{"id":5328,"date":"2026-09-16T18:36:45","date_gmt":"2026-09-16T21:36:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/?p=5328"},"modified":"2026-09-16T19:11:59","modified_gmt":"2026-09-16T22:11:59","slug":"mentiras-do-mundo-do-audio-3-o-vinil-pesado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/mentiras-do-mundo-do-audio-3-o-vinil-pesado\/","title":{"rendered":"Mentiras do Mundo do \u00c1udio 3 \u2013 O Vinil &#8220;Pesado&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Vinil 180 g: qualidade audi\u00f3fila ou engana\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5331\" src=\"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Disco-vinil-hi-end.jpg\" alt=\"Disco de vinil 180g hi end audiofilo\" width=\"470\" height=\"313\" srcset=\"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Disco-vinil-hi-end.jpg 800w, http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Disco-vinil-hi-end-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Disco-vinil-hi-end-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><\/p>\n<p>Continuando a nossa s\u00e9rie sobre mentiras do universo audi\u00f3filo, vamos desmontar outra lenda que afirma que disco de 180 g \u00e9 um padr\u00e3o audi\u00f3filo.<\/p>\n<h3><strong>O disco mais pesado realmente soa melhor? <\/strong><\/h3>\n<p>A resposta \u00e9 mais complexa, e entenderemos como ela derruba um dos mitos mais persistentes do mundo do \u00e1udio.<\/p>\n<p>Existe uma pequena liturgia quando se compra um LP novo. A capa \u00e9 aberta, o disco \u00e9 retirado cuidadosamente do envelope interno, colocado sobre o prato e, antes mesmo de ouvir a primeira nota, vem aquele momento da inevit\u00e1vel percep\u00e7\u00e3o de satisfa\u00e7\u00e3o do: \u201c180 gramas\u201d.<\/p>\n<p>O disco parece mais s\u00f3lido. Mais espesso. Mais sofisticado. E, quase automaticamente, surge a associa\u00e7\u00e3o: se \u00e9 mais pesado, deve ser melhor.<br \/>\nEssa l\u00f3gica parece bastante razo\u00e1vel. Afinal, no universo do \u00e1udio <em>high-end<\/em> estamos acostumados a encontrar produtos em que massa, rigidez e controle de vibra\u00e7\u00f5es desempenham pap\u00e9is importantes. Por que seria diferente com um disco de vinil?<\/p>\n<p>A resposta curta \u00e9: porque o peso do LP n\u00e3o determina diretamente a qualidade da informa\u00e7\u00e3o gravada em seus sulcos.<\/p>\n<p>Um excelente LP de 120 ou 140 gramas pode soar muito melhor do que uma prensagem ruim de 180 ou 200 gramas. E essa n\u00e3o \u00e9 apenas uma opini\u00e3o de colecionadores. Fabricantes e profissionais do setor tamb\u00e9m fazem essa distin\u00e7\u00e3o. Em 2025, por exemplo, a <em>What Hi-Fi?<\/em> consultou especialistas de empresas s\u00e9rias e conceituadas no segmento de reprodu\u00e7\u00e3o de vinil, como Ortofon, Clearaudio, Rega e Goldring sobre o assunto. As respostas foram diferentes quanto aos poss\u00edveis efeitos mec\u00e2nicos da maior massa e rigidez, mas houve um ponto recorrente: 180 g n\u00e3o \u00e9 uma garantia de melhor som, e nem significa tratar-se de um \u201cpadr\u00e3o audi\u00f3filo\u201d.<\/p>\n<p>E \u00e9 justamente a\u00ed que come\u00e7a a ficar interessante, porque o verdadeiro valor de um LP de 180 g n\u00e3o est\u00e1 necessariamente nos 40 ou 50 gramas adicionais de PVC, est\u00e1 em entender o que foi feito antes de esse PVC chegar ao toca-discos.<\/p>\n<h3><strong>Afinal, o que significa um disco de vinil de 180 gramas?<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 exatamente o que parece: o peso aproximado do disco.<\/p>\n<p>Durante boa parte da hist\u00f3ria do LP, discos de 12 polegadas foram fabricados em uma ampla variedade de gramaturas. Valores na faixa de 120 a 140 g foram extremamente comuns, e prensagens ainda mais leves tamb\u00e9m existiram. Durante per\u00edodos de aumento do custo das mat\u00e9rias-primas, chegaram a ser produzidos discos com cerca de 90 ou 100 g.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio mercado brasileiro possui in\u00fameros exemplos de LPs relativamente leves que, quando produzidos a partir de boas matrizes e em boas condi\u00e7\u00f5es, apresentam excelente qualidade sonora. Um levantamento hist\u00f3rico publicado pelo site <em>De Volta Para o Vinil<\/em> lembra inclusive que prensagens brasileiras das d\u00e9cadas de 1970 e 1980 podiam variar bastante de peso, incluindo exemplares de 90 g, 100 g e tamb\u00e9m discos entre 130 e 160 g.<\/p>\n<p>Hoje, podemos encontrar pesos de aproximadamente:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>120\u2013140 g:<\/strong> gramaturas tradicionais e ainda perfeitamente adequadas para LPs;<\/li>\n<li><strong>150\u2013160 g:<\/strong> uma faixa intermedi\u00e1ria;<\/li>\n<li><strong>180 g:<\/strong> bastante comuns em &#8220;prensagens audi\u00f3filas\u201d;<\/li>\n<li><strong>200 g ou mais:<\/strong> menos comum.