{"id":1263,"date":"2010-09-20T15:32:40","date_gmt":"2010-09-20T18:32:40","guid":{"rendered":"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/?p=1263"},"modified":"2021-06-09T16:19:42","modified_gmt":"2021-06-09T19:19:42","slug":"som-ao-vivo-ou-som-verdadeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/som-ao-vivo-ou-som-verdadeiro\/","title":{"rendered":"Som ao vivo ou som verdadeiro?"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito tempo venho discutindo a validade da refer\u00eancia musical ao vivo para calibra\u00e7\u00e3o dos nossos sistemas de \u00e1udio.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/aaaa.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-1266\" title=\"aaaa\" src=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/aaaa.png\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"86\" \/><\/a><\/p>\n<p><!--more-->Recentemente um artigo que publiquei sobre esse assunto foi acolhido pela revista <em>Absolute Sound<\/em> (e recentemente pela <em>Stereophile<\/em>), e, segundo a dire\u00e7\u00e3o da revista, ele causou um grande impacto positivo, fazendo com que todos refletissem s\u00e9rio sobre o tema.<\/p>\n<p>Quando falo em som ao vivo, me refiro n\u00e3o s\u00f3 a uma apresenta\u00e7\u00e3o musical, mas at\u00e9 ao som gerado na mesma sala de instala\u00e7\u00e3o do sistema para efeito de compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos anos eu costumava usar um instrumento sonoro de fabrica\u00e7\u00e3o caseira para refer\u00eancia dos agudos em meu sistema, uma id\u00e9ia bem interessante de uma gravadora audi\u00f3fila brasileira. Mas, mesmo esse recurso tem se mostrado um caminho errado tamb\u00e9m no ajuste do sistema.<\/p>\n<p>Nossa mem\u00f3ria auditiva \u00e9 bastante restrita. Na verdade, todos nossos sentidos s\u00e3o pouco precisos. Por mais que treinemos, n\u00e3o conseguimos avaliar com precis\u00e3o a temperatura de um objeto pelo toque, ou ainda, por mais tempo que dediquemos a olhar uma cor, depois de alguns minutos j\u00e1 temos dificuldade para identificar a cor correta num mostru\u00e1rio contendo tons aproximados daquela cor.<br \/>\nNo \u00e1udio <em>hi-end<\/em> tamb\u00e9m experimentamos esse problema, pode-se chegar bem perto, mas n\u00e3o ser preciso, como exige o pr\u00f3prio conceito audi\u00f3filo.<\/p>\n<p>Quem me deu o impulso inicial para cria\u00e7\u00e3o desta id\u00e9ia foi um amigo m\u00e9dico, especialista em audi\u00e7\u00e3o, e alguns livros cient\u00edficos sobre o assunto.<\/p>\n<p>A audi\u00e7\u00e3o \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o bastante complexo que varia muito de um indiv\u00edduo para o outro. \u00c9 quase como uma impress\u00e3o digital, mais sutil, mas t\u00e3o individual quanto aquela.<\/p>\n<p>Depois de exatos dois anos da publica\u00e7\u00e3o do primeiro artigo sobre o assunto, posso dizer que me dediquei muito ao estudo deste fen\u00f4meno no universo <em>hi-end<\/em> do \u00e1udio, e reforcei minha tese agora com um teste bastante revelador, que \u00e9 o real objeto deste artigo.<\/p>\n<p>Combinei com oito amigos um teste em casa. Devido a alguns contratempos de \u00faltima hora, somente seis puderam estar presentes. Exceto dois, o restante posso classificar como audi\u00f3filos avan\u00e7ados, que gostam de fazer ajustes continuamente em seus sistemas para extrair o ut\u00f3pico \u201csom perfeito\u201d.<\/p>\n<p>Os resultados foram reveladores, surpreendentes e bastante curiosos.