{"id":2611,"date":"2013-05-18T09:55:25","date_gmt":"2013-05-18T11:55:25","guid":{"rendered":"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/?p=2611"},"modified":"2021-06-14T17:16:48","modified_gmt":"2021-06-14T20:16:48","slug":"rumo-a-customizacao-parte-3-adequando-o-sistema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/rumo-a-customizacao-parte-3-adequando-o-sistema\/","title":{"rendered":"Rumo \u00e0 Customiza\u00e7\u00e3o \u2013 Parte 3 \u2013 Adequando o Sistema"},"content":{"rendered":"<p>Continua\u00e7\u00e3o desta s\u00e9rie de artigos no caminho das solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Na primeira parte deste tema, apresentei alguns embasamentos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos para demonstrar que o conceito de sistema \u201cplano\u201d, ou \u201cneutro\u201d ou ainda \u201cequilibrado\u201d, como muitos preferem chamar, pode ter se tornado um dos maiores erros da audiofilia.<\/p>\n<p>Recebi in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es de surpresa, de aprova\u00e7\u00e3o ou reprova\u00e7\u00e3o desta sugest\u00e3o, mas, ao final, me conven\u00e7o de que, apesar de ser um conceito realmente bastante inovador, estamos sempre buscando exatamente isso, inovar para aprimorar.<\/p>\n<p>Curiosamente, as manifesta\u00e7\u00f5es de maior aprova\u00e7\u00e3o vieram de profissionais da \u00e1rea m\u00e9dica, principalmente de especialistas na \u00e1rea de audi\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m de engenheiros de som, que somaram informa\u00e7\u00f5es novas e muito interessantes que incluirei nesta s\u00e9rie de artigos.<br \/>\nBasicamente, eles se mostram surpreendidos at\u00e9 pelo fato de que esse conceito de customiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tratado como regra, sendo renegado a terceiro, quarto ou quinto plano. Eles t\u00eam se mostrado un\u00e2nimes em afirmar que esta quest\u00e3o \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvia que deveria ser prioridade entre aqueles que buscam a reprodu\u00e7\u00e3o de \u00e1udio mais correta poss\u00edvel para o seu caso.<\/p>\n<p>Na verdade, fiquei surpreso em saber que a participa\u00e7\u00e3o dos profissionais de som, mais especificamente aqueles envolvidos com grava\u00e7\u00f5es, para que o conceito da customiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ganhe import\u00e2ncia \u00e9 bastante grande.<br \/>\nMuitas grava\u00e7\u00f5es s\u00e3o conclu\u00eddas com a aprova\u00e7\u00e3o final do m\u00fasico ou dos profissionais de grava\u00e7\u00e3o, ou seja, em condi\u00e7\u00f5es bastante particulares de audi\u00e7\u00e3o, seja dos recursos do est\u00fadio ou da percep\u00e7\u00e3o individual. Ou, ainda, raz\u00f5es de mercado for\u00e7am uma ou outra situa\u00e7\u00e3o, como a \u00eanfase dos graves para atender algumas demandas.<\/p>\n<p>Se olharmos para este universo de fatores que influenciam na percep\u00e7\u00e3o sonora, veremos que cada vez mais nos afastamos da id\u00e9ia do \u201csom perfeito\u201d, e percebemos que ele n\u00e3o existe na forma como antes imagin\u00e1vamos.<br \/>\nCuriosamente, tamb\u00e9m n\u00e3o observamos isso em publica\u00e7\u00f5es especializadas que avaliam equipamentos, de forma ainda mais grave quando estas avalia\u00e7\u00f5es s\u00e3o puramente subjetivas.\u00a0 Atrav\u00e9s de muitas formas, o mercado criou um conceito do que \u201c\u00e9 melhor ou pior\u201d baseado em par\u00e2metros falhos e assim bastante suspeitos.<\/p>\n<p>Mas, como podemos adequar um sistema de som \u00e0 nossa sala, \u00e0 nossa \u201cimpress\u00e3o digital auditiva\u201d e a in\u00fameros outros fatores que distanciam at\u00e9 uma reprodu\u00e7\u00e3o ao vivo daquela ideal, como j\u00e1 vimos antes?<\/p>\n<p>Tomemos mais um exemplo&#8230; o \u201cLoudness\u201d.<br \/>\nA compensa\u00e7\u00e3o dos extremos de frequ\u00eancias em baixo volume, muito conhecida como \u201cControle de Loudness\u201d foi banida do universo dos audi\u00f3filos, assim como o controle de tonalidade.