{"id":4194,"date":"2021-02-06T14:57:16","date_gmt":"2021-02-06T17:57:16","guid":{"rendered":"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/?p=4194"},"modified":"2021-06-14T17:22:47","modified_gmt":"2021-06-14T20:22:47","slug":"equalizador-sim-ou-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/equalizador-sim-ou-nao\/","title":{"rendered":"Equalizador&#8230; sim ou n\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Qual a vantagem da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica se as pessoas continuam vivendo no passado? Audi\u00f3filos ainda resistem ao uso de equalizadores e controles de tonalidade mergulhados em velhos conceitos que h\u00e1 muito tempo j\u00e1 deveriam ter sido enterrados.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p><strong>Eduardo Martins<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 recebi v\u00e1rias consultas de leitores que me questionam sobre a validade de se realizar ajustes tonais em seus sistemas, seja atrav\u00e9s de dispositivos DSP, equalizadores gr\u00e1ficos ou param\u00e9tricos, ou mesmo pelos controles de graves, agudos e at\u00e9 de m\u00e9dios que acompanham alguns equipamentos.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o deles reside no fato de alguns \u201cantigos e experientes\u201d audi\u00f3filos afirmarem que \u00e9 quase como um sacril\u00e9gio alterar a curva de resposta de frequ\u00eancia original de um sistema de \u00e1udio \u201c<em>high-end<\/em>\u201d, e que o correto seria sempre buscar um resultado \u201cplano\u201d, ou \u201c<em>flat<\/em>\u201d, sem qualquer altera\u00e7\u00e3o do sinal.<br \/>\nEstes \u201cs\u00e1bios\u201d audi\u00f3filos s\u00e3o os mesmos que afirmam que \u201ctodo audi\u00f3filo experiente sabe que o vinil \u00e9 superior ao digital\u201d, ou que o \u201cv\u00e1lvula supera o transistor\u201d, ou que \u201ccabos s\u00e3o capazes de mudar drasticamente o som e corrigi-los\u201d.<br \/>\nCuriosamente eles n\u00e3o usam TV de tubo preto e branco, m\u00e1quina fotogr\u00e1fica de filme de rolo, telefone de disco, m\u00e1quina de escrever e fax no lugar de computadores, e n\u00e3o s\u00e3o avessos \u00e0 tomografia computadorizada, a TV digital, etc&#8230; mas no \u00e1udio&#8230; a evolu\u00e7\u00e3o parece ser bem mais lenta.<\/p>\n<p>Na verdade, eles j\u00e1 possuem limita\u00e7\u00f5es auditivas t\u00e3o profundas que compara\u00e7\u00f5es meramente subjetivas como estas perdem totalmente o sentido. Do que adianta uma nova tecnologia te fornecer uma amplitude de faixas de frequ\u00eancias mais extensa e real se o ouvinte j\u00e1 n\u00e3o possui mais sensibilidade auditiva nestas faixas? Do que adianta uma tecnologia oferecer menor distor\u00e7\u00e3o sonora se o ouvinte j\u00e1 n\u00e3o consegue mais perceber algumas sutilezas do som?<br \/>\nA justificativa para eles sempre reside num &#8220;resultado mais musical\u201d, ou \u201cno algo mais\u201d que eles n\u00e3o conseguem explicar, ou ainda no \u201crealismo\u201d que eles desconhecem porque mesmo o \u201csom ao vivo\u201d j\u00e1 est\u00e1 comprometido pelas suas perdas auditivas.<\/p>\n<p>A\u00ed nos deparamos com outras bobagens do tipo \u201cexperi\u00eancia e ouvidos treinados\u201d.<br \/>\nH\u00e1 muitos anos eu ou\u00e7o falar dessa coisa de \u201couvidos treinados\u201d, e esta \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o facilmente desmistificada por qualquer profissional especialista em audi\u00e7\u00e3o, e pela pr\u00f3pria ci\u00eancia, por uma quest\u00e3o l\u00f3gica.<br \/>\nVoc\u00ea n\u00e3o pode treinar ouvidos. Voc\u00ea n\u00e3o consegue recompor todas as perdas auditivas atrav\u00e9s de \u201cexerc\u00edcios auditivos\u201d e nem melhorar a sua audi\u00e7\u00e3o por este meio, pelo contr\u00e1rio, quanto maior a frequ\u00eancia de uso da audi\u00e7\u00e3o, mais r\u00e1pido ocorrer\u00e3o estas perdas auditivas. N\u00e3o sou eu quem afirma isso, que fique bem claro, \u00e9 a comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n<p>No m\u00e1ximo, voc\u00ea consegue condicionar o seu c\u00e9rebro a buscar as informa\u00e7\u00f5es que lhe interessam numa audi\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica de uma apresenta\u00e7\u00e3o musical.