<\/p>\n<p>Antes do in\u00edcio dos testes, ficamos numa sala conversando, sem m\u00fasica e em baixo volume, para \u201crelaxar\u201d a audi\u00e7\u00e3o. Todos sentiram uma enorme diferen\u00e7a com isso, e por essa raz\u00e3o defendo que, no dia em que for ouvir seu sistema para uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica ou s\u00e9ria, utilize por algum tempo antes um protetor auricular para melhorar a sensibilidade auditiva.<br \/>\nApenas defendo essa id\u00e9ia porque funciona, mas na verdade conheci esse recurso numa publica\u00e7\u00e3o inglesa. Garanto que vale a pena.<\/p>\n<p>Vamos aos testes&#8230;<\/p>\n<p>Os testes duraram quase oito horas, e s\u00f3 finalizou porque todos estavam cansados, apesar de bastante motivados em prosseguir ainda mais nas experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Foram feitos v\u00e1rios preparos, v\u00e1rios testes foram repetidos e in\u00fameras vari\u00e1veis foram tratadas. Toda a metodologia e estrutura dos testes ser\u00e1 colocada num arquivo para <em>download<\/em>, pois iria tornar este artigo muito extenso agora.<\/p>\n<p>Foram, no total, seis testes, e relato agora os resultados mais importantes.<\/p>\n<p>Enquanto os outros aguardavam em uma sala, apenas um ouvinte ficava na sala, na posi\u00e7\u00e3o mais privilegiada de escuta.<br \/>\nNeste momento, um ru\u00eddo rosa (som sem caracter\u00edsticas definidas, como um ru\u00eddo cont\u00ednuo) era reproduzido pelo amplificador. Inicialmente o volume era todo fechado, e ent\u00e3o era aberto de dois em dois decib\u00e9is, sem que o ouvinte pudesse identificar visualmente a opera\u00e7\u00e3o (muito f\u00e1cil j\u00e1 que meus equipamentos ficam em outra saleta, controlados remotamente).<\/p>\n<p>Neste teste, pediam-se duas coisas ao ouvinte: identificar o momento em que ele ouvia o primeiro som e identificar as varia\u00e7\u00f5es de volume. Para evitar qualquer influ\u00eancia sonora, e estabelecer pontos referenciais, uma pequena l\u00e2mpada amarela era acesa periodicamente, quando o ouvinte deveria se manifestar sobre qualquer nova percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, nem sempre o acendimento da l\u00e2mpada significava que havia de fato uma varia\u00e7\u00e3o. Isso foi feito com o objetivo de afastar qualquer sugest\u00e3o psicol\u00f3gica, vinda de uma poss\u00edvel obriga\u00e7\u00e3o de perceber algo.<br \/>\nAs falsas varia\u00e7\u00f5es e sua sequ\u00eancia com as verdadeiras foram id\u00eanticas para cada ouvinte.<\/p>\n<p>Neste teste o resultado foi bastante interessante. N\u00e3o houve sequer uma coincid\u00eancia na identifica\u00e7\u00e3o das varia\u00e7\u00f5es, chegando a ser notada somente depois de 6 dB por um dos presentes, e variando tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o aos demais. Curiosamente, quanto maior o volume, maior eram os erros e as diferen\u00e7as entre os ouvintes.<\/p>\n<p>Ficou bastante clara a diferen\u00e7a da percep\u00e7\u00e3o de varia\u00e7\u00e3o da sensibilidade auditiva entre os participantes. Para surpresa, quem ficou em segundo lugar no \u00edndice de acertos, foi um dos colegas n\u00e3o audi\u00f3filos, que na verdade surpreendeu em todos os testes realizados.<br \/>\nO pior resultado foi com um colega que ouve m\u00fasica em altos volumes. O que parecia ser apenas um gosto pessoal, mostrou tratar-se mesmo de uma defici\u00eancia de sensibilidade. Ele atua com atividades ruidosas, e apesar de muito jovem, j\u00e1 demonstra uma audi\u00e7\u00e3o bastante comprometida. Isso \u00e9 comum entre m\u00fasicos, pessoas que frequentam ambientes com sons muito altos (desde shows musicais at\u00e9 ind\u00fastrias) e at\u00e9 pessoas que dirigem muito e, pior, adoram o \u201ctum-tum-tum\u201d do subwoofer de 15 polegadas instalado no porta-malas do carro.