<br \/>\nMas, foi essa decis\u00e3o realmente correta? Eu, particularmente, acredito que n\u00e3o.<br \/>\nMuitos equipamentos de n\u00edvel audi\u00f3filo tentam ressuscitar estes recursos, mas a resist\u00eancia do consumidor \u00e9 muito grande.<br \/>\nN\u00e3o acredito que estes recursos representem perda de qualidade final, e meus argumentos nessa dire\u00e7\u00e3o s\u00e3o muitos.<br \/>\nPrimeiro, o mercado j\u00e1 oferece solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas capazes de realizar estas corre\u00e7\u00f5es sem introduzir \u201cdefeitos\u201d nos sinais de \u00e1udio (sinais el\u00e9tricos), e veremos isso em breve na continuidade deste artigo. Segundo, porque um dos maiores problemas para a marginaliza\u00e7\u00e3o destes recursos n\u00e3o foram os conceitos em si, mas a m\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica destes recursos.<br \/>\nO Loudness e o equalizador gr\u00e1fico, por exemplo, normalmente eram utilizados de forma indiscriminada, sem par\u00e2metros ou refer\u00eancias, apenas ao gosto do usu\u00e1rio segundo o que mais lhe \u201cagradava\u201d.<\/p>\n<p>Sabemos que nossos ouvidos n\u00e3o apresentam uma resposta de sensibilidade linear \u00e0s frequ\u00eancias que comp\u00f5em o espectro sonoro, e que quando reduzimos o volume do som, as freq\u00fc\u00eancias mais baixas e aquelas mais altas se tornam menos evidentes aos nossos ouvidos do que as frequ\u00eancias m\u00e9dias. Ou seja, em baixos volumes os nossos ouvidos n\u00e3o conseguem manter a \u201clinearidade\u201d (sempre parcial) entre estas faixas de frequ\u00eancias. Isso \u00e9 um fator f\u00edsico, real e normal dos nossos sistemas auditivos.<br \/>\nA compensa\u00e7\u00e3o \u201cLoudness\u201d foi uma solu\u00e7\u00e3o genial muito empregada no passado para corrigir esta defici\u00eancia.<br \/>\nMais uma vez percebemos aqui como \u00e9 delicada a pr\u00e1tica comum de avaliar equipamentos, pois at\u00e9 o n\u00edvel de press\u00e3o sonora, o volume, em que cada um ouve o seu sistema pode interferir de forma muito significativa no resultado final.<br \/>\nOu seja, para um determinado ouvinte um sistema pode ser perfeito, para o outro pode mostrar-se inadequado, pela simples prefer\u00eancia pessoal de volume.<\/p>\n<p>Cada vez que nos aprofundamos nestes fatores da percep\u00e7\u00e3o auditiva e de outras interfer\u00eancias externas que estamos apresentando desde a primeira parte deste artigo, percebemos o quanto estamos realmente distantes do verdadeiro conceito de \u201calta-fidelidade\u201d.<br \/>\nSempre estivemos no caminho errado, apesar das sinaliza\u00e7\u00f5es que estavam diante de nossos olhos, e que restaram desprezadas pela falsa sensa\u00e7\u00e3o de supostas vantagens da simplicidade e \u201cpureza\u201d sonora obtidas com equipamentos e salas ditas \u201cideais\u201d.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es para a Customiza\u00e7\u00e3o de Sistemas<\/strong><\/p>\n<p>Diante deste quadro apresentado aqui, como podemos adequar o nosso sistema de \u00e1udio para obter a t\u00e3o desejada alta-fidelidade de reprodu\u00e7\u00e3o, que pode at\u00e9 fazer com que nossos sistemas apresentem algumas qualidades muitas vezes sequer experimentadas numa audi\u00e7\u00e3o ao vivo?<\/p>\n<p>A resposta para essa quest\u00e3o est\u00e1 na possibilidade de conseguirmos interferir em algum (ou alguns) ponto de nossa cadeia de reprodu\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o sonora para realizar as altera\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, lembrando que esta cadeia de reprodu\u00e7\u00e3o inclui desde os equipamentos at\u00e9 a sala, e tamb\u00e9m o nosso sistema auditivo.