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Voc\u00ea aprende o que deve ser ouvido, o que n\u00e3o tem nada a ver com ouvir melhor.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 como o sujeito que consegue identificar visualmente (nem sempre) ind\u00edcios de colis\u00f5es em ve\u00edculos.<br \/>\nAlguns dizem: \u201cEle tem olhos treinados para isso\u201d. Isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Ele vai enxergar exatamente o que enxergamos, talvez at\u00e9 menos, mas ele sabe o que deve procurar&#8230; deforma\u00e7\u00f5es superficiais, vincos refeitos, soldas n\u00e3o originais, tonalidades de cor diferentes, marcas de lixa, etc.<br \/>\nEle condicionou o seu c\u00e9rebro a coletar essas informa\u00e7\u00f5es, como qualquer pessoa faz, amadora ou profissional. Como ele fez isso? Aprendendo o que deveria ser visto.<br \/>\nO dentista n\u00e3o tem olhos treinados para encontrar problemas em seus dentes. Ele apenas estudou para saber quais s\u00e3o os sinais de problemas, que apesar de vis\u00edveis para todos os olhos (inclusive os leigos), s\u00e3o melhor compreendidos pelo profissional.<\/p>\n<p>No caso da audi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica isso \u00e9 ainda pior, pois, por mais que o \u201cexperiente ouvinte\u201d saiba interpretar o que ouve, suas limita\u00e7\u00f5es naturais e irrevers\u00edveis pode lhe conduzir a conclus\u00f5es err\u00f4neas.<br \/>\nSe o \u201ctreino\u201d e a experi\u00eancia fossem determinantes para o sucesso independente de nossas perdas pelo envelhecimento, ter\u00edamos atletas competindo com 70 ou 90 anos, ou pilotos de f\u00f3rmula 1 com 80 anos.<br \/>\nMas o tempo n\u00e3o perdoa. A idade vai nos tirando as for\u00e7as, a concentra\u00e7\u00e3o, a nossa audi\u00e7\u00e3o, a vis\u00e3o, os reflexos, e nos provocando outras perdas que, apesar de toda nossa experi\u00eancia e conhecimento, s\u00e3o limitantes para o pleno exerc\u00edcio de nossas habilidades.<\/p>\n<p>O universo audi\u00f3filo sobrevive de lendas e conceitos vencidos, e alguns \u201cpuristas\u201d ainda insistem que, se voc\u00ea quiser chegar ao tal do \u201ctopo do pinheiro\u201d na reprodu\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica de m\u00fasica, n\u00e3o deve jamais alterar o sinal el\u00e9trico original da grava\u00e7\u00e3o.<br \/>\nIsso \u00e9 uma grande bobagem que chega a me causar uma enorme decep\u00e7\u00e3o, pois muitas vezes \u00e9 dita por pessoas que j\u00e1 deveriam ter aprendido algo neste <em>hobby<\/em>.<br \/>\nIndependente do que <strong>eu<\/strong> ou\u00e7o, a verdade \u00e9 que a realidade \u00e9 uma s\u00f3.<\/p>\n<p>Normalmente os cr\u00edticos do ajuste tonal s\u00e3o aqueles que se identificam como &#8220;conservadores&#8221; e \u201cpuristas\u201d, muitas vezes defendendo que o vinil \u00e9 um exemplo de reprodu\u00e7\u00e3o perfeita sem interfer\u00eancias no sinal.<br \/>\nEles s\u00f3 n\u00e3o perceberam ainda que, ao gravar um disco de vinil, o sinal \u00e9 alterado, equalizado, e o tal de pr\u00e9 de fono n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um amplificador pr\u00e9vio do sinal, mas um corretor, que fornece uma equaliza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma curva \u201cpadronizada\u201d (isto tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 real) que vai alterar a curva de resposta de frequ\u00eancia do que foi gravado. Ou seja, o tal do \u201cpurismo da grava\u00e7\u00e3o intoc\u00e1vel\u201d do vinil s\u00f3 existe de fato na cabe\u00e7a deles.<br \/>\nTente reproduzir um disco de vinil sem equalizar o sinal antes de enviar para amplifica\u00e7\u00e3o, e descobrir\u00e1 que o que est\u00e1 ali gravado n\u00e3o \u00e9 real, mas algo fruto de uma manipula\u00e7\u00e3o pr\u00e9via.