<\/p>\n<p>Em qualquer lugar ruidoso, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 uma s\u00f3: utilize protetores auriculares, mesmo que a exposi\u00e7\u00e3o ao ru\u00eddo seja apenas espor\u00e1dica.<\/p>\n<p>Participando posteriormente de algumas etapas do teste, apresentei resultados que surpreenderam a todos. Mas, sempre, desde garoto, fico longe de sons muito elevados. At\u00e9 mesmo para furar uma parede utilizo protetor auricular para amenizar o ru\u00eddo da furadeira el\u00e9trica. J\u00e1 cheguei a sair de espet\u00e1culos e outros locais por estar sem a prote\u00e7\u00e3o auditiva, e por n\u00e3o suportar o som intenso (at\u00e9 crian\u00e7a gritando me causa muito inc\u00f4modo). Portanto, trata-se apenas de desenvolver um h\u00e1bito, somente com boa vontade.<\/p>\n<p>Muitos brincam comigo dizendo que escuto at\u00e9 o que n\u00e3o deveria, mesmo muito distante. No escrit\u00f3rio todos comentam tamb\u00e9m, j\u00e1 que discuto v\u00e1rios assuntos que foram conversados tr\u00eas ou quatro salas de dist\u00e2ncia.<br \/>\nN\u00e3o tenho a audi\u00e7\u00e3o fabulosa do Superman, mas ela foi sempre muito bem cuidada ao longo dos anos. Recomendo que cuide bem da sua audi\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o se arrepender\u00e1 por isso.<\/p>\n<p>Depois destes testes, realizamos outro, desta vez com a orienta\u00e7\u00e3o do meu amigo especialista em audi\u00e7\u00e3o. Foi um teste para medir a faixa de freq\u00fc\u00eancias ouvida por cada participante, indo desde as frequ\u00eancias mais baixas (graves) at\u00e9 as mais altas (agudos).<\/p>\n<p>Aqui os resultados foram muito mais alarmantes. Ningu\u00e9m apresentou a mesma curva de sensibilidade.<\/p>\n<p>Realizei o teste com um padr\u00e3o utilizado em aplica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, n\u00e3o estes CDs de testes que trazem frequ\u00eancias gravadas que n\u00e3o servem para nada. Na verdade, os harm\u00f4nicos contidos nos sinais destes CDs s\u00e3o prejudiciais ao teste, e o pior, muitos modificam o sil\u00eancio de fundo ou apresentam um leve ru\u00eddo ao iniciar a reprodu\u00e7\u00e3o de uma freq\u00fc\u00eancia, o que causa alguma sugest\u00e3o ao ouvinte.<\/p>\n<p>Outro ponto importante, os sinais devem possuir o chamado \u201cru\u00eddo de envolt\u00f3ria\u201d. Ele serve como compara\u00e7\u00e3o para identificar o grau de sensibilidade.<\/p>\n<p>Por exemplo, podemos identificar uma frequ\u00eancia de 1.000Hz, mas tamb\u00e9m confirmar a audi\u00e7\u00e3o de outra de 30Hz. Por\u00e9m, simplesmente ouvir n\u00e3o significa dizer que ouvimos bem. O sinal de 30Hz, apesar de ouvido, pode estar com um n\u00edvel de percep\u00e7\u00e3o (volume aparente) bem menor que o de 1.000Hz. Para isso, precisamos \u201cencobrir\u201d o sinal com outro sinal, at\u00e9 que o primeiro seja destacado do segundo. Parece complicado, mas a t\u00e9cnica funciona bem. Este foi o teste mais dif\u00edcil, demorado e que deu mais trabalho, mas valeu a pena t\u00ea-lo realizado.<\/p>\n<p>Dizem que uma pessoa sadia ouve \u201cnominalmente\u201d de 20 a 20.000Hz. Posso afirmar que a realidade \u00e9 bem outra.