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Portanto, <span style=\"text-decoration: underline;\">o n\u00famero estampado na capa \u00e9 uma especifica\u00e7\u00e3o f\u00edsica, n\u00e3o uma especifica\u00e7\u00e3o de qualidade sonora<\/span>. A pr\u00f3pria Bilesky Discos refor\u00e7a que a gramatura simplesmente indica o peso individual do disco, e ressalta que a qualidade sonora tem muito pouco a ver com esse par\u00e2metro.<\/p>\n<h3><strong>O grande mito: \u201csulcos mais profundos\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Talvez esse seja o equ\u00edvoco mais persistente sobre o assunto.<br \/>\nExiste uma ideia de que um LP mais grosso permitiria sulcos mais profundos, maiores ou de alguma forma \u201cmais sofisticados\u201d, possibilitando gravar mais graves, mais din\u00e2mica ou mais detalhes, mas n\u00e3o \u00e9 assim que funciona.<\/p>\n<p>O sulco \u00e9 cortado no master antes da prensagem. O disco que chega \u00e0s nossas m\u00e3os \u00e9 produzido a partir desse processo de corte e posterior fabrica\u00e7\u00e3o dos moldes utilizados na prensagem. Em outras palavras: o engenheiro que corta o master n\u00e3o olha para a etiqueta e pensa \u201ceste ser\u00e1 um disco de 180 g, portanto posso fazer um sulco mais profundo\u201d.<\/p>\n<p>A geometria do sulco segue par\u00e2metros t\u00e9cnicos pr\u00f3prios do processo de grava\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o. O aumento da espessura do disco n\u00e3o transforma magicamente o sulco em uma esp\u00e9cie de \u201cHD anal\u00f3gico\u201d com maior capacidade de armazenamento.<\/p>\n<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" dir=\"auto\" data-start=\"971\" data-end=\"1161\">O sulco de um disco de vinil possui dimens\u00f5es microsc\u00f3picas e sua geometria \u00e9 determinada pelo processo de grava\u00e7\u00e3o e pelos padr\u00f5es t\u00e9cnicos de reprodu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pelo peso total do disco.<\/p>\n<p>Um texto t\u00e9cnico atribu\u00eddo ao engenheiro Oswaldo Vidal, profissional que trabalhou nas antigas f\u00e1bricas Polygram e CBS e que posteriormente esteve ligado \u00e0 Polysom, explica justamente esse ponto: a largura e a geometria do sulco s\u00e3o determinadas pelo processo de corte e pelas modula\u00e7\u00f5es da informa\u00e7\u00e3o sonora, e n\u00e3o pela gramatura final do LP. O artigo menciona dimens\u00f5es microsc\u00f3picas da ordem de dezenas de micr\u00f4metros e observa que a profundidade do sulco representa apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o da espessura total do disco:<\/p>\n<p><em>\u201cO sulco tem cerca de 80 microns de largura na superf\u00edcie do disco e \u00e9 um tri\u00e2ngulo is\u00f3sceles com o v\u00e9rtice no fundo, com os lados iguais fazendo um \u00e2ngulo de (quase) 90\u00ba. Ela varia pouqu\u00edssimo em fun\u00e7\u00e3o da quantidade de informa\u00e7\u00e3o vertical (stereo, canais R ou L. A varia\u00e7\u00e3o \u00e9 microm\u00e9trica, n\u00e3o chega a 5 microns e s\u00f3 pode ser vista em microsc\u00f3pio. No ponto de contato da agulha com o sulco, em raz\u00e3o do di\u00e2metro da ponta da agulha, o sulco tem de 25 a 30 microns de largura (depende da agulha). Assim, \u00e9 correto afirmar que o peso do disco n\u00e3o tem qualquer rela\u00e7\u00e3o com o \u00e1udio do LP. Qualquer que seja o peso do disco, o sulco ter\u00e1 suas dimens\u00f5es padr\u00e3o. O que pode, e de fato varia, \u00e9 a amplitude lateral da sen\u00f3ide do sulco, na informa\u00e7\u00e3o mono (canal do centro), e a varia\u00e7\u00e3o de profundidade pela informa\u00e7\u00e3o estereof\u00f4nica (vertical a 45\u00ba com a superf\u00edcie do disco). Para ilustrar esta afirmativa, se o sulco tem uma profundidade de cerca de 75 mil\u00e9simos de mil\u00edmetro (0,075 mm), a espessura (ou peso, se quiserem) em nada influi no sulco, pois um LP 150g tem cerca de 1,5 mm de espessura, sendo, portanto, a profundidade do sulco, menos de 5% da espessura total do disco, o que vale dizer que peso nada tem a haver com o sulco. O que muda o som, ou o n\u00edvel (volume) de grava\u00e7\u00e3o, \u00e9 o maior afastamento entre os sulcos para permitir modula\u00e7\u00f5es maiores, o que nada tem a ver com a profundidade do sulco e, consequentemente, nada a ver com o peso do LP.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Portanto, aquela velha ideia de que \u201c180 g significa sulcos mais profundos e, consequentemente, mais graves e agudos\u201d deve ser colocada na categoria dos mitos.<\/p>\n<p>O que realmente determina a modula\u00e7\u00e3o do sulco \u00e9 o sinal que o engenheiro est\u00e1 tentando transformar em movimento f\u00edsico.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5332\" src=\"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Disco-vinil-hi-end-2.jpg\" alt=\"Disco-vinil-hi-end- audiofilo 180g\" width=\"521\" height=\"347\" srcset=\"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Disco-vinil-hi-end-2.jpg 800w, http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Disco-vinil-hi-end-2-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Disco-vinil-hi-end-2-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 521px) 100vw, 521px\" \/><\/p>\n<h3><strong>Ent\u00e3o o peso n\u00e3o serve para absolutamente nada?