<\/p>\n<p>Impostante salientar que n\u00e3o sou contra o vinil. Tenho um sistema de vinil em casa e o utilizo com alguma frequ\u00eancia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/purista-flintstone-2.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-4195\" src=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/purista-flintstone-2.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/purista-flintstone-2.jpg 300w, https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/purista-flintstone-2-285x300.jpg 285w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sempre que me perguntam se \u00e9 admiss\u00edvel o uso de equalizadores e controles de tonalidade numa reprodu\u00e7\u00e3o de alta qualidade, eu respondo tranquilamente que sim. Com alguns cuidados e certos crit\u00e9rios, a corre\u00e7\u00e3o da curva de frequ\u00eancias pode, e deve, na grande maioria das situa\u00e7\u00f5es melhorar muito o resultado final.<br \/>\nN\u00e3o devemos sentir qualquer culpa nisso, porque na verdade os nossos ouvidos j\u00e1 fazem algo parecido ao modificar o som pelos seus desvios naturais.<br \/>\nLembrando que, quando falo em som real, n\u00e3o me refiro ao som \u201cao vivo\u201d, pois estas nossas defici\u00eancias auditivas tamb\u00e9m existem, logicamente, na audi\u00e7\u00e3o ao vivo, ou seja, o que ouvimos tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 real, mas resultado da capta\u00e7\u00e3o de nossos ouvidos, e que n\u00e3o \u00e9 nada confi\u00e1vel como a ci\u00eancia j\u00e1 nos mostrou.<br \/>\nSobre isso, em meus artigos sobre Customiza\u00e7\u00e3o de Sistemas abordo este tema com muito mais profundidade e amparo cient\u00edfico, demonstrando que a corre\u00e7\u00e3o da curva de resposta de frequ\u00eancias de um sistema de som n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 bem-vinda como tamb\u00e9m necess\u00e1ria. Portanto, esta abordagem da real necessidade destas corre\u00e7\u00f5es e da forma de implement\u00e1-las n\u00e3o ser\u00e1 feita aqui. Vou me limitar \u00e0 resposta simples da pergunta t\u00edtulo desse artigo.<\/p>\n<p>Um equalizador, um DSP ou mesmo controles de tonalidade poder\u00e3o ajudar muito na melhoria daquilo que ouvimos. Apesar de n\u00e3o ser algo t\u00e3o preciso e cir\u00fargico como a proposta que fa\u00e7o na abordagem sobre Customiza\u00e7\u00e3o de Sistemas, eles podem auxiliar muito na qualidade do que ouvimos.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem alegue que qualquer elemento no caminho do sinal provoca algum preju\u00edzo.<br \/>\nLentes de \u00f3culos ficam no caminho de nossa vis\u00e3o, mas seus resultados nos trazem, ao final, um realismo muito maior com o seu uso, e sem ele muitas vezes nada enxergamos.<br \/>\nN\u00e3o importa o que colocamos no caminho do sinal el\u00e9trico (n\u00e3o existe sinal de \u00e1udio \u2013 e sim uma onda el\u00e9trica complexa) do nosso sistema, desde que seja para melhorar o que ouvimos.<\/p>\n<p>Nossos ouvidos quando envelhecem, ou mesmo ainda jovens e dependendo de nosso tipo de vida (alimenta\u00e7\u00e3o, exposi\u00e7\u00e3o a ru\u00eddos, etc.), perdem significativa sensibilidade para os agudos, principalmente, e isso interfere na nossa experi\u00eancia auditiva, seja do mundo real, seja do nosso sistema de som.<br \/>\nUm simples controle de agudos pode oferecer uma experi\u00eancia muito mais agrad\u00e1vel e bem mais realista na reprodu\u00e7\u00e3o do som real gravado.<br \/>\nEnt\u00e3o porque temer o ajuste de agudos neste caso? Porque os \u201cvelhos puristas\u201d tem tanto receio de utiliz\u00e1-lo e preferem aceitar as suas limita\u00e7\u00f5es, ouvindo um som mutilado e ainda, mesmo com essas defici\u00eancias, se arriscando a tecer coment\u00e1rios comparativos sobre tecnologias e equipamentos?<\/p>\n<p>Sem um sistema de som ajustado aos\u00a0 nossos ouvidos, realizando a necess\u00e1ria corre\u00e7\u00e3o da curva de sensibilidade auditiva, ningu\u00e9m pode tecer coment\u00e1rios cr\u00edticos sobre resultados sonoros, seja de grava\u00e7\u00f5es, de equipamentos, de tecnologias de m\u00eddias ou sobre qualquer outro componente da cadeia de reprodu\u00e7\u00e3o musical .