{"id":2888,"date":"2014-05-10T15:35:05","date_gmt":"2014-05-10T18:35:05","guid":{"rendered":"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/?p=2888"},"modified":"2021-06-09T16:17:16","modified_gmt":"2021-06-09T19:17:16","slug":"o-elo-mais-fraco-no-audio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/o-elo-mais-fraco-no-audio\/","title":{"rendered":"O &#8220;Elo Mais Fraco&#8221; no \u00c1udio"},"content":{"rendered":"<p>Muito se fala sobre o conceito de &#8220;elo mais fraco&#8221; em \u00e1udio, mas ser\u00e1 que a sua interpreta\u00e7\u00e3o, neste caso, est\u00e1 mesmo correta?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Li certa vez um artigo sobre o &#8220;elo mais fraco&#8221; aplicado ao \u00e1udio <em>hi-end<\/em>, onde seu autor provocava uma id\u00e9ia de &#8220;resist\u00eancia&#8221; de alguns usu\u00e1rios de sistemas de som sobre este conceito que sugeria ainda ter sido criado por ele.<\/p>\n<p>Na verdade, o conceito de &#8220;elo fraco&#8221;, ou <em>&#8220;weakest link&#8221;<\/em>, como \u00e9 conhecido em muitos pa\u00edses, tem a sua origem de uma express\u00e3o que acabou virando um prov\u00e9rbio, &#8220;<em>a chain is only as strong as its weakest link<\/em>&#8220;, popularizada aqui como\u00a0&#8220;Uma corrente n\u00e3o \u00e9 mais forte que o seu elo mais fraco&#8221;.<br \/>\nA origem da autoria desta frase \u00e9 bastante discut\u00edvel, sendo atribu\u00edda a diversos autores, e a sua utiliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 era conhecida no s\u00e9culo 18.<\/p>\n<p>Mas, qual o significado original desta frase que j\u00e1 foi utilizada na pol\u00edtica, na mec\u00e2nica, na cadeia industrial e at\u00e9 no pr\u00f3prio \u00e1udio em diversos pa\u00edses do mundo (pois \u00e9&#8230; n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade brasileira a sua utiliza\u00e7\u00e3o em \u00e1udio)?<br \/>\nSeu significado original \u00e9 tentar mostrar que uma corrente submetida \u00e0 um esfor\u00e7o mec\u00e2nico ir\u00e1 partir em seu ponto mais fraco, ou seja, no elo de menor resist\u00eancia. Na pr\u00e1tica, &#8220;o resultado de esfor\u00e7os seriais ser\u00e1 t\u00e3o poderoso quanto for o elemento mais fraco que contribui com ele&#8221; (numa interpreta\u00e7\u00e3o mais did\u00e1tica que criei para este artigo).<\/p>\n<p>Perceba que prefiro aqui mencionar que a validade deste conceito se ap\u00f3ia numa contribui\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os &#8220;seriais&#8221; (em s\u00e9rie), e a raz\u00e3o \u00e9 simples.<br \/>\nImagine que voc\u00ea tem um objeto qualquer sustentado verticalmente por uma corrente de qualquer material (metal, pl\u00e1stico, etc.), e um dos elos desta corrente possui uma resist\u00eancia \u00e0 ruptura menor que os demais, ou seja, \u00e9 mais fraco.<br \/>\n\u00c9 f\u00e1cil entender que o peso admitido por esta corrente ser\u00e1 limitado por este elo mais fraco, e compreende o objeto sustentado e a soma dos pesos individuais dos elos abaixo deste.<\/p>\n<p>Por outro lado, sendo a composi\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os &#8220;paralela&#8221;, ou seja, se tiv\u00e9ssemos diversos elos colocados individualmente entre o ponto de sustenta\u00e7\u00e3o e o peso do objeto, a limita\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficaria mais condicionada ao elo mais fraco, mas a soma total dos esfor\u00e7os. Por isso se fala em &#8220;corrente&#8221;, pois os elos est\u00e3o unidos um ao outro.<br \/>\nMas, e em nossos sistemas de som, temos uma composi\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os serial ou paralela?