<\/strong><\/h3>\n<p>Dizer que \u201c180 g n\u00e3o melhora automaticamente o som\u201d \u00e9 correto. Dizer que \u201co peso n\u00e3o pode produzir absolutamente nenhum efeito mec\u00e2nico\u201d j\u00e1 \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o que exige um pouco mais de cuidado.<\/p>\n<p>Um disco mais espesso \u00e9, em princ\u00edpio,<strong> mais r\u00edgido<\/strong> e mais resistente a deforma\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 uma vantagem concreta.<br \/>\nUm LP fino pode empenar mais facilmente quando submetido a armazenamento inadequado, calor, press\u00e3o ou simplesmente ao passar dos anos. Um disco mais espesso tende a resistir melhor a esse tipo de deforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um LP empenado pode apresentar problemas de rastreamento, alterar a geometria relativa entre c\u00e1psula e superf\u00edcie e at\u00e9 provocar saltos da agulha. Portanto, existe uma vantagem real no disco mais robusto: ele pode chegar ao toca-discos em melhores condi\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas e permanecer assim por mais tempo. \u00c9 uma diferen\u00e7a importante, mas n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que dizer que o PVC adicional \u201cmelhora a grava\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Mas, veja que eu digo \u201cPODE\u201d, e n\u00e3o &#8220;DEVE&#8221;. J\u00e1 vi discos antigos, de baixa gramatura, bem cuidados, menos deformado que discos de 180 ou 200 g. O que podemos afirmar \u00e9 que um disco mais pesado \u201cpode\u201d resistir mais \u00e0s deforma\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o que ele esteja imune a esse problema.<\/p>\n<h3><strong>A massa pode influenciar a reprodu\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h3>\n<p>O disco n\u00e3o \u00e9 apenas um recipiente passivo para o sulco. Ele participa mecanicamente do sistema formado por prato, tapete, disco, c\u00e1psula, cantilever e bra\u00e7o. Uma maior rigidez pode alterar o comportamento do conjunto diante de vibra\u00e7\u00f5es e resson\u00e2ncias. Alguns fabricantes e especialistas defendem que um disco mais espesso pode apresentar vantagens nesse aspecto.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem afirme que o peso n\u00e3o altera diretamente a informa\u00e7\u00e3o gravada, mas aponta que a massa adicional pode ajudar a amortecer micromovimentos durante a leitura. Por\u00e9m, isso nunca foi confirmado, e in\u00fameras vari\u00e1veis podem desfazer essa conclus\u00e3o antecipada.<br \/>\nA publica\u00e7\u00e3o <em>What Hi-Fi?<\/em> encontrou opini\u00f5es diferentes entre fabricantes. A Ortofon considera que a menor espessura pode favorecer determinadas resson\u00e2ncias durante o rastreamento, enquanto Clearaudio e Rega s\u00e3o muito mais cautelosas e enfatizam pontos como a durabilidade, empenamento e qualidade de produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEssa diverg\u00eancia \u00e9 importante.<br \/>\nEla mostra que existe uma diferen\u00e7a entre duas afirma\u00e7\u00f5es: \u201c180 g soa melhor porque tem mais informa\u00e7\u00e3o no sulco.\u201d\u00a0Isso \u00e9 mito. \u201cUm disco mais espesso e r\u00edgido pode apresentar comportamento mec\u00e2nico diferente durante a reprodu\u00e7\u00e3o.\u201d\u00a0Isso \u00e9 fisicamente plaus\u00edvel e pode, dependendo do sistema, ter alguma consequ\u00eancia aud\u00edvel. Mas, novamente, isso n\u00e3o \u00e9 regra e nem \u00e9 confirmado com unanimidade pelo mercado.<\/p>\n<p>Mas, existe um detalhe fundamental que todos concordam: isso n\u00e3o significa que 180 g seja melhor.<\/p>\n<h3>O verdadeiro protagonista: a masteriza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Se tiv\u00e9ssemos de escolher apenas uma vari\u00e1vel para investigar antes de comprar uma determinada edi\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum, provavelmente seria esta: Quem fez a masteriza\u00e7\u00e3o? Depois: Qual foi a fonte utilizada? E finalmente: Onde o disco foi cortado e prensado? Passando por: Qual a qualidade da mat\u00e9ria-prima utilizada na sua fabrica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito mais reveladoras do que simplesmente encontrar um adesivo dizendo \u201c180g Audiophile Vinyl\u201d.<\/p>\n<p>O motivo \u00e9 simples. O vinil \u00e9 um meio f\u00edsico. Diferentemente de um arquivo digital, a m\u00fasica precisa ser transformada em uma geometria mec\u00e2nica que uma agulha consiga percorrer.<br \/>\nA dura\u00e7\u00e3o de cada lado, o n\u00edvel de grava\u00e7\u00e3o, a quantidade de graves, a energia nas altas frequ\u00eancias e a largura necess\u00e1ria entre os sulcos s\u00e3o quest\u00f5es que precisam ser consideradas durante o corte. Um lado muito longo, por exemplo, pode exigir concess\u00f5es no n\u00edvel de grava\u00e7\u00e3o para que todos os sulcos caibam fisicamente no espa\u00e7o dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que duas vers\u00f5es do mesmo \u00e1lbum podem soar dramaticamente diferentes mesmo quando ambas s\u00e3o prensadas em 180 g. Uma pode ter sido cuidadosamente cortada a partir de uma excelente fonte.