{"id":223,"date":"2008-03-30T19:20:39","date_gmt":"2008-03-30T22:20:39","guid":{"rendered":"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/?p=223"},"modified":"2021-06-15T19:44:12","modified_gmt":"2021-06-15T22:44:12","slug":"melhor-dizer-a-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/melhor-dizer-a-verdade\/","title":{"rendered":"Melhor dizer a verdade"},"content":{"rendered":"<p>Recentemente fui convidado para conhecer um sistema &#8220;hi-end&#8221; de S\u00e3o Paulo, e l\u00e1 estive com alguns amigos audi\u00f3filos.<br \/>\nO grande m\u00e9rito, segundo o feliz dono do equipamento, era que seu sistema n\u00e3o tinha &#8220;frescuras de hi-end&#8221;, ou como dizem alguns &#8220;era livre de voodoos&#8221;. Isso \u00e9 uma forma de dizer que tudo o que se pesquisa e \u00e9 tecnologicamente desenvolvido em \u00e1udio, n\u00e3o passa de bobagem.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nSeu sistema, est\u00e9reo, era composto por um DVD player de baixo custo, chin\u00eas, modificado, como fonte. As caixas at\u00e9 que eram aceit\u00e1veis, mas antigas e, portanto, um pouco defasadas do atual patamar de tecnologia.<br \/>\nUm amplificador de baixo custo, mas de boa qualidade, completava a parte dos equipamentos.<br \/>\nComo acess\u00f3rios&#8230; nada. Os cabos eram, segundo express\u00e3o utilizada pelo pr\u00f3prio dono do sistema: &#8220;safados&#8221;.<br \/>\nTratamento ac\u00fastico? Nem pensar. M\u00f3veis, paredes nuas e piso frio interagiam com o som.<br \/>\nAs grava\u00e7\u00f5es reproduzidas variaram muito, e at\u00e9 alguns poucos bons discos foram tocados.<\/p>\n<p>Depois de fazer o seu &#8220;show&#8221; , tocando in\u00fameras faixas de \u201cdemonstra\u00e7\u00e3o\u201d (sempre sem termin\u00e1-las&#8230;), e falando das qualidades sonoras do seu sistema sempre com um ar de superioridade, ele resolveu, finalmente, pedir a opini\u00e3o do grupo \u00e0 respeito do que havia sido apresentado.<br \/>\nPara minha surpresa e desespero, os tr\u00eas amigos que me acompanhavam elogiaram o seu sistema, concordando com os repetidos elogios que o pr\u00f3prio apresentador fazia.<br \/>\nNesse momento, fui tomado por uma forte decep\u00e7\u00e3o e preocupa\u00e7\u00e3o de que tudo que eu havia aprendido sobre \u00e1udio de qualidade poderia ser uma grande ilus\u00e3o. Preferi n\u00e3o emitir a minha opini\u00e3o, ficando calado.<\/p>\n<p>Ao sairmos da casa daquele amigo, e como divid\u00edamos o mesmo carro, voltamos conversando sobre o que hav\u00edamos presenciado.<br \/>\nPara minha surpresa (e al\u00edvio), meus amigos come\u00e7aram a apontar incont\u00e1veis defeitos que haviam percebido.<br \/>\nQuando lhes questionei porque omitiram tudo aquilo quando prestaram seus depoimentos ap\u00f3s a audi\u00e7\u00e3o, eles responderam: &#8220;n\u00e3o \u00edamos chatear o rapaz, n\u00e9?&#8221;<\/p>\n<p>Afinal, o que fizemos realmente de bom? Participamos do engano e da ilus\u00e3o de algu\u00e9m que nos pediu uma opini\u00e3o e, pior, o fizemos acreditar que ele realmente estava certo, colocando-o numa condi\u00e7\u00e3o de oferecer sua &#8220;fabulosa&#8221; experi\u00eancia como exemplo para eventuais incautos.<br \/>\nIsso foi um erro, e mesmo tendo ficado em sil\u00eancio, mais pela incompreens\u00e3o do que estava acontecendo, tamb\u00e9m tive a minha parcela de culpa.<br \/>\nClaro que ouvimos diferente e temos uma percep\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes bastante pessoal da realidade, mas o fato \u00e9 que algumas coisas n\u00e3o mudam, por mais que possamos v\u00ea-las (ou ouv\u00ed-las) de uma forma diferente.<br \/>\nSe um amigo me perguntasse se estava bem trajado para um casamento tradicional, usando uma bermuda vermelha, camisa amarela e uma gravata verde, certamente teria que esperar a minha resposta para depois das risadas. Sinto muito se vou chate\u00e1-lo, mas seria sincero.<\/p>\n<p>O player, mesmo modificado, era muito limitado.<br \/>\nNada tenho contra modifica\u00e7\u00f5es, no sentido de melhorias, afinal meu DAC, que j\u00e1 era excelente, ganhou muito com a substitui\u00e7\u00e3o de alguns componentes, e existem pessoas fazendo um bom trabalho nesse sentido. Mas, n\u00e3o era o caso dele.