<\/p>\n<p><strong>A Aplica\u00e7\u00e3o do conceito de Elo Mais Fraco \u00e0 um sistema de som de alta-fidelidade<\/strong><\/p>\n<p>A extens\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o do conceito de elo mais fraco num sistema de \u00e1udio de alta-fidelidade \u00e9 bem mais complexa do que aquela costumeiramente abordada em publica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do assunto.<\/p>\n<p>A proposta destes autores \u00e9 de que um componente &#8220;mais fraco&#8221;, ou com alguma limita\u00e7\u00e3o de desempenho, vai oferecer uma contribui\u00e7\u00e3o negativa no resultado final do sistema. Seria isto verdade? Vejamos em seguida.<\/p>\n<p>A sustenta\u00e7\u00e3o da teoria acima \u00e9 bastante fr\u00e1gil at\u00e9 pelos experientes avaliadores de equipamentos de \u00e1udio, pois eles mesmos nos mostram uma forte contradi\u00e7\u00e3o em suas coloca\u00e7\u00f5es.<br \/>\nIsto \u00e9 f\u00e1cil de ser percebido nos pr\u00f3prios testes que eles realizam em equipamentos.<br \/>\nUma destas evid\u00eancias pode ser percebida quando eles sugerem que cabos de liga\u00e7\u00e3o entre os equipamentos &#8220;atuam&#8221; como importantes elementos no ajuste final do sistema.<br \/>\nIsto \u00e9 ser algo absurdo, pois cabos n\u00e3o se prestam a esse papel at\u00e9 por n\u00e3o possu\u00edrem as caracter\u00edsticas necess\u00e1rias para realizarem estes ajustes, como seria o caso de equalizadores param\u00e9tricos de alta-precis\u00e3o ou dispositivos DSP que atuam de forma precisa, pontual e equilibrada para cada faixa de frequ\u00eancia dos espectro aud\u00edvel.<br \/>\nMas, como cabos se tornaram uma fonte bastante lucrativa para o mercado, muitos acabam embarcando nesta id\u00e9ia, seja por conta de uma interpreta\u00e7\u00e3o equivocada dos resultados, seja pela participa\u00e7\u00e3o financeira no neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Mas, para o desenvolvimento da id\u00e9ia que proponho aqui, basta percebermos que a contradi\u00e7\u00e3o reside no fato bastante concreto que o avaliador reconhece uma defici\u00eancia no sistema, e sugere a possibilidade de fazer esta corre\u00e7\u00e3o ao final. Ou seja, se um equipamento que comp\u00f5e o sistema possui uma defici\u00eancia e se mostra o elo fraco deste conjunto, o resultado final pode ser corrigido com o &#8220;ajuste&#8221; feito atrav\u00e9s de cabos.<br \/>\nMas, pelo conceito b\u00e1sico de &#8220;elo fraco&#8221; esta corre\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria imposs\u00edvel? Afinal, o elo fraco ainda est\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p>Podemos perceber, portanto, que este conceito de &#8220;elo fraco&#8221; n\u00e3o \u00e9 totalmente aplic\u00e1vel ao \u00e1udio, apresentando grandes limita\u00e7\u00f5es.<br \/>\nPor exemplo, imaginemos um caso real onde um avaliador menciona numa resposta a um leitor que o elo fraco de seu sistema est\u00e1 num CD<em> player<\/em>, que n\u00e3o apresenta uma extens\u00e3o nos agudos compat\u00edvel com o restante do sistema. Estaria este &#8220;elo fraco&#8221; comprometendo a corrente? Aparentemente sim.<br \/>\nMas, se a limita\u00e7\u00e3o do <em>player<\/em> nesta faixa de frequ\u00eancias puder ser corrigida ao final com um dispositivo qualquer, seja um equalizador, um DSP, ou mesmo um cabo (como na imagina\u00e7\u00e3o deles) o resultado final estaria ainda comprometido? Evidente que n\u00e3o.<br \/>\nPercebemos, portanto, que o &#8220;elo fraco&#8221; deixou de ser um problema.