\u00a0A outra pode ter recebido uma masteriza\u00e7\u00e3o excessivamente comprimida, desequilibrada ou simplesmente inadequada para o formato, e ambas podem pesar exatamente 180 gramas.<\/p>\n<h3>A fonte pode valer mais que o peso<\/h3>\n<p>Esse \u00e9 um dos motivos pelos quais os colecionadores e audi\u00f3filos mais experientes n\u00e3o compram vinil pela sua gramatura. Uma edi\u00e7\u00e3o pode ter sido produzida a partir das fitas master originais. Outra pode ter sido produzida a partir de uma c\u00f3pia de gera\u00e7\u00e3o posterior. Outra pode ter recebido um arquivo digital como fonte. Todas podem ser 180 g, e\u00a0podem soar completamente diferentes.<\/p>\n<p>Isso ajuda a explicar um fen\u00f4meno que deixa muitos colecionadores perplexos: um LP antigo, aparentemente simples e leve, pode soar extraordinariamente bem, muitas vezes melhor at\u00e9 que um equivalente em 180 ou 200 g.<br \/>\nN\u00e3o existe contradi\u00e7\u00e3o nisso.<br \/>\nSe a grava\u00e7\u00e3o original era excelente, a masteriza\u00e7\u00e3o foi competente, o corte foi bem realizado e a prensagem foi cuidadosa, um disco de 120 ou 130 g pode proporcionar uma experi\u00eancia de alt\u00edssimo n\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente por isso que a cole\u00e7\u00e3o de muitos audi\u00f3filos possui LPs antigos de gramatura aparentemente modesta que continuam sendo refer\u00eancias de sonoridade.<\/p>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center; margin: 10px 0; padding: 0;\"><span style=\"color: #993300;\"><strong>180 g n\u00e3o \u00e9 uma garantia de melhor som, e nem significa tratar-se de um \u201cpadr\u00e3o audi\u00f3filo\u201d<\/strong><br \/>\n<\/span><\/h4>\n<hr \/>\n<h3><strong>O que realmente importa em um LP audi\u00f3filo?<\/strong><\/h3>\n<ol>\n<li><em> Fonte da masteriza\u00e7\u00e3o<\/em> &#8211; A fita master original ou uma fonte de alta qualidade pode fazer uma diferen\u00e7a muito maior que a gramatura.<\/li>\n<li><em> Engenheiro de masteriza\u00e7\u00e3o<\/em> &#8211; Saber quem preparou o material para o corte \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o valiosa.<\/li>\n<li><em> Corte do master<\/em> &#8211; Um bom corte precisa respeitar as limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas do vinil sem sacrificar din\u00e2mica e extens\u00e3o desnecessariamente.<\/li>\n<li><em> Qualidade da prensagem<\/em> &#8211; Controle de temperatura, press\u00e3o, material, acabamento e controle de qualidade s\u00e3o fundamentais.<\/li>\n<li><em> Composto do vinil<\/em> &#8211; A qualidade e pureza da mat\u00e9ria-prima podem influenciar ru\u00eddo de superf\u00edcie e consist\u00eancia da prensagem.<\/li>\n<li><em> Disco plano e centrado<\/em> &#8211; Um LP perfeitamente prensado e com furo central preciso favorece o rastreamento e a estabilidade da reprodu\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><em> Estado de conserva\u00e7\u00e3o<\/em> &#8211; Um excelente LP mal armazenado ou riscado continuar\u00e1 sendo um LP ruim.<\/li>\n<li><em> Seu toca-discos<\/em> &#8211; C\u00e1psula, agulha, alinhamento, VTA, for\u00e7a de apoio, <em>antiskating<\/em>, prato e isolamento precisam estar corretamente ajustados.<\/li>\n<li>S\u00f3 depois: a gramatura<\/li>\n<\/ol>\n<p>O \u201c180 g\u201d pode ser uma boa informa\u00e7\u00e3o. Mas jamais deveria ser a principal, e jamais vai definir se o disco \u00e9 \u201caudi\u00f3filo\u201d.<\/p>\n<h3><strong>180 g tamb\u00e9m pode ser uma estrat\u00e9gia de marketing<\/strong><\/h3>\n<p>Aqui chegamos talvez ao ponto mais delicado e pol\u00eamico: <span style=\"text-decoration: underline;\">existe muito marketing em torno do vinil de 180 g<\/span>. Mas isso n\u00e3o significa que todo LP de 180 g seja uma fraude.<br \/>\nO problema est\u00e1 em transformar uma caracter\u00edstica f\u00edsica em uma promessa de desempenho que ela, sozinha, n\u00e3o pode cumprir.<\/p>\n<p>A etiqueta \u201c180 g\u201d tornou-se, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, uma esp\u00e9cie de selo informal de produto <em>premium<\/em>. O consumidor v\u00ea o disco mais pesado, a capa mais sofisticada e o pre\u00e7o maior e naturalmente associa tudo isso a uma edi\u00e7\u00e3o superior. Um erro que audi\u00f3filos mais experientes n\u00e3o cometem mais.<\/p>\n<p>E essa associa\u00e7\u00e3o tem alguma raz\u00e3o hist\u00f3rica. Muitas reedi\u00e7\u00f5es audi\u00f3filas realmente foram produzidas com maior cuidado. Selos especializados investiram em fontes melhores, engenheiros renomados, prensagens mais controladas e materiais de alta qualidade.<br \/>\nAssim, criou-se uma correla\u00e7\u00e3o: 180 g ? edi\u00e7\u00e3o especial ? melhor produ\u00e7\u00e3o ? melhor som.