<br \/>\nN\u00e3o se transforma um Fusca num Corolla modificando algumas pe\u00e7as. N\u00e3o se transforma um celular barato num sofisticado modelo topo de linha.<br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel ganhar algumas qualidades, tornando, por exemplo, o motor de um fusca t\u00e3o potente como o de um carro melhor, mas ele nunca ter\u00e1 o mesmo conforto, durabilidade, seguran\u00e7a, economia e harmonia de um conjunto j\u00e1 concebido num patamar superior.<br \/>\nDefinitivamente, players de DVD baratos n\u00e3o s\u00e3o adequados para compor um sistema de alta fidelidade, e em minha opini\u00e3o, para quem busca um sistema verdadeiramente hi-end, nem mesmo um modelo mais sofisticado pode substituir plenamente um player dedicado. Talvez um car\u00edssimo e sofisticado modelo topo de linha possa ser satisfat\u00f3rio em alguns casos.<\/p>\n<p>Sua descren\u00e7a por diferen\u00e7as entre cabos, e o fato de ter feito as piores escolhas para estes componentes, j\u00e1 denota suas limita\u00e7\u00f5es. Muitas vezes essas limita\u00e7\u00f5es s\u00e3o auditivas, pela idade ou pela cont\u00ednua exposi\u00e7\u00e3o ao ru\u00eddo exagerado, pela perda de sensibilidade notada pelos volumes exagerados que normalmente ouvem seus sistemas &#8220;milagrosos&#8221;. E sequer um exame audiom\u00e9trico \u00e9 capaz de identificar com seguran\u00e7a essas limita\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u00c9 esta uma das diferen\u00e7as que normalmente aponto entre o audi\u00f3filo e o possuidor de sistema audi\u00f3filos. A capacidade de perceber sutilezas e identificar as diferen\u00e7as de qualidade de um bom componente e outro inferior n\u00e3o \u00e9 para todos.<br \/>\nMuitos acreditam que gastar US$ 20 mil em equipamentos de alto n\u00edvel os tornam audi\u00f3filos, outros, como o nosso amigo aqui em quest\u00e3o, que seu sistema livre de frescuras e &#8220;voodoos&#8221; realmente toca t\u00e3o bem como ele acredita, ou como os seus convidados gentilmente confirmaram.<\/p>\n<p>Pior do que n\u00e3o reconhecer as suas limita\u00e7\u00f5es, pode ser o fato dele querer oferecer seus \u201cconhecimentos e habilidades\u201d para os iniciantes neste mundo da alta fidelidade, seja em encontros ou mesmo registrando suas distorcidas percep\u00e7\u00f5es em f\u00f3runs de debates, onde muitos procuram conhecimento sobre o tema, para compor o seu sistema com seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o vamos obrigar ningu\u00e9m a mudar o que possui. Afinal, se por conta de suas limita\u00e7\u00f5es, ele n\u00e3o se beneficiar de um melhor acerto em seu sistema, porque faz\u00ea-lo gastar mais? Por\u00e9m, \u00e9 preciso que ele saiba que sua experi\u00eancia \u00e9 individual, bastante espec\u00edfica, e n\u00e3o pode ser considerada uma refer\u00eancia.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o assim uma cr\u00edtica a todos que, no intuito de n\u00e3o causar qualquer desapontamento a algu\u00e9m, n\u00e3o contribui para o seu acerto. Para aqueles que, mesmo percebendo que a pessoa possui claras limita\u00e7\u00f5es, fortalecem a sua falsa id\u00e9ia sobre algo. E, neste par\u00e1grafo, n\u00e3o estou sendo espec\u00edfico com o universo do \u00e1udio, mas fazendo essa observa\u00e7\u00e3o v\u00e1lida para qualquer outro tema.<\/p>\n<p>Se a boa inten\u00e7\u00e3o em n\u00e3o causar um desapontamento pode ser bem vista, as suas conseq\u00fc\u00eancias para o desenvolvimento de nosso hobby podem ser bastante negativas.<\/p>\n<p>Melhor dizer a verdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Recentemente fui convidado para conhecer um sistema &#8220;hi-end&#8221; de S\u00e3o Paulo, e l\u00e1 estive com alguns amigos audi\u00f3filos. O grande m\u00e9rito, segundo o feliz dono do equipamento, era que seu sistema n\u00e3o tinha &#8220;frescuras de hi-end&#8221;, ou como dizem alguns &#8220;era livre de voodoos&#8221;. 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