<\/p>\n<p>Vamos imaginar agora outra situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm outro sistema, temos um pr\u00e9-amplificador que provoca uma elevada distor\u00e7\u00e3o no sinal. Esta distor\u00e7\u00e3o vai ser amplificada pelo amplificador de pot\u00eancia e reproduzida pelas caixas. Neste caso, a recomposi\u00e7\u00e3o deste sinal ser\u00e1 muito dif\u00edcil, quando n\u00e3o, imposs\u00edvel. Aqui temos uma complica\u00e7\u00e3o mais s\u00e9ria, onde o &#8220;elo fraco&#8221; prejudica o resultado final, n\u00e3o permitindo a sua corre\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fica claro, portanto, que o conceito de &#8220;elo fraco&#8221; n\u00e3o pode ser generalizado da forma como \u00e9 feito. Em muitos casos, o &#8220;elo fraco&#8221; n\u00e3o limita a &#8220;capacidade da corrente&#8221;, pelo menos no \u00e1udio.<\/p>\n<p>Outro ponto contradit\u00f3rio \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o que alguns equipamentos s\u00e3o capazes de fazer &#8220;milagres&#8221; com grava\u00e7\u00f5es ruins.<br \/>\nSe pararmos para pensar um pouco, perceberemos que a grava\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 mais um elo da cadeia de \u00e1udio, e se este elo \u00e9 fraco, por conta de um registro realizado com uma qualidade inferior, como esta qualidade pode ser alterada ao ponto do avaliador afirmar que o sistema corrigiu estas defici\u00eancias de produ\u00e7\u00e3o e obteve um resultado final de bom n\u00edvel.<br \/>\nLembremos que a fun\u00e7\u00e3o de equipamentos de \u00e1udio \u00e9 reproduzir com a maior precis\u00e3o poss\u00edvel o registro da grava\u00e7\u00e3o.<br \/>\nS\u00e3o estas incoer\u00eancias que enfraquecem ainda mais a aplica\u00e7\u00e3o do conceito de &#8220;elo fraco&#8221; de forma generalizada em sistemas de \u00e1udio.<\/p>\n<p><strong>Como podemos corrigir o elo fraco sem substitu\u00ed-lo?<\/strong><\/p>\n<p>Como j\u00e1 mencionei aqui, alguns &#8220;especialistas&#8221; em \u00e1udio sugerem sempre que o &#8220;suposto&#8221; elo fraco seja substitu\u00eddo, no que se convencionou chamar de <em>upgrade<\/em>.<br \/>\nMas, por outro lado, sugerem tamb\u00e9m ajustes e corre\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de cabos.<br \/>\nEnt\u00e3o a corre\u00e7\u00e3o \u00e9, afinal, poss\u00edvel ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>Muitos desvios proporcionados por alguns componentes de um sistema de \u00e1udio podem ser corrigidos, mas cabos n\u00e3o s\u00e3o ideais para isso.<br \/>\nComo tamb\u00e9m j\u00e1 afirmei, criou-se uma import\u00e2ncia para cabos muito al\u00e9m de suas reais qualidades, e isso se deve a facilidade de induzir estas virtudes pela pr\u00f3pria subjetividade como s\u00e3o realizados muitos testes de equipamentos.<br \/>\nAl\u00e9m disso, h\u00e1 o &#8220;misterioso&#8221; componente car\u00edssimo utilizado por alguns fabricantes de cabos, valorizados ainda por termos infelizes de alguns avaliadores e comerciantes como &#8220;guardado a sete chaves pelo fabricante&#8221;.<\/p>\n<p>O poder sedutor de cabos \u00e9 t\u00e3o grande, por conta destas interfer\u00eancias, que muitos acabam acreditando que eles s\u00e3o mesmo capazes de fazer verdadeiros milagres.<br \/>\nRecentemente, buscando resposta para uma destas avalia\u00e7\u00f5es subjetivas, onde o revisor cr\u00edtico dizia que um cabo de conex\u00e3o n\u00e3o tinha a mesma extens\u00e3o em altas frequ\u00eancias (agudos) que os cabos &#8220;mais caros&#8221; (usam sempre deste artif\u00edcio), resolvi tirar a prova dos nove, e medi a resposta deste cabo em aberto (desconectado), e depois conectado entre dois sistemas diferentes (combina\u00e7\u00e3o de <em>players<\/em> e amplificadores distintos), efetuando os testes diretamente dentro do amplificador, na sua entrada onde estava conectado o cabo, criando assim uma carga real com seus componentes capacitivos, indutivos, resistivos e dentro de condi\u00e7\u00f5es reais de utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O teste acima, realizado com um gerador de frequ\u00eancias, medido com frequenc\u00edmetro e visualizado com um oscilosc\u00f3pio, confirmou que o cabo conduzia frequ\u00eancia at\u00e9 10 MHz (dez Megahertz), limite dos equipamentos de teste que eu tinha dispon\u00edvel, sem qualquer deteriora\u00e7\u00e3o de seus harm\u00f4nicos e de sua forma.