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que a correla\u00e7\u00e3o acabou sendo transformada em causalidade: 180 g ? melhor som, e\u00a0isso \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Um fabricante pode produzir uma excelente prensagem de 180 g. Outro pode simplesmente pegar uma masteriza\u00e7\u00e3o ruim, prens\u00e1-la em PVC pesado e colocar um adesivo dourado na capa. O disco continuar\u00e1 pesando 180 g.<\/p>\n<h3><strong>E o PVC? Isso importa?<\/strong><\/h3>\n<p>Muito mais do que muita gente imagina.<\/p>\n<p>O peso n\u00e3o deve ser confundido com a qualidade do composto utilizado. Uma prensagem pesada pode utilizar um composto excelente, ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem ainda diferen\u00e7as entre vinil virgem, materiais reciclados e diferentes formula\u00e7\u00f5es utilizadas pelos fabricantes. Impurezas, problemas de prensagem e falhas de fabrica\u00e7\u00e3o podem resultar em ru\u00eddo de superf\u00edcie, estalos, chiados, deforma\u00e7\u00f5es e outros defeitos. E muitos discos \u201cpesados\u201d utilizam mat\u00e9ria-prima de baixa qualidade, numa frequ\u00eancia bem maior do que muitos conseguem imaginar.<\/p>\n<p>Por isso, uma f\u00e1brica conhecida pela consist\u00eancia de sua produ\u00e7\u00e3o pode ser uma informa\u00e7\u00e3o mais relevante do que simplesmente a gramatura. O mercado de prensagem de alta qualidade construiu reputa\u00e7\u00f5es justamente em torno dessa capacidade de controlar todo o processo.<br \/>\nE aqui est\u00e1 uma distin\u00e7\u00e3o fundamental: um disco pesado n\u00e3o \u00e9 necessariamente um disco bem prensado.<\/p>\n<h3><strong>O caso dos 200 gramas<\/strong><\/h3>\n<p>Se 180 g \u00e9 melhor, 200 g deve ser ainda melhor, certo? N\u00e3o.<br \/>\nE 220 g deveria ser melhor ainda. E 250 g seria provavelmente um LP definitivo.<br \/>\nPercebe o problema? A l\u00f3gica desmorona quando levada ao extremo.<\/p>\n<p>Existem prensagens de 200 g e at\u00e9 superiores, normalmente associadas a edi\u00e7\u00f5es especiais ou colecion\u00e1veis. Mas apenas 20 g adicionais em rela\u00e7\u00e3o a um LP de 180 g n\u00e3o significam, por si mesmos, uma melhoria aud\u00edvel.<\/p>\n<p>O mesmo racioc\u00ednio vale para tecnologias de prensagem especiais. Existem exemplos hist\u00f3ricos de fabricantes e selos que desenvolveram compostos e processos espec\u00edficos justamente para obter maior qualidade de superf\u00edcie e melhor controle dimensional que oferecem um resultado aud\u00edvel de fato.<br \/>\nNesse caso, o benef\u00edcio est\u00e1 no <span style=\"text-decoration: underline;\">processo<\/span>, n\u00e3o simplesmente na balan\u00e7a.<\/p>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center; margin: 12px 0; color: #800000;\"><strong>O audi\u00f3filo sente os 180g nas m\u00e3os. Mas \u00e9 nos ouvidos que ele deveria procurar a diferen\u00e7a.<\/strong><\/h4>\n<hr \/>\n<h3><strong>E os famosos discos de 120 g?<\/strong><\/h3>\n<p>Aqui est\u00e1 uma pequena provoca\u00e7\u00e3o para o audi\u00f3filo: voc\u00ea jogaria fora um excelente LP de 120 g porque encontrou uma edi\u00e7\u00e3o de 180 g do mesmo \u00e1lbum?<br \/>\nEspero que n\u00e3o.<br \/>\nO mercado est\u00e1 cheio de discos relativamente leves que s\u00e3o excelentes refer\u00eancias sonoras, e\u00a0isso \u00e9 particularmente evidente quando observamos LPs antigos.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, ningu\u00e9m precisava colocar um selo \u201c<em>180g Audiophile<\/em>\u201d na capa para produzir um excelente disco. A preocupa\u00e7\u00e3o estava na grava\u00e7\u00e3o, na masteriza\u00e7\u00e3o, no corte e na fabrica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEspecialistas resumem essa ideia de forma bastante direta ao explicar que a gramatura pode variar de cerca de 100 a 180 g, mas que o peso tem uma rela\u00e7\u00e3o inexpressiva com o som registrado nos sulcos.<\/p>\n<h3><strong>E os discos nacionais dos anos 1970 e 1980?<\/strong><\/h3>\n<p>O per\u00edodo merece uma observa\u00e7\u00e3o particular. O pa\u00eds enfrentou limita\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e industriais que afetaram a fabrica\u00e7\u00e3o de discos. Mat\u00e9rias-primas importadas, custos elevados e, em determinados per\u00edodos, utiliza\u00e7\u00e3o de material reciclado contribu\u00edram para que algumas prensagens nacionais apresentassem problemas. Durante a crise do petr\u00f3leo, por exemplo, chegaram a existir prensagens extremamente leves. Isso ocorreu em outros lugares e em outros momentos. Isso n\u00e3o significa, entretanto, que todo LP brasileiro antigo seja ruim.<br \/>\nExistem excelentes exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Algumas prensagens de gravadoras como Som Livre, EMI e RCA s\u00e3o lembradas por colecionadores justamente pela qualidade. Muitos audi\u00f3filos mais exigentes chamam aten\u00e7\u00e3o para essa enorme varia\u00e7\u00e3o existente entre diferentes prensagens nacionais. Portanto, novamente, o peso n\u00e3o conta toda a hist\u00f3ria.