<\/p>\n<p>As maiores perdas ocorreram em baixas e altas freq\u00fc\u00eancias, mas foram bastante significativas. Novamente, pessoas que se expunham a sons de elevada intensidade tinham muito mais dificuldade em escutar as freq\u00fc\u00eancias extremas, justamente aqueles que mais tarde reclamariam da falta de graves do sistema, de agudos inc\u00f4modos, de volumes muito baixos para o gosto pessoal, etc.<\/p>\n<p>Pessoas que cuidavam melhor de seus ouvidos conseguiram resultados melhores.<\/p>\n<p>Os crit\u00e9rios e componentes utilizados para este teste tamb\u00e9m estar\u00e3o dispon\u00edveis para <em>download<\/em>.<\/p>\n<p>Outros testes foram tamb\u00e9m realizados, e vou dizer que, apesar de alguns sustos e colegas decepcionados (outros felizes), foi um teste bastante divertido e esclarecedor.<\/p>\n<p>N\u00e3o se estendendo mais nos detalhes do teste, podemos firmar com toda a certeza que, indiscutivelmente, existe muita diferen\u00e7a de audi\u00e7\u00e3o de uma pessoa para a outra.<br \/>\nEstas diferen\u00e7as, mais tarde, mostraram o quanto influenciam nos testes que realizamos com grava\u00e7\u00f5es musicais.<\/p>\n<p>Houve um momento em que alguns participantes me obrigaram a ficar de costas para o sistema e de olhos vendados, pois juravam que eu e outro colega n\u00e3o poder\u00edamos estar ouvindo um determinado som que eles n\u00e3o conseguiam ouvir.<br \/>\nSomente depois, em volume muito elevado, alguns tamb\u00e9m perceberam o som gravado.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o sonora varia de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo, esta foi a conclus\u00e3o final.<\/p>\n<p>Desta forma, o que realmente descobrimos sobre o <em>review<\/em> de um equipamento? Que eles n\u00e3o servem para nada, a n\u00e3o ser que quem vai adquirir o equipamento possua a mesma \u201cimpress\u00e3o digital auditiva\u201d que o avaliador, ou seja, a mesma percep\u00e7\u00e3o auditiva.<\/p>\n<p>At\u00e9 em um teste que fizemos de troca de cabos os resultados variaram muito, de quem n\u00e3o percebia nada, at\u00e9 as varia\u00e7\u00f5es de resultado entre aqueles que percebiam, e n\u00e3o foi nada subjetivo,\u00a0 tudo sempre com crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e objetivos.<\/p>\n<p>Finalizando, mais uma vez conclu\u00edmos que cada um ouvir\u00e1 o som ao vivo de seu modo.<\/p>\n<p>Imaginem algu\u00e9m que possua uma defici\u00eancia na audi\u00e7\u00e3o de frequ\u00eancias acima de 10.000 Hz. Esse ouvinte vai ouvir um som ao vivo, com uma faixa de frequ\u00eancias atenuada, com importante perda de informa\u00e7\u00e3o musical nesta faixa. Mas, quando for ajustar seu sistema em casa, e ele tentar reproduzir fielmente o que ouviu ao vivo, vai concluir, de forma errada, que seu sistema estar\u00e1 correto para sua necessidade pessoal.<\/p>\n<p>Caso, por\u00e9m, ou\u00e7a um sistema que tenha um refor\u00e7o nas altas freq\u00fc\u00eancias (existem in\u00fameros fatores que podem causar isso), vai acreditar que aquele sistema tem muito \u201cbrilho\u201d, com agudos evidentes demais e, at\u00e9 mesmo, consider\u00e1-los artificiais !!!<\/p>\n<p>Neste ponto, ao se ajustar um sistema pela refer\u00eancia ao vivo, teremos o resultado com todas as limita\u00e7\u00f5es que o sistema auditivo humano imp\u00f5e, por\u00e9m, de conhecermos estas defici\u00eancias e ajustarmos o sistema para compens\u00e1-las, passaremos a ouvir n\u00e3o o som ao vivo que identificamos antes, mas o som verdadeiro.