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos nossos ouvidos as op\u00e7\u00f5es s\u00e3o bem limitadas, e aguardo a colabora\u00e7\u00e3o de um profissional da \u00e1rea que poder\u00e1 explor\u00e1-las de forma muito mais competente do que eu. Mas, basicamente, a nossa qualidade auditiva est\u00e1 muito relacionada aos cuidados com a nossa sa\u00fade e tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a alguns h\u00e1bitos di\u00e1rios.<\/p>\n<p>Algumas medica\u00e7\u00f5es podem afetar nossa audi\u00e7\u00e3o, e podemos encontrar refer\u00eancias sobre isso l\u00e1 no meio daquelas letras mi\u00fadas que est\u00e3o na bula. O abuso destes rem\u00e9dios pode provocar danos de v\u00e1rias esp\u00e9cies.<br \/>\nAo mesmo tempo em que uma alimenta\u00e7\u00e3o correta pode nos ajudar em v\u00e1rios aspectos org\u00e2nicos, ela tamb\u00e9m pode favorecer no campo auditivo, e isto tamb\u00e9m deve ser considerado.<br \/>\nAlguns h\u00e1bitos tamb\u00e9m devem ser reavaliados. Se o trabalho nos obriga a frequentar ambientes ruidosos, ou por uma ou outra raz\u00e3o acabamos expostos a ru\u00eddos, conv\u00e9m usar protetores auriculares. Os especialistas sugerem um n\u00edvel de press\u00e3o sonora (em decib\u00e9is) recomendado para come\u00e7ar a utilizar dispositivos de prote\u00e7\u00e3o, mas experimente proteger seus ouvidos de ru\u00eddos muitas vezes normais de nosso dia a dia e depois apreciar uma m\u00fasica em seu sistema. Tenho certeza que perceber\u00e1 nitidamente a diferen\u00e7a.<br \/>\nAt\u00e9 o ru\u00eddo do motor do carro e do ar que o atinge quando em velocidades mais altas provocam um n\u00edvel de ru\u00eddo que pode reduzir significativamente a nossa sensibilidade auditiva. Por isso muitos audi\u00f3filos dizem que preferem ouvir m\u00fasica \u00e0 noite ou de madrugada, depois que seus ouvidos \u201crepousaram\u201d um pouco.<br \/>\nVoltaremos a este tema em outro artigo.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao nosso sistema de som, podemos tamb\u00e9m efetuar alguns ajustes. Algumas dificuldades s\u00e3o inerentes das \u201ccaixinhas pretas\u201d que comp\u00f5em nosso conjunto de equipamentos, e qualquer interven\u00e7\u00e3o exige um conhecimento t\u00e9cnico espec\u00edfico, como no caso de amplificadores, players, etc.<br \/>\nPor conta disso, muitos audi\u00f3filos buscam ajustar seus equipamentos, na tentativa de obter um melhor desempenho, com a costumeira substitui\u00e7\u00e3o de cabos. Particularmente, acho esta op\u00e7\u00e3o pouco razo\u00e1vel, apesar de ser a preferida de muitas publica\u00e7\u00f5es, fabricantes, lojas e outros tantos que faturam alto com a venda de cabos \u201cde grife\u201d com pre\u00e7os que beiram o absurdo (pelo que realmente valem).<br \/>\nN\u00e3o se justifica um cabo custar t\u00e3o caro quanto um carro semi-novo ou mesmo um popular novo. Isso \u00e9 inaceit\u00e1vel.<br \/>\nS\u00f3 mesmo na audiofilia acredita-se que um cabo car\u00edssimo possua caracter\u00edsticas t\u00e3o \u201cesot\u00e9ricas\u201d para superar as t\u00e3o poucas exig\u00eancias dos sinais de \u00e1udio. Afinal, cabos muito mais baratos s\u00e3o utilizados em aplica\u00e7\u00f5es bem mais exigentes e complexas, envolvendo frequ\u00eancias muito mais elevadas e bem mais exigentes.<br \/>\nSabemos que um cabo n\u00e3o deve ser ruim, mas a diferen\u00e7a entre um cabo muito caro e um bom cabo barato est\u00e1 na forma em que ele propositalmente modifica o sinal, ou na forma em que ele \u00e9 apresentado comercialmente e habilmente supervalorizado.<\/p>\n<p><strong>Um bom cabo barato pode conduzir perfeitamente e com total precis\u00e3o o sinal el\u00e9trico que trafega em nossos equipamentos, e qualquer coisa diferente disso trata-se de uma interfer\u00eancia proposital.