<\/p>\n<h3><strong>O equipamento tamb\u00e9m entra nessa equa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>H\u00e1 ainda uma vari\u00e1vel que muitas discuss\u00f5es sobre gramatura deixam de lado: o toca-discos.<\/p>\n<p>Um LP \u00e9 apenas o primeiro elo da cadeia. A qualidade final depende da intera\u00e7\u00e3o entre:<br \/>\ndisco ? prato ? c\u00e1psula ? agulha ? bra\u00e7o ? pr\u00e9-phono ? amplifica\u00e7\u00e3o ? caixas ac\u00fasticas.<\/p>\n<p>Uma c\u00e1psula desalinhada pode causar muito mais problemas do que a diferen\u00e7a entre 140 e 180 g. Uma for\u00e7a de apoio incorreta pode prejudicar o rastreamento. Um <em>antiskating<\/em> inadequado pode aumentar distor\u00e7\u00f5es.<br \/>\nUma agulha desgastada pode destruir justamente os detalhes que o colecionador esperava encontrar em uma prensagem <em>premium<\/em>. E um toca-discos mal isolado pode permitir que vibra\u00e7\u00f5es externas cheguem ao sistema de leitura.<\/p>\n<h3><strong>E o VTA? Aqui existe uma pegadinha interessante<\/strong><\/h3>\n<p>Um LP de 180 g \u00e9 mais espesso. Isso significa que a superf\u00edcie do disco fica fisicamente mais alta em rela\u00e7\u00e3o ao bra\u00e7o do toca-discos.<br \/>\nDependendo do projeto do bra\u00e7o e da c\u00e1psula, essa altera\u00e7\u00e3o pode modificar o VTA \u2014 Vertical Tracking Angle, ou a geometria vertical de rastreamento.<br \/>\nNa pr\u00e1tica, isso significa que trocar um LP fino por outro muito mais espesso pode alterar ligeiramente a geometria da c\u00e1psula em rela\u00e7\u00e3o ao sulco.<\/p>\n<p>Em sistemas muito bem ajustados, essa diferen\u00e7a pode ser relevante. Mas, novamente, isso n\u00e3o significa que o som de um disco de 180 g seja diferente, mas que o ajuste mudou.<br \/>\nPode simplesmente significar que o seu sistema est\u00e1 ajustado para uma determinada espessura de disco.<\/p>\n<h3><strong><em>Half-Speed Mastering<\/em>: se tiver de escolher, escolha a masteriza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Aqui est\u00e1 uma compara\u00e7\u00e3o que considero especialmente importante. Imagine que voc\u00ea tenha duas op\u00e7\u00f5es:<br \/>\n<strong>A:<\/strong> LP de 180 g, masteriza\u00e7\u00e3o convencional.<br \/>\n<strong>B:<\/strong> LP de 120 ou 140 g, mas cuidadosamente produzido com uma masteriza\u00e7\u00e3o especial, como um <em>half-speed mastering<\/em>.<br \/>\nQual escolher?<\/p>\n<p>Para quem est\u00e1 buscando qualidade sonora, eu prestaria muito mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda informa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo <em>half-speed mastering<\/em>, o processo de corte \u00e9 realizado em velocidade reduzida, permitindo ao sistema de corte trabalhar com determinadas exig\u00eancias do sinal de maneira diferente. O objetivo \u00e9 obter maior precis\u00e3o no processo de grava\u00e7\u00e3o f\u00edsica do sulco.<br \/>\nN\u00e3o significa que todo <em>half-speed master<\/em> seja automaticamente superior, novamente, a fonte e o engenheiro importam , mas trata-se de uma informa\u00e7\u00e3o sobre como o \u00e1udio foi preparado, enquanto \u201c180 g\u201d informa apenas quanto o disco pesa. \u00c9 uma diferen\u00e7a conceitual enorme.<\/p>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center; margin: 12px 0; color: #008000; font-size: 16px;\"><strong>180 gramas impressionam na m\u00e3o. Mas \u00e9 a masteriza\u00e7\u00e3o que impressiona os ouvidos.<\/strong><\/h4>\n<hr \/>\n<h3><strong>33? rpm, 45 rpm e a dura\u00e7\u00e3o do lado<\/strong><\/h3>\n<p>Existe ainda outro fator que muitas vezes \u00e9 mais importante que a gramatura: a velocidade e a dura\u00e7\u00e3o de cada lado.<br \/>\nUm disco de 45 rpm pode oferecer vantagens t\u00e9cnicas porque, em determinado per\u00edodo, o sulco percorre uma dist\u00e2ncia maior por unidade de tempo. Isso pode favorecer determinadas caracter\u00edsticas de corte e rastreamento.<\/p>\n<p>Da mesma forma, um lado excessivamente longo pode obrigar o engenheiro a reduzir o n\u00edvel de corte e a fazer outras concess\u00f5es. Portanto, quando algu\u00e9m afirma que um LP de 180 g necessariamente ter\u00e1 mais din\u00e2mica, mais graves ou mais agudos, a afirma\u00e7\u00e3o ignora uma s\u00e9rie de vari\u00e1veis muito mais relevantes.<br \/>\nO engenheiro n\u00e3o grava \u201cqualidade\u201d em gramas. Ele grava informa\u00e7\u00e3o na geometria do sulco.<\/p>\n<h3><strong>O estranho caso dos <em>picture discs<\/em><\/strong><\/h3>\n<p>E aqui temos um \u00f3timo exemplo de por que peso e qualidade n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos. Existem <em>picture discs<\/em> (discos ilustrados) bastante pesados, alguns chegando a aproximadamente 200 g ou mais, e que s\u00e3o visualmente espetaculares. Mas ningu\u00e9m deveria comprar um <em>picture disc<\/em> simplesmente supondo que ele ser\u00e1 uma refer\u00eancia audi\u00f3fila.<br \/>\nA prioridade dessas edi\u00e7\u00f5es normalmente est\u00e1 no aspecto visual e colecion\u00e1vel.