 1.490 watts.
Classe A pura, ausência de realimentação negativa global, circuitos independentes para cada canal e uma fonte de alimentação com reservas gigantescas formam um conjunto destinado a oferecer controle absoluto sobre a carga.
Em um mercado no qual muitos amplificadores de referência procuram impressionar pela tecnologia empregada, o Apex segue uma direção diferente: simplificar o caminho do sinal e, ao mesmo tempo, tornar praticamente ilimitados os recursos disponíveis para alimentá-lo.
É uma receita tipicamente Gryphon e, pelo tamanho, peso e preço do Apex, também é uma receita levada ao extremo.
