Circuito Pure Path totalmente discreto, arquitetura dual-monaural e o novo DAC Precision Link III colocam o N°626 no topo da linha da Mark Levinson

A Mark Levinson apresentou o N°626, novo pré-amplificador de referência da Série 600. Revelado inicialmente durante a High End Munich, o modelo combina duas escolas que durante muito tempo caminharam em direções distintas no áudio de alto nível: um elaborado circuito analógico totalmente discreto e uma plataforma digital de última geração.
O resultado é um pré-amplificador que procura não apenas centralizar as fontes de um sistema high-end, mas fazê-lo sem abrir mão da filosofia purista da marca.
O N°626 utiliza uma arquitetura dual-monaural, mantendo os canais esquerdo e direito independentes desde as entradas até as saídas. O circuito proprietário Pure Path mantém o sinal em configuração balanceada e diretamente acoplada, enquanto o controle de volume é realizado por uma sofisticada rede R-2R discreta e balanceada, em vez de recorrer a um simples atenuador digital.
Nos Estados Unidos, o modelo aparece com preço de aproximadamente US$ 24.999, posicionando-o claramente entre os pré-amplificadores de referência do mercado.
E o N°626 não se limita ao domínio analógico: pela primeira vez na Série 600, a Mark Levinson incorpora sua nova plataforma de conversão Precision Link III, transformando o equipamento em um verdadeiro centro de controle tanto para fontes analógicas quanto digitais.
Pure Path: quando o caminho mais curto é parte do projeto
A filosofia por trás do N°626 começa justamente no caminho percorrido pelo sinal elétrico.
As cinco entradas de linha, duas XLR balanceadas e três RCA de terminação simples, utilizam relés individuais para a seleção dos sinais. Em vez de compartilhar um barramento analógico entre as entradas, a arquitetura mantém os caminhos separados, uma solução que busca reduzir diafonia e preservar a largura de banda.
Essa preocupação com a separação entre os canais acompanha todo o projeto. A Mark Levinson adotou uma configuração dual-monaural não apenas em determinados blocos, mas como princípio estrutural do pré-amplificador.
O resultado é um circuito no qual os canais esquerdo e direito não precisam compartilhar os mesmos estágios analógicos.

Um pré de phono Classe A dentro do mesmo chassi
O N°626 também foi concebido para atender ao audiófilo que mantém fontes analógicas no sistema. O aparelho incorpora um pré-amplificador de phono Classe A compatível com cápsulas MM e MC, permitindo conectar diretamente um toca-discos sem a necessidade de um estágio externo.
Também está presente um amplificador de fones de ouvido Classe A, transformando o N°626 em uma solução bastante completa para quem deseja alternar entre a audição por caixas acústicas e headphones.
As saídas analógicas balanceadas e single-ended podem ser configuradas para operar em full range ou utilizar um filtro de quarta ordem em 80 Hz. Essa segunda opção foi pensada especialmente para facilitar a integração com um subwoofer ativo, permitindo estabelecer uma transição precisa entre as caixas principais e o subwoofer.
É uma característica particularmente interessante para sistemas high-end que precisam conciliar extensão de graves, integração e controle.
Precision Link III: a nova geração digital da Mark Levinson
Se a seção analógica representa a tradição da marca, o Precision Link III mostra onde a Mark Levinson pretende chegar no domínio digital.
O N°626 é o primeiro modelo da Série 600 a incorporar essa nova plataforma de conversão digital-analógica.
O coração do DAC é o ES9039PRO, da ESS Technology, um conversor de oito canais baseado na arquitetura Hyperstream IV. A Mark Levinson complementa o chip com seu próprio sistema de eliminação de jitter e um estágio de conversão corrente-tensão totalmente discreto e balanceado.
O pré-amplificador oferece seis entradas digitais:
- 1 × AES/EBU
- 2 × coaxiais
- 2 × ópticas
- 1 × USB-C assíncrona
A entrada USB-C suporta sinais de alta resolução de até 32 bits/384 kHz, além de DSD.
Na prática, isso permite que o N°626 ocupe o centro de um sistema digital de alta resolução sem deixar de funcionar como um pré-amplificador analógico tradicional.
Essa combinação é provavelmente um dos aspectos mais interessantes do projeto: em vez de tratar o DAC como um simples recurso adicional, a Mark Levinson incorporou a seção digital como parte fundamental da arquitetura do aparelho.