<\/p>\n<p>Sendo assim, n\u00e3o h\u00e1 qualquer raz\u00e3o para temer o uso de equalizadores na melhoria da nossa percep\u00e7\u00e3o do que foi gravado.<br \/>\nMas, n\u00e3o paramos aqui.<br \/>\nAlguma vezes recebo consultas me perguntando se o ajuste \u201cpessoal\u201d, sem ter certeza da curva de corre\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, seria algo temeroso.<br \/>\nAqui entra o componente \u201cgosto\u201d.<br \/>\nPara responder a isso, vou fazer uma compara\u00e7\u00e3o bastante ilustrativa.<\/p>\n<p>Eu sou um apreciador de caf\u00e9, e invisto em m\u00e1quinas de alta qualidade e gr\u00e3os selecionados de linhas \u201cgourmet\u201d (outra express\u00e3o de modismo), que s\u00e3o resultados de produ\u00e7\u00f5es mais cuidadosas.<br \/>\nMuitos apreciadores de caf\u00e9 consideram um grande erro adicionar a\u00e7\u00facar na bebida, sugerindo que esta deve ser consumida sem qualquer ado\u00e7ante para n\u00e3o interferir no seu sabor.<br \/>\nMas, eu n\u00e3o consigo tomar o caf\u00e9 sem a\u00e7\u00facar. Juro que j\u00e1 tentei por diversas vezes, mas o amargor me incomoda.<br \/>\nEnt\u00e3o o que eu deveria fazer? Tomar sem a\u00e7\u00facar n\u00e3o gostando do resultado, deixar de tom\u00e1-la, ou adicionar o a\u00e7\u00facar e ter o prazer de saborear uma bebida que agrada o meu \u201cgosto\u201d?<\/p>\n<p>Neste caso, n\u00e3o temos sequer uma distor\u00e7\u00e3o como a que vimos quando reconhecemos as nossas limita\u00e7\u00f5es auditivas. Trata-se, simplesmente, de gosto pessoal.<br \/>\nClaro que quem prefere o caf\u00e9 adocicado deve colocar a\u00e7\u00facar ou ado\u00e7ante ao seu gosto e ponto final, pois \u00e9 o que lhe agrada.<br \/>\nMuitos dir\u00e3o que isso ent\u00e3o foge ao conceito de som \u201c<em>high-end<\/em>\u201d, de alta fidelidade e da busca pela perfei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSinto muito informar a estas pessoas que faz tempo que, com os seus conceitos limitados, eles se afastam cada vez mais do resultado que buscam. Estas pessoas s\u00f3 enxergam equipamentos, cabos, salas, e ainda uma equivocada refer\u00eancia do \u201csom ao vivo\u201d como o objetivo a ser alcan\u00e7ado. Seus ouvidos distorcem essa experi\u00eancia que eles acham ser a \u201creal\u201d, e colocam seus sistemas numa condi\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m equivocada.<br \/>\nAl\u00e9m disso, eles acreditam ainda que o tal do \u201csom anal\u00f3gico\u201d \u00e9 mais perfeito que o &#8220;som digital&#8221;, mas n\u00e3o existe \u201csom digital\u201d. Todas as m\u00fasicas que ouvimos est\u00e3o no \u00e2mbito anal\u00f3gico. Uma m\u00fasica reproduzida digitalmente seria irreconhec\u00edvel.<br \/>\nE para a tristeza destes \u201cpuristas\u201d, como j\u00e1 comentei, o som que eles ouvem do vinil j\u00e1 foi alterado (ou \u201cequalizado\u201d) no m\u00ednimo por duas vezes, a primeira equaliza\u00e7\u00e3o para atender \u00e0 uma curva espec\u00edfica, e a segunda para voltar ao sinal original. Algu\u00e9m acha que essa convers\u00e3o \u00e9 pura? Se acha que sim, ent\u00e3o est\u00e1 muito enganado. Neste ponto, o digital (n\u00e3o estou falando o CD porque este tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 ultrapassado apesar de ainda superar o vinil em muitos aspectos) ainda consegue um resultado mais interessante, mas isso \u00e9 discuss\u00e3o para outra oportunidade.<\/p>\n<p>Outro detalhe&#8230; as grava\u00e7\u00f5es que ouvimos, mesmo a maioria daquelas ditas \u201caudi\u00f3filas\u201d, sofrem diversas equaliza\u00e7\u00f5es durante a sua produ\u00e7\u00e3o, por mais que alguns engenheiros de som neguem isso.