<br \/>\nSabemos que uma pessoa jovem e saud\u00e1vel consegue ouvir frequ\u00eancias at\u00e9 pouco mais de 20 KHz (vinte quilohertz), e uma pessoa na idade do avaliador que fez o teste, e que j\u00e1 possui uma perda natural de audi\u00e7\u00e3o bastante significativa (mas que se acha em condi\u00e7\u00f5es de realizar precisos testes subjetivos) certamente deve estar bem abaixo deste valor. S\u00f3 para se ter uma id\u00e9ia mais clara destes valores, o cabo testado respondeu, portanto, a frequ\u00eancia de at\u00e9 10.000.000 Hertz (dez milh\u00f5es), enquanto bastaria que respondesse perfeitamente a at\u00e9 pouco mais 20.000 Hz (vinte mil), para um ouvido humano em perfeitas condi\u00e7\u00f5es.<br \/>\nAinda, para evitar qualquer componente suspeito nos testes, utilizei depois um decibel\u00edmetro profissional na sala de testes, com um disco de frequ\u00eancias vari\u00e1veis, e, novamente limitado pelos equipamentos de medi\u00e7\u00e3o, obtive uma resposta sem qualquer comprometimento do cabo at\u00e9 20 KHz.<\/p>\n<p>Quem explica isso? Por esta raz\u00e3o devemos sempre tomar cuidado com avalia\u00e7\u00f5es com bases puramente subjetivas, por mais que tentem nos convencer ser estes avaliadores possuidores de ouvidos &#8220;de ouro&#8221; ou bem treinados. Ouvidos n\u00e3o se treinam (c\u00e9rebros se condicionam). N\u00e3o \u00e9 como um m\u00fasculo que quanto mais se utiliza mais se fortalece. Pelo contr\u00e1rio, a audi\u00e7\u00e3o se deteriora com o uso excessivo.<br \/>\nJ\u00e1 provamos aqui em artigos anteriores que normalmente uma pessoa com 40 anos n\u00e3o ouve t\u00e3o bem como uma de 20 anos (estando as duas em condi\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis), assim como uma de 50 anos tem a sua audi\u00e7\u00e3o bem mais comprometida que estas duas, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es. J\u00e1 provamos tamb\u00e9m que mesmo pessoas da mesma idade em plena sa\u00fade de seu sistema auditivo tamb\u00e9m possuem curvas distintas de audi\u00e7\u00e3o, quase t\u00e3o variadas como s\u00e3o nossas impress\u00f5es digitais.<br \/>\nSe isto, por si s\u00f3, j\u00e1 compromete totalmente qualquer teste subjetivo, imaginemos o que pode acontecer com a avalia\u00e7\u00e3o da extens\u00e3o de altas frequ\u00eancias de um cabo &#8220;de ouvido&#8221;.<br \/>\nPor mais que estes avaliadores tenham tentado demonstrar que seus testes n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o subjetivos como podem parecer, tentando citar exemplos onde possa existir alguma objetividade, acabam limitados sempre pelos seus &#8220;ouvidos&#8221;, ou sistema auditivo, como seria mais correto.<\/p>\n<p>Portanto, para a melhor corre\u00e7\u00e3o de alguns desvios provocados por um suposto &#8220;elo fraco&#8221;, e interagindo com as atenua\u00e7\u00f5es, refor\u00e7os e resson\u00e2ncias das frequ\u00eancias que comp\u00f5em o espectro de frequ\u00eancias aud\u00edveis, algumas solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis, e dentre elas podemos citar os dispositivos DSP que realizam corre\u00e7\u00f5es finais, incluindo a\u00ed a pr\u00f3pria sala, sendo que v\u00e1rios destes dispositivos j\u00e1 fornecem equalizadores bem mais adequados para uma corre\u00e7\u00e3o mais s\u00e9ria e precisa.