Alimentação e isolamento: silêncio antes de tudo
Em um pré-amplificador de referência, o tratamento da alimentação e das vibrações pode ser tão importante quanto o circuito de áudio propriamente dito.
O N°626 utiliza uma fonte linear alimentada por um transformador toroidal de baixíssimo ruído. A seção digital e a fonte de alimentação ficam fisicamente protegidas das áreas analógica e de phono, ajudando a limitar possíveis interferências entre os diferentes circuitos.
O gabinete adota uma construção modular, com componentes montados sobre elementos de isolamento de borracha na base, os novos pés de amortecimento de vibrações da Mark Levinson complementam essa estratégia.
A ideia é simples, mas fundamental para um componente desse nível: manter as partes mais sensíveis do circuito o mais afastadas possível de ruído elétrico e vibrações mecânicas.
Tectonic: um desenho que não passa despercebido
A Mark Levinson também não abriu mão da identidade visual que acompanha seus produtos mais sofisticados.
O N°626 utiliza um chassi construído em alumínio e aço, com acabamento preto anodizado e uma base prateada. No centro do painel frontal há um elemento de vidro iluminado pelos tradicionais detalhes em vermelho da marca.
O mesmo tratamento aparece na parte superior do equipamento, onde um elemento de vidro denominado “Core” recebe iluminação vermelha e é integrado visualmente à estrutura de ventilação responsável pela dissipação térmica da fonte linear interna.
O conjunto procura equilibrar a aparência tecnológica com a sobriedade característica dos equipamentos Mark Levinson.
A operação cotidiana fica a cargo de um controle remoto com funções completas, permitindo acessar as principais funções do aparelho a partir da posição de audição.
Um verdadeiro centro de comando para um sistema high-end
O N°626 é interessante justamente porque não tenta escolher entre o mundo analógico e o digital.
De um lado, temos uma seção analógica totalmente discreta, dual-monaural, balanceada e com controle de volume R-2R. Há ainda um estágio de phono MM/MC e um amplificador de fones Classe A. Do outro, o novo Precision Link III oferece conversão digital de alta resolução e seis entradas digitais, incluindo USB-C.
É uma abordagem que transforma o N°626 em algo maior do que um simples pré-amplificador: ele foi concebido como o centro de controle de um sistema de áudio de alto nível, independentemente da origem da música.
Com preço de aproximadamente US$ 24.999 nos Estados Unidos, o modelo passa a ocupar uma posição bastante elevada dentro da Série 600 e deixa claro que a Mark Levinson pretende competir diretamente no segmento de pré-amplificadores high-end de referência.

Especificações técnicas
- Tipo: pré-amplificador dual-monaural com DAC e estágio de phono integrados
- Entradas analógicas: 2 × XLR balanceadas; 3 × RCA single-ended; 1 × entrada de phono MM/MC
- Entradas digitais: 1 × AES/EBU; 2 × coaxiais; 2 × ópticas; 1 × USB-C assíncrona
- Resolução USB-C: até 32 bits/384 kHz
- DAC: Precision Link III com conversor ES9039PRO de 8 canais, arquitetura Hyperstream IV
- Saídas analógicas: 1 × XLR balanceada; 1 × RCA single-ended; 1 × saída para fones de 6,3 mm
- Pré de phono: Classe A, MM/MC
- Amplificador de fones: Classe A
- Controle de volume: rede R-2R discreta e balanceada
- Fonte de alimentação: transformador toroidal linear de baixíssimo ruído
- Filtro para subwoofer: quarta ordem, 80 Hz
- Construção: chassi Tectonic em alumínio e aço, painel superior de vidro com iluminação vermelha
- Projeto: desenvolvido e projetado nos Estados Unidos
- Preço: aproximadamente US$ 24.999 no varejo norte-americano
A tradição da Mark Levinson encontra o áudio digital de última geração
O N°626 parece representar uma síntese bastante clara daquilo que a Mark Levinson considera essencial em um pré-amplificador moderno de referência.
A arquitetura Pure Path e o funcionamento dual-monaural preservam a preocupação histórica da marca com o circuito analógico, enquanto o Precision Link III mostra que o projeto não foi pensado para uma época em que o vinil era a única fonte capaz de satisfazer o audiófilo. Com entrada phono MM/MC, headphone Classe A, entradas analógicas balanceadas e single-ended, seis entradas digitais e conversão de até 32/384, o N°626 procura ser simultaneamente purista e extremamente versátil.
No fim, é justamente essa combinação que define sua proposta: um pré-amplificador construído para deixar o sinal passar pelo menor número possível de obstáculos, mas preparado para receber praticamente qualquer fonte que faça parte de um sistema high-end contemporâneo.
Se toda esse tecnologia funciona para você, só mesmo ouvindo o resultado, lembrando que cada ouvinte tem necessidades e parâmetros próprios de percepção, e nenhum review nesse mundo pode definir o que é melhor para você.