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil, por exemplo, obter uma \u00eanfase maior dos agudos e fazer o consumidor acreditar que houve uma amplia\u00e7\u00e3o do extremo alto da faixa, ou um incremento no detalhamento do som, muito comum quando se evidencia esta faixa de frequ\u00eancias, e a\u00ed, novamente, avalia\u00e7\u00f5es subjetivas acabam induzindo o consumidor \u00e0 um erro ainda maior, pois este tipo de altera\u00e7\u00e3o pode ser facilmente medida ou visualizada em equipamentos eletr\u00f4nicos at\u00e9 muito simples. Afinal, j\u00e1 somos capazes hoje de realizar interven\u00e7\u00f5es no n\u00edvel de part\u00edculas at\u00f4micas.<br \/>\nMas, para manter a \u201cmagia e o mist\u00e9rio\u201d do \u00e1udio hi-end, avaliadores fogem de medi\u00e7\u00f5es objetivas e de testes cegos com as mais variadas desculpas.<\/p>\n<p>Importante lembrar que para evidenciar uma faixa de frequ\u00eancias podemos aumentar a sua intensidade ou mesmo atenuar as demais faixas, como vi certa vez num teste de cabos, onde um pequeno capacitor de disco era introduzido no conector para provocar as mudan\u00e7as desejadas e novamente induzir o ouvinte ao erro.<br \/>\nAlterando-se a indut\u00e2ncia, resistividade e a capacit\u00e2ncia de cabos \u00e9 poss\u00edvel interferir na forma como determinadas frequ\u00eancias se comportar\u00e3o.<br \/>\nMuitos \u201centendidos\u201d se irritam com a afirma\u00e7\u00e3o de que cabos funcionam como equalizadores passivos ou como filtros, mas, n\u00e3o \u00e9 isso o que acontece?<br \/>\nNenhum cabo vai modificar o sinal para \u201cmelhor\u201d. O cabo n\u00e3o sabe o que \u00e9 o \u201cmelhor\u201d. Ele simplesmente deve conduzir o sinal mantendo as suas caracter\u00edsticas originais, e t\u00e3o somente isso. E n\u00e3o necessariamente esta \u00e9 uma qualidade de cabos caros.<br \/>\nDevemos desconfiar seriamente de cabos que provocam \u201cprofundas\u201d altera\u00e7\u00f5es sonoras.<\/p>\n<p>Mas, se o \u201ctroca-troca\u201d de cabos n\u00e3o \u00e9 o caminho mais adequado para realizarmos os ajustes em nossos sistemas, ent\u00e3o de que outros recursos podemos dispor?<br \/>\nCabo \u00e9 um caminho f\u00e1cil, mas apesar de muitos acreditarem que ele pode ser mais neutro que outras solu\u00e7\u00f5es, a verdade n\u00e3o \u00e9 bem esta. Al\u00e9m disso, o seu custo pode ser bem elevado.<\/p>\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para o ajuste de nosso sistema vem de outro componente que j\u00e1 adota muito esta caracter\u00edstica de particularidade sonora: a caixa ac\u00fastica.<\/p>\n<p>A maioria de n\u00f3s j\u00e1 p\u00f4de perceber como variadas caixas ac\u00fasticas provocam diferen\u00e7as muito mais significativas num sistema do que um amplificador, um player ou mesmo os cabos (importante lembrar que sempre fazemos refer\u00eancia a equipamentos hi-fi com um m\u00ednimo de qualidade audi\u00f3fila).<\/p>\n<p>Fabricantes de caixas ac\u00fasticas gostam de apresentar gr\u00e1ficos bastante lineares da resposta de suas caixas em suas c\u00e2maras anec\u00f3icas.<br \/>\nMas, estes gr\u00e1ficos s\u00e3o mesmo reais?<br \/>\nSe duas caixas apresentam respostas t\u00e3o parecidas, segundo estes gr\u00e1ficos e seus fabricantes, porque os resultados s\u00e3o t\u00e3o diferentes?<br \/>\nDentre outras raz\u00f5es para explicar isso est\u00e1 no fato de que estes gr\u00e1ficos normalmente est\u00e3o bem longe da realidade.<br \/>\nJ\u00e1 tive oportunidade de levantar duas curvas bem diferentes em duas caixas da respeitada fabricante Dynaudio, um par \u201ccasado\u201d de mesmo lote (seriais sequenciais). Apesar destas diferen\u00e7as entre elas, as caixas n\u00e3o apresentavam defeitos, eram novas, e mais tarde realizando outros testes percebi como duas caixas iguais, de mesmo lote, e do mesmo modelo e marca podem apresentar resultados diferentes.