Novo sistema da Marantz reúne CD, rádio, streaming, phono e amplificação Classe D em um gabinete compacto, e agora também traz HDMI eARC, suporte a 32/384, DSD 11,2 MHz e Dirac Live.

Há produtos que parecem ter sido feitos para provar que um bom sistema de áudio não precisa necessariamente ocupar uma parede inteira da sala. A linha Melody, ou MCR, da Marantz é um desses casos.
Ao longo dos anos, os compactos da família conquistaram espaço justamente por combinar em um único aparelho aquilo que normalmente exigiria vários componentes: leitor de CD, rádio, amplificação e recursos de streaming. Modelos anteriores, como o M-CR610 e o M-CR603, chegaram inclusive a receber reconhecimento da imprensa especializada por sua praticidade, variedade de recursos e qualidade sonora.
Agora, a Marantz apresenta o MCR 60n DAB, uma evolução bastante mais ambiciosa dessa fórmula.
A proposta continua sendo essencialmente a mesma: oferecer um sistema completo em um gabinete compacto. A diferença é que a nova geração recebeu uma dose considerável de tecnologia, refinamento construtivo e recursos que até pouco tempo atrás seriam encontrados principalmente em componentes separados de categorias superiores.
E, naturalmente, tudo isso veio acompanhado de um preço mais alto.
De CD a streaming: praticamente tudo em um único aparelho
O MCR 60n DAB mantém o leitor de CD e o rádio DAB/FM, mas amplia consideravelmente suas possibilidades de conexão.
Há Bluetooth, AirPlay 2, entrada óptica e saída para fones de ouvido de 3,5 mm. A grande novidade para quem ainda aprecia fontes analógicas é a inclusão de um pré-amplificador phono para cápsulas MM (Moving Magnet).
É uma escolha bastante coerente com o momento atual do mercado. O vinil deixou de ser uma fonte de nicho e voltou a ocupar lugar importante nos sistemas de muitos audiófilos, e a Marantz decidiu incorporar essa realidade ao seu compacto.
No universo digital, o aparelho é baseado na plataforma de streaming HEOS, ecossistema desenvolvido pela própria Marantz que permite acesso a diversos serviços de música. O MCR 60n DAB é compatível com Tidal Connect, Qobuz Connect e Spotify Connect, além de outras plataformas disponíveis através do HEOS.
Também é Roon Ready, característica que certamente agradará aos usuários que utilizam o Roon como centro de gerenciamento de suas bibliotecas musicais.
Alta resolução em níveis que antes pertenciam a componentes dedicados
A seção digital também recebeu uma atualização importante. O MCR 60n DAB agora suporta reprodução de arquivos PCM de até 32 bits/384 kHz, além de DSD de 11,2 MHz.
Para um equipamento que combina tantas funções em um único gabinete, são especificações bastante expressivas.
O Bluetooth também evoluiu. O aparelho incorpora Bluetooth bidirecional e suporte ao LE Audio, com baixa latência, ampliando suas possibilidades de utilização com dispositivos móveis e fontes sem fio.
Mas talvez a novidade mais interessante para quem pretende utilizar o MCR 60n DAB como o coração de um sistema audiovisual seja outra.

HDMI eARC leva o MCR 60n para a sala de TV
A Marantz adicionou uma entrada HDMI eARC, permitindo que o compacto seja integrado diretamente a uma televisão moderna.
O sistema suporta até 7.1 canais e pode realizar a decodificação de Dolby Digital e Dolby Digital Plus por meio de seu DSP interno. Para sinais PCM, a entrada HDMI suporta até 24 bits/192 kHz.
Na prática, isso transforma o MCR 60n DAB em uma solução bastante versátil para a sala de estar.
É possível utilizá-lo para ouvir música, reproduzir CDs, acessar serviços de streaming, conectar um toca-discos e, ao mesmo tempo, assumir o áudio da televisão. Para quem prefere um sistema mais discreto, essa versatilidade pode ser mais importante do que simplesmente acrescentar potência ou quantidade de canais.
Mais potência e uma fonte de alimentação revista
A Marantz também trabalhou na parte que talvez mais interesse aos audiófilos: o desempenho sonoro.
O MCR 60n DAB utiliza um amplificador Classe D, mas recebeu uma nova fonte de alimentação desenvolvida para proporcionar maior capacidade e estabilidade no fornecimento de corrente.
A potência nominal passou de 50 watts para 65 watts por canal em 4 ohms.
Embora possa parecer uma evolução relativamente modesta no papel, a Marantz afirma que a maior reserva disponível proporciona mais headroom, permitindo ao amplificador entregar energia de maneira mais consistente e contribuindo para uma melhora geral na qualidade sonora.
Além da fonte de alimentação, o circuito recebeu novos componentes personalizados, desenvolvidos para contribuir para uma reprodução mais limpa, potente e com menor nível de ruído. Ou seja, a evolução não ficou restrita à especificação de potência.
Menos vibração, mais estabilidade nos graves
A preocupação da Marantz com o desempenho mecânico também aparece no gabinete.
Uma placa adicional foi instalada na parte inferior do chassi para ajudar a controlar as vibrações geradas pelo mecanismo do CD.
Os pés também foram redesenhados, utilizando uma estrutura de alta densidade combinada com elementos de feltro para melhorar o amortecimento. Em um aparelho que reúne eletrônica digital, amplificação e um mecanismo mecânico de leitura de discos, controlar vibrações faz sentido especialmente na busca por maior estabilidade e definição nos graves.
É um daqueles detalhes que não aparecem necessariamente em uma ficha técnica convencional, mas que revelam o cuidado colocado no projeto.
Pode ser pré-amplificador ou comandar caixas ativas
Apesar de sua proposta “tudo em um”, o MCR 60n DAB não precisa necessariamente alimentar diretamente um par convencional de caixas passivas.
O aparelho oferece saídas fixas e variáveis, permitindo utilizá-lo como pré-amplificador ou integrá-lo a caixas acústicas ativas.
A saída dedicada para subwoofer também ganhou maior flexibilidade. O crossover pode agora ser ajustado em intervalos de 10 Hz, entre 30 Hz e 250 Hz.
Isso facilita bastante a integração com diferentes tipos de subwoofer, permitindo ajustar com maior precisão a região de transição entre o sistema principal e os graves.