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio artigo <em>De Volta Para o Vinil<\/em> cita a opini\u00e3o do cr\u00edtico e colecionador Michael Fremer (*) sobre a qualidade sonora de <em>picture discs<\/em>, fazendo uma distin\u00e7\u00e3o clara entre o valor visual e a qualidade de reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 um excelente lembrete: um disco pode ser um objeto extraordin\u00e1rio e ainda assim n\u00e3o ser a melhor maneira de ouvir aquele \u00e1lbum.<\/p>\n<h3><strong>Ent\u00e3o por que os 180 g conquistaram os audi\u00f3filos?<\/strong><\/h3>\n<p>Existe um componente psicol\u00f3gico que n\u00e3o deve ser desprezado.<\/p>\n<p>O vinil \u00e9 um formato f\u00edsico. N\u00f3s n\u00e3o apenas ouvimos um LP. N\u00f3s o seguramos, tiramos da capa, colocamos no prato, limpamos, observamos a etiqueta, notamos o prato girar e baixamos o bra\u00e7o.<br \/>\nNesse contexto, a sensa\u00e7\u00e3o de um disco pesado faz parte da experi\u00eancia, e isso n\u00e3o \u00e9 necessariamente ruim.<br \/>\n\u00c9 justamente uma das raz\u00f5es pelas quais o vinil continua fascinando tanta gente em uma \u00e9poca em que um arquivo digital pode carregar milhares de \u00e1lbuns no bolso.<\/p>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center; margin: 12px 0; color: #674869; font-size: 16px;\"><strong>Voc\u00ea comprou 180g caro porque queria mais qualidade. O vendedor agradeceu porque entregou mais PVC.<\/strong><\/h4>\n<hr \/>\n<h3><strong>Mas ent\u00e3o 180 g \u00e9 uma \u201cmentira audi\u00f3fila\u201d?<\/strong><\/h3>\n<p>Aqui eu faria uma distin\u00e7\u00e3o importante.<br \/>\nDizer que \u201c180 g soa melhor porque \u00e9 mais pesado\u201d \u00e9, sim, um mito.<br \/>\nQue a grava\u00e7\u00e3o dos sulcos fica melhor por conta da espessura maior, \u00e9 outro mito.<br \/>\nQue o disco de 180 g \u00e9 um disco \u201caudi\u00f3filo\u201d, isso n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>Se a afirma\u00e7\u00e3o for apresentada como uma regra universal, \u201cmais gramas = mais fidelidade\u201d, ela simplesmente n\u00e3o se sustenta. Mas ,afirmar que todo o disco de vinil pesado n\u00e3o tem qualidade, seria igualmente simplista.<br \/>\nH\u00e1 vantagens f\u00edsicas reais, uma resist\u00eancia um pouco maior a empenamentos, podendo quebrar com menos facilidade, apesar disso tamb\u00e9m depender do material usado na sua fabrica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 transformar essa associa\u00e7\u00e3o em garantia. \u00c9 como comprar um amplificador porque ele pesa 35 kg. A massa pode ser um ind\u00edcio interessante. Pode at\u00e9 ter rela\u00e7\u00e3o com uma fonte de alimenta\u00e7\u00e3o robusta, transformadores grandes e constru\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica cuidadosa. Mas o peso do seu gabinete n\u00e3o prova que o amplificador soa melhor, nem cria uma regra obrigat\u00f3ria.<br \/>\nCom LPs, acontece algo muito parecido.<\/p>\n<h3><strong>A gramatura ideal existe?<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o existe uma lei da F\u00edsica determinando que um LP perfeito deva pesar exatamente 180 g. Ali\u00e1s, a pr\u00f3pria exist\u00eancia hist\u00f3rica de excelentes prensagens de gramaturas inferiores deveria ser suficiente para colocar essa ideia em perspectiva.<br \/>\nUma faixa de aproximadamente 120\u2013140 g j\u00e1 \u00e9 perfeitamente capaz de oferecer uma plataforma f\u00edsica adequada para a reprodu\u00e7\u00e3o de um LP de alta qualidade.<br \/>\nO fato de muitas f\u00e1bricas e selos atuais utilizarem 180 g significa muito mais sobre estrat\u00e9gia de produto, durabilidade, percep\u00e7\u00e3o de valor e filosofia de fabrica\u00e7\u00e3o do que sobre uma suposta necessidade ac\u00fastica.<\/p>\n<h3><strong>E afinal: vale a pena comprar vinil de 180 g?<\/strong><\/h3>\n<p>Sim, mas n\u00e3o pague caro s\u00f3 porque est\u00e1 escrito 180 g na capa.<br \/>\nSe duas edi\u00e7\u00f5es tiverem a mesma qualidade de masteriza\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o teria nenhuma obje\u00e7\u00e3o em escolher a mais pesada, se isso n\u00e3o desajustar a leitura do meu toca-discos, e ele suportar bem a massa adicional.<\/p>\n<p>Para um colecionador, a maior robustez \u00e9 uma vantagem. Para quem manuseia muito os discos, tamb\u00e9m. Para quem pretende conservar uma cole\u00e7\u00e3o por d\u00e9cadas, a resist\u00eancia a deforma\u00e7\u00f5es pode ser interessante.<br \/>\nE para quem gosta do ritual do vinil, n\u00e3o h\u00e1 como negar: um LP de 180 g \u00e9 simplesmente gostoso de segurar.<\/p>\n<p>Mas, quando a prioridade \u00e9 a qualidade do som, a ordem das minhas perguntas seria ser outra: Quem masterizou? Qual foi a fonte? Quem cortou? Onde foi prensado? Como foi prensado? Como o meu toca-discos est\u00e1 regulado?<br \/>\nE s\u00f3 ent\u00e3o eu daria alguma aten\u00e7\u00e3o para: Quantos gramas tem?<\/p>\n<p>O peso maior pode dar mesmo mais estabilidade ao disco? Em tese sim, mas isso n\u00e3o se comprova muito na pr\u00e1tica. In\u00fameros testes cegos j\u00e1 realizados provam isso.