<br \/>\nDescobri isso realizando medi\u00e7\u00f5es depois de \u201cestranhar\u201d o fato pela primeira vez quando tive que trocar duas caixas de posi\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o tivesse feito isso, o fato n\u00e3o seria de meu conhecimento hoje, e por isso, mais uma vez, subjetividade \u00e9 algo bastante perigoso numa avalia\u00e7\u00e3o, pois sempre acreditamos que as caixas est\u00e3o \u201ctocando\u201d com caracter\u00edsticas id\u00eanticas de reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m da varia\u00e7\u00e3o da qualidade do processo industrial, as caixas apresentam uma varia\u00e7\u00e3o muito grande na curva de resposta de frequ\u00eancias, e isso \u00e9 um fato. Com a intera\u00e7\u00e3o com a sala, seu posicionamento e outras vari\u00e1veis, podemos ter uma ampla gama de varia\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para ajustar nosso sistema atrav\u00e9s das caixas ac\u00fasticas, lembrando apenas que os crit\u00e9rios para isso s\u00e3o bastante complexos e levam em conta a curva que queremos na sala como resultado final, para compensar nossas varia\u00e7\u00f5es auditivas.<br \/>\nMas, apesar da complexidade, isso \u00e9 poss\u00edvel, e existem recursos relativamente acess\u00edveis para isso, como equipamentos capazes de levantar a curva do sistema (incluindo sala) e ent\u00e3o compar\u00e1-la com a nossa curva audiom\u00e9trica.<\/p>\n<p>O maior problema dessa solu\u00e7\u00e3o \u00e9 como testar in\u00fameras op\u00e7\u00f5es de caixas ac\u00fasticas e identificar aquela que fa\u00e7a a corre\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria.<br \/>\nA id\u00e9ia de definir uma caixa ideal para o nosso sistema \u00e9 muito boa, mas na pr\u00e1tica \u00e9 algo muito dif\u00edcil de conseguir.<br \/>\nMas, nada impede que esta seja uma alternativa para, pelo menos, aproximar-nos de nosso objetivo.<br \/>\nAlgumas caixas ac\u00fasticas, por exemplo, apresentam agudos mais evidentes, ou mesmo m\u00e9dios ou graves mais destacados, ou o contr\u00e1rio, faixas mais atenuadas.<br \/>\nConhecendo as nossas caracter\u00edsticas auditivas e o comportamento geral do sistema, e conseguindo identificar o comportamento de algumas caixas, podemos reduzir bastante as tentativas de aproximar o sistema do ponto de opera\u00e7\u00e3o desejado, mas, ainda assim o trabalho \u00e9 grande e o resultado aproximado, na melhor das hip\u00f3teses.<\/p>\n<p>Uma forma de melhorar esta experi\u00eancia seria construindo caixas com as caracter\u00edsticas exatas que precisamos, algo tamb\u00e9m bastante complicado, pois demandaria muito conhecimento t\u00e9cnico e diversos ensaios.<br \/>\nComo alternativa, poder\u00edamos modificar uma caixa existente, seja atrav\u00e9s de seu divisor de frequ\u00eancias ou de seus alto-falantes. Mas, novamente, \u00e9 um trabalho bastante complexo.<\/p>\n<p>Uma alternativa seria a utiliza\u00e7\u00e3o de caixas ac\u00fasticas \u201cajust\u00e1veis\u201d. Infelizmente o mercado n\u00e3o oferece muitas op\u00e7\u00f5es nesta dire\u00e7\u00e3o, e as poucas existentes s\u00e3o ainda bastante limitadas.<br \/>\nPara o terror dos audi\u00f3filos conservadores, algumas caixas ac\u00fasticas hi-end, de elevada qualidade (e at\u00e9 de pre\u00e7o) possuem ajuste de agudos e de outras faixas, permitindo algum controle pelo usu\u00e1rio. Mas, novamente, estas op\u00e7\u00f5es est\u00e3o ainda muito longe do que seria desej\u00e1vel. S\u00e3o como alguns controles de graves e agudos (at\u00e9 m\u00e9dios) encontrados em alguns amplificadores. Eles permitem alguma adequa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o com a precis\u00e3o que os audi\u00f3filos precisam.<\/p>\n<p>Numa varia\u00e7\u00e3o desta \u00faltima op\u00e7\u00e3o, optei por construir as minhas caixas, depois de me decepcionar com as op\u00e7\u00f5es existentes (em qualquer faixa de pre\u00e7os).<br \/>\nO projeto que levou muitos anos de pesquisa, desenvolvimento e testes de componentes, com a contribui\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito de profissionais da \u00e1rea com quem mantive muitos contatos em v\u00e1rios pa\u00edses, incluindo s\u00e9rios colaboradores brasileiros, teve como premissa justamente a versatilidade de ajustar as caixas para qualquer condi\u00e7\u00e3o de uso, considerando sala, equipamentos, caracter\u00edsticas auditivas, gostos, etc.