Dirac Live chega ao compacto da Marantz
Uma das novidades mais significativas é a compatibilidade com o Dirac Live Room Correction. A tecnologia permite realizar a correção acústica levando em consideração a interação entre o sistema e a sala de audição.
É importante observar, entretanto, que a utilização completa do Dirac Live exige a aquisição separada de uma licença.
A presença dessa possibilidade coloca o MCR 60n DAB em uma posição interessante: embora tenha dimensões e proposta de utilização bastante simples, ele incorpora uma tecnologia de correção acústica normalmente associada a sistemas de áudio consideravelmente mais sofisticados.
Quatro configurações favoritas ao alcance de um botão
A Marantz também introduziu uma função bastante prática chamada Smart Select.
O usuário pode armazenar até quatro configurações diferentes, cada uma associada a uma determinada fonte ou situação de uso.
Imagine, por exemplo, utilizar uma configuração específica de volume, tonalidade e perfil Dirac para assistir a filmes e televisão, enquanto outra configuração é reservada para streaming de música e uma terceira para rádio.
Em vez de ajustar todos esses parâmetros manualmente a cada utilização, basta selecionar o perfil correspondente.
Os quatro Smart Selects podem ser acessados diretamente por meio de um botão no aparelho ou pelo novo controle remoto.
É um recurso simples, mas que pode fazer uma grande diferença no uso cotidiano.
Visual inspirado no Marantz Model M1
A evolução não ficou apenas nos circuitos. O desenho do MCR 60n DAB foi inspirado no Marantz Model M1, adotando uma estética mais minimalista e sofisticada que a das gerações anteriores.
Apesar da mudança visual, a Marantz manteve a característica que tornou a família MCR tão interessante: dimensões compactas.
O resultado é um equipamento que procura parecer mais luxuoso sem se tornar visualmente dominante na sala.
Essa é uma característica importante em um produto que pretende funcionar como um sistema completo para ambientes onde espaço e discrição têm tanto valor quanto desempenho.
Preço e disponibilidade
O Marantz MCR 60n DAB estará disponível a partir de 15 de setembro, com preço sugerido de:
- £800 no Reino Unido
- €900 na Europa
- AU$ 1.700 na Austrália
O modelo com DAB será oferecido nos mercados europeu e australiano nas opções Champagne Gold e Black.
Também haverá uma versão sem DAB, destinada a outros mercados, com preço de US$ 1.000 e disponível exclusivamente na cor preta.
O aumento de preço é significativo quando comparado ao seu antecessor. O M-CR612 (Melody X) custava cerca de £630 quando foi avaliado em 2019, enquanto modelos ainda mais antigos da família MCR normalmente ficavam próximos da faixa de £500.
A nova geração, portanto, chega a um patamar de preço consideravelmente superior.
A questão passa a ser se a quantidade de melhorias e recursos adicionados é suficiente para justificar esse salto.
Um pequeno sistema que cresceu sem perder sua essência
O MCR 60n DAB parece representar uma mudança importante na trajetória dos compactos da Marantz.
A fórmula básica continua intacta: um aparelho pequeno capaz de fazer praticamente tudo.
Mas agora esse conceito ganhou ingredientes que aproximam o produto de um verdadeiro componente hi-fi: conversão digital de alta resolução, DSD 11,2 MHz, phono MM, amplificação Classe D de 65 watts por canal, HDMI eARC, Roon Ready, HEOS, Bluetooth LE Audio e, como opção, correção acústica Dirac Live.
É uma combinação difícil de ignorar.
Para o entusiasta que deseja um sistema completo sem transformar a sala em uma coleção de equipamentos, o MCR 60n DAB pode ser justamente o tipo de solução que faz sentido.
E talvez esse seja o aspecto mais interessante do novo Marantz: ele não tenta parecer um sistema compacto que gostaria de ser um grande sistema high-end. Ele simplesmente procura colocar, dentro de um único gabinete elegante, boa parte da tecnologia que hoje esperamos de um sistema de áudio muito mais complexo.