<br \/>\nSim, aqueles testes cegos, que junto com as medi\u00e7\u00f5es objetivas, s\u00e3o o terror dos subjetivistas.<\/p>\n<p>E para quem se importa com a estabilidade do disco no prato, usar um <em>clamp<\/em> (tamb\u00e9m chamado de estabilizador ou peso de vinil), preferencialmente de fixa\u00e7\u00e3o, vai garantir mais estabilidade ao disco, controlar melhor as vibra\u00e7\u00f5es e compensar deforma\u00e7\u00f5es, com muito mais efici\u00eancia, e com uma vantagem interessante: \u00e9 mais barato do que comprar discos de 180 ou 200 g mais caros.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-5333\" src=\"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Disco-vinil-hi-end-3.jpg\" alt=\"\" width=\"522\" height=\"428\" srcset=\"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Disco-vinil-hi-end-3.jpg 792w, http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Disco-vinil-hi-end-3-300x246.jpg 300w, http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Disco-vinil-hi-end-3-768x630.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><\/p>\n<p>Podemos ter disco de 180 g bem gravado? Sim<br \/>\nPodemos ter disco de 180 g mal gravado? Sim<br \/>\nPodemos ter um disco de 120 ou 140 g bem gravado? Sim<br \/>\nPodemos ter um disco de 120 ou 140 g mal gravado? Sim<br \/>\nEnt\u00e3o onde est\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o direta entre peso e qualidade?<\/p>\n<h3>E o que a minha experi\u00eancia pessoal diz?<\/h3>\n<p>Compre qualidade, n\u00e3o peso.<br \/>\nEm todos os testes que fiz, encontrei qualidade digna de reprodu\u00e7\u00e3o audi\u00f3fila n\u00e3o s\u00f3 em discos de 180 g, 200 g, mas tamb\u00e9m em discos &#8220;leves&#8221;, e em alguns casos, um disco sem o &#8220;selo&#8221; audi\u00f3filo ou de 180 g teve uma <em>performance<\/em> sonora superior \u00e0 vers\u00e3o mais &#8220;pesada&#8221;.<\/p>\n<p><em><strong>O importante \u00e9: nunca mais confundir disco pesado com disco audi\u00f3filo. Essa associa\u00e7\u00e3o direta \u00e9 mais uma das mentiras do hobby que engana muitos audi\u00f3filos.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(*) <em>Michael Fremer \u00e9 um dos jornalistas e cr\u00edticos mais conhecidos, influentes e respeitados do mundo do \u00e1udio high-end, especialmente quando o assunto \u00e9 vinil e reprodu\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica. Ele nasceu em Nova York em 1947 e come\u00e7ou sua trajet\u00f3ria profissional como DJ de r\u00e1dio. Posteriormente passou a escrever sobre m\u00fasica, equipamentos de \u00e1udio e grava\u00e7\u00f5es. Ao longo de v\u00e1rias d\u00e9cadas, tornou-se uma das principais refer\u00eancias internacionais em toca-discos, c\u00e1psulas, bra\u00e7os, pr\u00e9-amplificadores de phono e, principalmente, na avalia\u00e7\u00e3o de prensagens e masteriza\u00e7\u00f5es de discos de vinil.\u00a0Fremer teve uma participa\u00e7\u00e3o particularmente importante na sobreviv\u00eancia e no renascimento do vinil durante as d\u00e9cadas de 1990 e 2000, quando o formato era considerado praticamente morto diante do CD. Em 1995, entrou para a revista Stereophile, onde criou a famosa coluna \u201cAnalog Corner\u201d, dedicada \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica. A coluna se tornou uma refer\u00eancia entre os audi\u00f3filos. Ele ainda trabalhado na The Absolute Sound, e nos anos 1990 criou a revista The Tracking Angle, dedicada especialmente ao universo anal\u00f3gico. O projeto posteriormente evoluiu para o site MusicAngle e, mais tarde, para o conhecido AnalogPlanet, ligado \u00e0 Stereophile. Em 2022, Fremer deixou a Stereophile e o AnalogPlanet e retomou o projeto Tracking Angle, que hoje edita. Tamb\u00e9m voltou \u00e0 equipe da The Absolute Sound, onde atua como editor-at-large.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3909\" src=\"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fortheserious.jpg\" alt=\"For the Serious Audiophile - Audiofilo som high-end\" width=\"450\" height=\"61\" srcset=\"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fortheserious.jpg 450w, http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/fortheserious-300x41.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Vinil 180 g: qualidade audi\u00f3fila ou engana\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":5331,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15],"tags":[146,147,58,250,31,150,148,162],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5328"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5328"}],"version-history":[{"count":19,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5328\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5350,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5328\/revisions\/5350"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5331"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5328"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5328"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5328"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}