<\/p>\n<p>Os mais antigos costumam dizer (canso de ouvir isso) que os carros antigos eram melhores, mais fortes e mais seguros que os carros modernos. N\u00e3o adianta tentas lhes convencer do contr\u00e1rio porque l\u00e1 vem os argumentos da lata mais grossa, parafusos no lugar de soldas, para-choques de ferro no lugar do pl\u00e1stico, pain\u00e9is tamb\u00e9m de metais, etc&#8230;<br \/>\nEles pararam no tempo, e os seus argumentos tamb\u00e9m.<br \/>\nH\u00e1 um v\u00eddeo no YouTube mostrando o resultado da colis\u00e3o frontal entre um Chevy Malibu 2008 e um Bel Air 1959 (vou deixar o link ao final), onde \u00e9 poss\u00edvel ver claramente o resultado da tecnologia de seguran\u00e7a que j\u00e1 era empregada em 2008.<br \/>\nFreio ABS, controles de estabilidade e de tra\u00e7\u00e3o, airbags, deforma\u00e7\u00e3o controlada da carroceria em caso de colis\u00e3o, barras de prote\u00e7\u00e3o estrategicamente instaladas, vidros de seguran\u00e7a que n\u00e3o soltam cacos e estilha\u00e7os, aus\u00eancia de partes pontiagudas e quinas no interior da cabine, sistema de corte de combust\u00edvel em caso de acidentes, e muitas outras tecnologias fornecem hoje um ve\u00edculo muito mais seguro, salvando vidas todos os dias.<br \/>\nNa \u00e9poca do col\u00e9gio, perdemos dois colegas em acidentes de carros, um teve o motor de um Opala invadido na cabine, esmagando-o, e o outro teve uma barra de dire\u00e7\u00e3o de um Dodge Dart enfiada em seu peito em outra colis\u00e3o. Atualmente, os projetos contemplam esses riscos, com barras de dire\u00e7\u00e3o que se retraem em caso de colis\u00f5es frontais, e motores que s\u00e3o deslocados para debaixo do carro se atingidos na colis\u00e3o.<br \/>\nMas n\u00e3o adianta insistir, porque a teimosia dos velhos experientes \u00e9 poderosa&#8230; &#8220;a lata \u00e9 mais grossa, os para-choques s\u00e3o de ferro, os vidros eram mais espessos, etc&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/purista-flintstone.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-4196\" src=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/purista-flintstone.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"324\" srcset=\"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/purista-flintstone.jpg 420w, https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/purista-flintstone-300x231.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Eu at\u00e9 entendo algumas dificuldades de alguns em aceitar a realidade.<br \/>\nH\u00e1, ainda como exemplo no segmento automobil\u00edstico, uma grande resist\u00eancia dos mais velhos ao c\u00e2mbio autom\u00e1tico, um certo medo pelo novo (nem t\u00e3o novo assim).<br \/>\nArgumentos novamente n\u00e3o faltam&#8230; &#8220;\u00e9 mais caro para consertar, voc\u00ea controla o carro melhor no manual, \u00e9 mais complexo e mais suscet\u00edvel a defeitos, sem os movimentos de troca de marchas o risco de pegar no sono \u00e9 maior&#8221;&#8230; mas eles n\u00e3o percebem que muita coisa mudou nestes anos de evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<br \/>\nPor mais que o c\u00e2mbio manual tenha evolu\u00eddo, ele s\u00f3 existe por uma quest\u00e3o de custos e de medo do novo no caso de alguns compradores, mas eles s\u00e3o hoje muito mais dur\u00e1veis, confi\u00e1veis, com manuten\u00e7\u00e3o bem menos custosa, e com um funcionamento inteligente, capaz de extrair o melhor desempenho do motor em qualquer condi\u00e7\u00e3o, seja de economia ou de esportividade, se comportando at\u00e9 de formas distintas de acordo com a forma de condu\u00e7\u00e3o do motorista. Se voc\u00ea acelerar levemente, ele vai usar melhor as marchas para uma condu\u00e7\u00e3o mais suave e econ\u00f4mica. Se voc\u00ea acelerar fundo, ele vai reduzir a marcha buscando a mais forte para aquela velocidade, aproveitar melhor os giros elevados e fazendo com que o ve\u00edculo tenha uma condu\u00e7\u00e3o mais veloz, mais esportiva.<br \/>\nAt\u00e9 jipes e esportivos usam o c\u00e2mbio autom\u00e1tico hoje, pois ele permite se adaptar com perfei\u00e7\u00e3o em qualquer condi\u00e7\u00e3o de uso.<br \/>\nMas, isso n\u00e3o basta para convencer algumas cabe\u00e7as.