<br \/>\nEqualizadores individuais, de prefer\u00eancia param\u00e9tricos, tamb\u00e9m podem realizar a corre\u00e7\u00e3o do som que foi desvirtuado pela eventual limita\u00e7\u00e3o de algum componente do sistema eletr\u00f4nico, sem a necessidade de um famigerado &#8220;<em>upgrade<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o alguns exemplos de como podemos corrigir uma &#8220;fraqueza&#8221; de um componente do sistema. Outros tamb\u00e9m s\u00e3o poss\u00edveis, mas com um pouco mais de complexidade. Estas op\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais interessantes por oferecerem uma solu\u00e7\u00e3o bem mais completa, atuando nos eventuais desvios de nossas salas e de nossos pr\u00f3prios ouvidos, que n\u00e3o bem mais prejudiciais.<\/p>\n<p>O importante \u00e9 sempre desconfiar dos ouvidos de quem prop\u00f5e estas corre\u00e7\u00f5es sob a forma de troca de cabos, pois a subjetividade de uma avalia\u00e7\u00e3o limitada aos ouvidos de quem a faz \u00e9 bastante perigosa.<\/p>\n<p>Portanto, temos aqui outra limita\u00e7\u00e3o importante sobre a abordagem do conceito de &#8220;elo fraco&#8221; em equipamentos de \u00e1udio: nossos ouvidos.<\/p>\n<p><strong>Nossos ouvidos como elo fraco<\/strong><\/p>\n<p>Se imaginarmos que um sistema de \u00e1udio n\u00e3o se limita somente aos equipamentos eletr\u00f4nicos, mas tamb\u00e9m \u00e0 grava\u00e7\u00e3o, \u00e0 sala, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do sistema el\u00e9trico e at\u00e9 aos nossos ouvidos, perceberemos que todos estes componentes deveriam ser &#8220;elos&#8221; importantes desta &#8220;corrente&#8221;.<br \/>\nMas, dentre todos estes, um elo merece tamb\u00e9m muita import\u00e2ncia: nossos ouvidos. Mesmo que tudo esteja perfeito com o sistema de \u00e1udio e a sala, o resultado final sofrer\u00e1 forte interfer\u00eancia dos nossos ouvidos, que est\u00e3o na \u00faltima etapa desta cadeia.<br \/>\nCuriosamente, os ouvidos parecem n\u00e3o receber a mesma aten\u00e7\u00e3o que os demais &#8220;elos&#8221; desta cadeia. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>J\u00e1 teve quem criticou o fato de que &#8220;desocupados de f\u00f3runs da internet falam bobagens demais&#8221;, e que algu\u00e9m (eu) teria dito que ouvimos de forma diferente, criticando esta posi\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, uma posi\u00e7\u00e3o que o pr\u00f3prio cr\u00edtico j\u00e1 assumiu anteriormente, mas que, convenientemente, parece ter esquecido.<br \/>\nA verdade \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel vender &#8220;orelhas audi\u00f3filas&#8221;, &#8220;t\u00edmpanos hi-end ou estado de arte&#8221;. N\u00e3o h\u00e1 como faturar aqui.<br \/>\nMas, \u00e9 poss\u00edvel cuidar melhor da nossa audi\u00e7\u00e3o evitando a exposi\u00e7\u00e3o a sons elevados, tendo uma alimenta\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel e praticando exerc\u00edcios f\u00edsicos regularmente para manter uma boa circula\u00e7\u00e3o e melhor atividade metab\u00f3lica. O uso de certas drogas, alguns v\u00edcios e comportamentos inadequados tamb\u00e9m contribuem com a deteriora\u00e7\u00e3o de nossa audi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da pr\u00f3pria idade que avan\u00e7a, e que n\u00e3o podemos evitar.<\/p>\n<p>Talvez o &#8220;elo mais fraco&#8221; de todos seja o mais ignorado, e as solu\u00e7\u00f5es &#8220;comerciais&#8221; ainda sejam mais interessantes aos pregadores do consumismo desenfreado e insano de produtos hi-end car\u00edssimos e de poucos resultados pr\u00e1ticos.<br \/>\nPara entender mais sobre isso, sugiro ler a nossa s\u00e9rie de artigos sobre a customiza\u00e7\u00e3o de sistemas de som.