<br \/>\nS\u00e3o caixas para serem adaptadas a qualquer necessidade.<\/p>\n<p>Estas caixas permitem altera\u00e7\u00f5es no divisor de frequ\u00eancias com muita simplicidade e sem o uso de qualquer ferramenta, modificando facilmente as suas curvas de resposta. \u00c9 poss\u00edvel utiliz\u00e1-las como caixas seladas ou sintonizadas por duto, sempre com uma ampla faixa de ajustes nestas duas condi\u00e7\u00f5es (at\u00e9 o volume interno pode ser facilmente alterado).<br \/>\nElas permitem, facilmente, uma mudan\u00e7a de imped\u00e2ncia para 4 ou 8 ohms, e \u00e9 poss\u00edvel selecionar a opera\u00e7\u00e3o dos dois woofers existentes, funcionando conjuntamente ou apenas um de cada vez e de forma alternada, podendo utilizar o mais pr\u00f3ximo ao piso ou aquele mais distante. Isso, ali\u00e1s, provoca uma diferen\u00e7a bastante percept\u00edvel.<br \/>\nTudo nestas caixas pode ser modificado, e a preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos alto-falantes foi apenas a de ter a disponibilidade de uma ampla faixa de resposta, permitindo, posteriormente, \u201ctrabalhar\u201d dentro desta faixa conforme desejado.<br \/>\nPoucas caixas comerciais fornecem uma faixa de resposta t\u00e3o generosa. A resposta dos agudos est\u00e1 bem acima do limite aud\u00edvel, os graves tamb\u00e9m possuem uma extens\u00e3o bastante grande, at\u00e9 porque n\u00e3o houve preocupa\u00e7\u00e3o com o tamanho das caixas, e por isso seu volume interno \u00e9 bastante generoso com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias dos woofers.<\/p>\n<p>Esta solu\u00e7\u00e3o, apesar de sua dificuldade, recomendo a qualquer audi\u00f3filo que queira ter um sistema realmente sob controle.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, mesmo esta possibilidade parece estar ainda um pouco longe do alcance de muitos audi\u00f3filos, apesar de que muitos usu\u00e1rios gastam muito mais em cabos car\u00edssimos incapazes de realizar estas corre\u00e7\u00f5es da forma necess\u00e1ria, do que gastariam com um bom profissional para construir caixas \u201cpersonaliz\u00e1veis\u201d (cujo projeto colocamos aqui gratuitamente \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos os nossos leitores).<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima parte deste trabalho comentaremos sobre uma alternativa bem interessante e mais f\u00e1cil de ser implementada, e que venho testando h\u00e1 algum tempo e que pode ser o in\u00edcio de uma grande transforma\u00e7\u00e3o do universo audi\u00f3filo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/index.php\/artigos\/rumo-a-customizacao-%E2%80%93-parte-1-%E2%80%93-introducao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">PARTE 1 &#8211; Clique AQUI<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/index.php\/artigos\/rumo-a-customizacao-%E2%80%93-parte-2-%E2%80%93-conhecendo-os-seus-ouvidos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">PARTE 2 &#8211; Clique AQUI<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/rumo-a-customizacao-parte-final-adequando-o-sistema\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">PARTE FINAL &#8211; Clique AQUI<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Continua\u00e7\u00e3o desta s\u00e9rie de artigos no caminho das solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":4476,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2611"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2611"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2611\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4478,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2611\/revisions\/4478"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4476"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2611"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}