<\/p>\n<p>Importante ressaltar que falamos muito em perdas, mas n\u00e3o s\u00f3 de limita\u00e7\u00f5es vivem nossos ouvidos. Eles tamb\u00e9m podem apresentar refor\u00e7os em algumas frequ\u00eancias, ou mesmo distor\u00e7\u00f5es em outras.<\/p>\n<p>Os testes mostraram esses efeitos, e normalmente os refor\u00e7os aconteceram em algumas frequ\u00eancias m\u00e9dias, e as distor\u00e7\u00f5es nos agudos.<\/p>\n<p>Neste \u00faltimo caso, que ocorreu com dois participantes, a utiliza\u00e7\u00e3o de uma caixa com domo r\u00edgido se tornou mais desagrad\u00e1vel que outra com domo de seda.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 uma falha do sistema, pois o domo r\u00edgido e leve ainda \u00e9 considerado por muitos o ideal para reprodu\u00e7\u00e3o de altas frequ\u00eancias. O que ocorre \u00e9 uma compensa\u00e7\u00e3o daquino que alguns chamam de \u201csuavidade\u201d do <em>softdome<\/em>. Basta dizer que quem mostrou defici\u00eancias nas altas frequ\u00eancias foi justamente quem sentiu bastante dificuldade com uma ou outra solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pergunta \u00e9: som ao vivo ou som verdadeiro?<\/p>\n<p>O primeiro sempre foi defendido como padr\u00e3o de refer\u00eancia do audi\u00f3filo, o segundo, mais correto, depende de um profundo estudo e conhecimento das caracter\u00edsticas individuais de audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 uma bobagem usar controles de atenua\u00e7\u00e3o e refor\u00e7o nas baixas ou altas frequ\u00eancias (os famosos controles de graves e agudos)? Seria mesmo um pecado incluir um equalizador num sistema? Mesmo depois de confirmarmos no teste que existem at\u00e9 mesmo diferen\u00e7as de um ouvido para o outro&#8230; seria mesmo errado ter um controle de balan\u00e7o entre os canais? Ou, dificultando mais ainda a situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o seria mais conveniente ter controles individuais de volume e de tonalidades em cada um dos canais (isso ser\u00e1 meu pr\u00f3ximo projeto)?<\/p>\n<p>Afinal, o que nos interessa, ouvir o mesmo que ouvimos ao vivo, ou ouvirmos todas as nuances e detalhes de uma obra musical como queria o artista?<\/p>\n<p>Se este conceito j\u00e1 foi abordado por algu\u00e9m, eu desconhe\u00e7o. Mas, nunca vi um audi\u00f3filo preocupado com essa abordagem. Sequer li em algum lugar algo a esse respeito.<\/p>\n<p>Mas, o mais curioso \u00e9 que se pegarmos um livro m\u00e9dico, cient\u00edfico, sobre o funcionamento da audi\u00e7\u00e3o humana, e levarmos isso para o campo da reprodu\u00e7\u00e3o audi\u00f3fila, tudo parecer\u00e1 muito \u00f3bvio, como comentou um dos colegas que participaram do teste: \u201cisto agora me parece t\u00e3o \u00f3bvio\u201d.<\/p>\n<p>O maior problema \u00e9 que os audi\u00f3filos, na sua quase totalidade, montam e aprimoram seus sistemas trocando componentes, quando deveriam come\u00e7ar conhecendo as suas reais necessidades e, somente depois disso, definir o que realmente precisar\u00e3o para ouvir um som correto.<\/p>\n<p>Claro que existe aquele que definiu seu sistema de forma relativamente correta, mas preferiu ajust\u00e1-lo, nem para o som ao vivo nem para aquele que parece mais correto, mas pelo gosto pessoal, refor\u00e7ando ou atenuando os graves, m\u00e9dios ou agudos.<br \/>\nIsto est\u00e1 errado? Sim, pois conflita com a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o de audiofilia e da busca do som perfeito.