<\/p>\n<p>Mas, concluindo, ningu\u00e9m deve se sentir culpado por fazer uso de corre\u00e7\u00f5es na curva de resposta de frequ\u00eancias do seu sistema, acertando algumas defici\u00eancia (e todos t\u00eam uma ou mais) ou buscando agradar o seu mero gosto pessoal.<br \/>\nEu falei em crit\u00e9rios antes. Eles s\u00e3o bem simples: tentar escolher bons componentes para evitar induzir ru\u00eddos e distor\u00e7\u00f5es no sinal, e ser coerente nos ajustes, sem excessos que possam descaracterizar muito o som original.<br \/>\nPode at\u00e9 passar um pouco do ponto, no caso de gosto pessoal, mas eu acredito que exageros v\u00e3o provocar uma deteriora\u00e7\u00e3o profunda do som, e a\u00ed perde-se o sentido de se investir tanto em equipamentos de alta precis\u00e3o para termos um resultado completamente distorcido da realidade.<\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>Evoluir \u00e9 preciso. Aprender \u00e9 necess\u00e1rio. E questionar os velhos conceitos \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o para quem quer atingir os melhores resultados nesse <em>hobby<\/em><\/strong>.<\/span><\/p>\n<p>Teste sempre, experimente tudo, e extraia as suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde que eu entrei nesse <em>hobby<\/em>, \u00e9 assim que costumo agir.<br \/>\nJ\u00e1 derrubei muitos mitos, descobri aspectos que at\u00e9 hoje alguns resistem em aceitar, j\u00e1 economizei muito n\u00e3o gastando em bobagens, e j\u00e1 fiz muitos inimigos, principalmente fabricantes, comerciantes, articulistas, donos de publica\u00e7\u00f5es &#8220;especializadas&#8221; e muita gente que ganha muito dinheiro vendendo ilus\u00f5es e cultivando mentiras por raz\u00f5es \u00f3bvias e lucros pessoais.<br \/>\nComo eu n\u00e3o ganho um \u00fanico centavo nesse segmento, j\u00e1 que a minha atividade profissional n\u00e3o tem qualquer liga\u00e7\u00e3o com o \u00e1udio, me sinto \u00e0 vontade para ser honesto e sincero, e compartilhar o que aprendi neste que foi mais que um <em>hobby<\/em> pra mim. Al\u00e9m de gostar de ouvir m\u00fasica, minha forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica sempre me impulsionou para o conhecimento sobre esse assunto.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008000;\">Experimente sempre, e vai descobrir que voc\u00ea pode ter muito mais com bem menos (custo principalmente).<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Segue o v\u00eddeo mencionado no artigo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"2009 Chevy Malibu vs 1959 Bel Air Crash Test | Consumer Reports\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fPF4fBGNK0U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fortheserious.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-3909\" src=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fortheserious.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"61\" srcset=\"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fortheserious.jpg 450w, https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fortheserious-300x41.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Qual a vantagem da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica se as pessoas continuam vivendo no passado? Audi\u00f3filos ainda resistem ao uso de equalizadores e controles de tonalidade mergulhados em velhos conceitos que h\u00e1 muito tempo j\u00e1 deveriam ter sido enterrados.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":4191,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15],"tags":[149,58,152,151,155,150,148],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4194"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4194"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4194\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4201,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4194\/revisions\/4201"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4191"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}