<\/p>\n<p><strong>O elo fraco \u00e9 vari\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p>Um grande problema dos avaliadores de equipamentos \u00e9 a pontua\u00e7\u00e3o destes equipamentos baseada em crit\u00e9rios e metodologias bastante fr\u00e1geis.<br \/>\nVamos \u00e0 um exemplo:<br \/>\nO avaliador testa hoje um CD <em>player<\/em>, e diz que seu som \u00e9 &#8220;m\u00e1gico&#8221;, de alto n\u00edvel, o verdadeiro &#8220;estado de arte&#8221;, e o coloca como uma aquisi\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria. Mas, no m\u00eas seguinte, ele testa um amplificador, e mais uma vez fala maravilhas, que nunca ouviu um &#8220;palco t\u00e3o amplo, extremos t\u00e3o extensos e t\u00e3o baixo n\u00edvel de ru\u00eddo&#8221;. Por\u00e9m ele faz este novo teste usando outro <em>player<\/em>, e aqui reside um grande problema: quem garante que o\u00a0<em>player<\/em> testado no m\u00eas anterior possui a mesma amplitude de palco, extremos t\u00e3o extensos e n\u00edvel de ru\u00eddo t\u00e3o baixo quanto o amplificador testado?<br \/>\nVeja que o <em>player<\/em> testado no m\u00eas passado e que era uma &#8220;maravilha tecnol\u00f3gica&#8221; pode virar o &#8220;elo fraco&#8221; de uma instala\u00e7\u00e3o que use este amplificador agora testado, j\u00e1 que as qualidades daquele <em>player<\/em> n\u00e3o puderam ser totalmente avaliadas, pois n\u00e3o se conhece o seu desempenho com este amplificador testado.<\/p>\n<p>Perceba que nem sempre \u00e9 poss\u00edvel basear um &#8220;<em>upgrade<\/em> seguro&#8221; numa simples avalia\u00e7\u00e3o subjetiva. Se algumas medi\u00e7\u00f5es complementassem esta avalia\u00e7\u00e3o, poderiam sugerir algo na dire\u00e7\u00e3o de um caminho mais seguro.<br \/>\nPor esta raz\u00e3o, defendo que o controle sobre um sistema \u00e9 mais importante do que os ajustes pontuais, e que estes definitivamente funcionam mais como um &#8220;remendo&#8221; do que como uma solu\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel e precisa.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Como podemos ver, a quest\u00e3o do &#8220;elo fraco&#8221; \u00e9 muito mais complexa do que aquela comumente abordada, que usa como exemplos limitadas e mal conduzidas experi\u00eancias em apresenta\u00e7\u00f5es e cursos, ou opini\u00f5es pessoais ou contradit\u00f3rias de especialistas que n\u00e3o possuem adequado conhecimento t\u00e9cnico ou cient\u00edfico sobre os componentes que envolvem o tema, limitando-se a observa\u00e7\u00f5es puramente subjetivas e bastante comprometidas por diversos outros componentes que n\u00e3o s\u00e3o abordados, como os nossos ouvidos.<\/p>\n<p>Por isso, antes de &#8220;realizar o sonho de um novo <em>upgrade<\/em>&#8220;, \u00e9 preciso entender melhor de onde v\u00eam as limita\u00e7\u00f5es do sistema, de forma ampla e real, sem acreditar em testes subjetivos e conclus\u00f5es equivocadas, e assim buscar atuar na solu\u00e7\u00e3o do problema com uma vis\u00e3o mais ampla, considerando todos os fatores aqui abordados.<br \/>\nCertamente, essas provid\u00eancias v\u00e3o proporcionar mais seguran\u00e7a e economia nas decis\u00f5es, com um grau de acerto muito mais elevado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Muito se fala sobre o conceito de &#8220;elo mais fraco&#8221; em \u00e1udio, mas ser\u00e1 que a sua interpreta\u00e7\u00e3o, neste caso, est\u00e1 mesmo correta? &nbsp;<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":2889,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2888"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2888"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2888\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3223,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2888\/revisions\/3223"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}