<\/p>\n<p>Mas, isso \u00e9 proibido? Eu responderia que n\u00e3o, nem em termos &#8220;legais&#8221; nem sob o ponto de vista do mais radical dos audi\u00f3filos. Ent\u00e3o porque reprimir? \u00c9 gosto pessoal, e isso nos leva para outro terreno de discuss\u00e3o, n\u00e3o aquele a que se prop\u00f5e este artigo.<br \/>\nAquele que acredita que seu som \u00e9 melhor pelos graves retumbante e exagerados de um <em>subwoofer<\/em> gigantesco instalado na sala, ou do excesso e da baixa qualidade dos agudos causados pela falta de um tratamento ac\u00fastico s\u00e9rio na sala, tamb\u00e9m \u00e9 um sujeito que merece ser feliz, ao seu jeito, e n\u00e3o devemos impor o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Tanto o estudo que fiz, como os testes e suas conclus\u00f5es, foram feitos com muita seriedade, de forma respons\u00e1vel e depois de debater suas vari\u00e1veis com muita gente, desde especialistas m\u00e9dicos at\u00e9 amigos audi\u00f3filos europeus, que possuem uma vis\u00e3o mais s\u00e9ria do <em>hobby<\/em>, e ainda ap\u00f3s muita pesquisa em livros e em sites confi\u00e1veis da internet.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que abordo este tema, e nestes dois \u00faltimos anos tenho me dedicado muito a aperfei\u00e7o\u00e1-lo e entend\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Por parecer um pouco \u201cinovador\u201d demais (se bem que muito l\u00f3gico), estou preparado para as cr\u00edticas dos conservadores mais radicais, na forma de somar id\u00e9ias e experi\u00eancias, e n\u00e3o de desmerecer simplesmente, sem outro embasamento mais consistente.<\/p>\n<p>Para chocar ainda mais, afirmo aqui que n\u00e3o existe a caixa ideal, o amplificador perfeito ou os cabos mais indicados, e nem poderia haver uma classifica\u00e7\u00e3o que colocasse um componente numa posi\u00e7\u00e3o mais privilegiada que os outros.<br \/>\nReviews? Para mim perderam o sentido. Tratam-se apenas de refer\u00eancias para o acerto individual, mas n\u00e3o pela sua qualifica\u00e7\u00e3o por pontua\u00e7\u00e3o baseada em metodologias muitas vezes bastante suspeitas e comprometidas com outros interesses, sejam de ordem pessoal ou comercial. O que quero dizer com isso? \u00c9 que uma caixa que recebeu uma pontua\u00e7\u00e3o menor por ter os agudos mais evidentes do que o avaliador considera ser o correto, pode ser a aplica\u00e7\u00e3o ideal para in\u00fameros sistemas, onde a outra op\u00e7\u00e3o mais \u201cperfeita\u201d (melhor pontuada) deixaria a desejar.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o confie cegamente num avaliador cr\u00edtico de \u00e1udio. Ele ouve&#8230; o que ele ouve !!!<\/p>\n<p>Bem-vindo ao novo mundo do som correto !!!<\/p>\n<p><em>(tentarei publicar, o mais breve poss\u00edvel, conte\u00fado com os crit\u00e9rios, equipamentos e procedimentos utilizados nos testes, inclusive as fotos feitas por um dos participantes que quis registrar tudo, por escrito e por imagens)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>H\u00e1 muito tempo venho discutindo a validade da refer\u00eancia musical ao vivo para calibra\u00e7\u00e3o dos nossos sistemas de \u00e1udio.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":3248,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1263"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1263"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1263\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2390,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1263\/revisions\/2390"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3248"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}