{"id":4273,"date":"2021-03-30T11:48:04","date_gmt":"2021-03-30T14:48:04","guid":{"rendered":"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/?p=4273"},"modified":"2021-06-09T15:48:04","modified_gmt":"2021-06-09T18:48:04","slug":"consulta-de-um-leitor-sobre-cabos-para-audio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/consulta-de-um-leitor-sobre-cabos-para-audio\/","title":{"rendered":"Consulta de um leitor sobre cabos para \u00e1udio"},"content":{"rendered":"<p>Recebi uma pergunta interessante de um leitor, consciente da import\u00e2ncia da escolha de um cabo em fun\u00e7\u00e3o dos argumentos do vendedor.<br \/>\nGostaria de compartilhar isso aqui na forma de um artigo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Trata-se de uma consulta do nosso querido leitor, Jorge Alvariza.<br \/>\n\u00c9 um tema sempre recorrente, e recebo muitas consultas bem parecidas a esta.<br \/>\nComo a sua pergunta foi bastante detalhada, tomei a liberdade de transform\u00e1-la num artigo, enquanto n\u00e3o consigo finalizar os artigos que est\u00e3o na fila para publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Segue a consulta realizada:<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;Fios condutores de eletricidade<\/em><br \/>\n<em>Ilustr\u00edssimo Sr. Eduardo Martins. Estou plenamente de acordo. Nos cabos RCA, XLR e de for\u00e7a, os fios devem conduzir a eletricidade de forma neutra. A eletricidade deve passar por eles sem sofrer qualquer altera\u00e7\u00e3o. E os cabos tamb\u00e9m devem ter o menor comprimento poss\u00edvel.<\/em><br \/>\n<em>Mas veja. No website da Wikipedia consta que:<\/em><br \/>\n<em>\u201cNa temperatura ambiente, no planeta Terra, o material melhor condutor el\u00e9trico ainda \u00e9 a prata. Relativamente, a prata tem condutividade el\u00e9trica de 108%; o cobre 100%; o ouro 70%; o alum\u00ednio 60% e o tit\u00e2nio apenas 1%. A base de compara\u00e7\u00e3o \u00e9 o cobre. O ouro, em qualquer compara\u00e7\u00e3o, seja no mesmo volume, ou na mesma massa, sempre perde em condutividade el\u00e9trica ou t\u00e9rmica para o cobre. Entretanto, para conex\u00f5es el\u00e9tricas, em que a corrente el\u00e9trica deve passar de uma superf\u00edcie para outra, o ouro leva muita vantagem sobre os demais materiais, pois sua oxida\u00e7\u00e3o ao ar livre \u00e9 extremamente baixa, resultando numa elevada durabilidade na manuten\u00e7\u00e3o do bom contato el\u00e9trico. Entre os citados, o alum\u00ednio seria o pior material para as conex\u00f5es el\u00e9tricas, devido \u00e0 facilidade de oxida\u00e7\u00e3o e \u00e0 baixa condutividade el\u00e9trica da superf\u00edcie oxidada. Assim, um cabo condutor de cobre com os plugues de contatos dourados levam vantagens sobre outros metais. Uma conex\u00e3o entre superf\u00edcies de cobre, soldada com prata constitui a melhor combina\u00e7\u00e3o para a condu\u00e7\u00e3o da eletricidade ou do calor entre condutores distintos\u201d.<\/em><br \/>\n<em>Um vendedor do ebay oferece: Pair occ copper silver plated audio Interconnects cable with WBT-0144 RCA plug por US$ 24.oo.<\/em><br \/>\n<em>A foto do produto mostra o que eu acredito ser: um cabo feito com fios Litz.<\/em><br \/>\n<em>O que \u00e9 um fio Litz? Segundo este website\u00a0<a href=\"https:\/\/www.netinbag.com\/pt\/manufacturing\/what-is-a-litz-wire.html\" rel=\"nofollow ugc\">https:\/\/www.netinbag.com\/pt\/manufacturing\/what-is-a-litz-wire.html<\/a><\/em><br \/>\n<em>\u201cOs fios Litz s\u00e3o cabos de energia compostos por v\u00e1rios fios isolados individualmente. Esse tipo de fio foi projetado especificamente para uso com corrente alternada (CA), a fim de reduzir os efeitos indesejados de dois fen\u00f4menos diferentes. Esses fen\u00f4menos, conhecidos como efeitos de proximidade e pele, podem resultar em uma diminui\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia na energia CA de frequ\u00eancia mais alta. A maneira como um fio litz lida com o efeito de pele \u00e9 fornecendo um perfil de se\u00e7\u00e3o transversal menor em cada fio individual. Como cada fio do componente tamb\u00e9m pode ser torcido, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel minimizar o efeito de proximidade.<\/em><br \/>\n<em>Um dos principais problemas com o uso de corrente alternada de alta frequ\u00eancia \u00e9 um fen\u00f4meno conhecido como efeito da pele. No caso de frequ\u00eancias de corrente alternada muito altas, esse efeito resulta na maior parte da eletricidade sendo conduzida perto da superf\u00edcie de um fio, em vez de ser distribu\u00edda uniformemente por toda parte. A parte do fio que realmente carrega a corrente \u00e9 conhecida como profundidade da pele. Como a maior parte do fio n\u00e3o \u00e9 utilizada para transfer\u00eancia de corrente, essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o desperdi\u00e7adora que tamb\u00e9m pode resultar em uma redu\u00e7\u00e3o de efici\u00eancia. Uma maneira de lidar com o fen\u00f4meno do efeito de pele \u00e9 escavar o fio para que a parte n\u00e3o utilizada n\u00e3o esteja mais l\u00e1, mas o fio litz pode ser uma solu\u00e7\u00e3o mais compacta.<\/em><br \/>\n<em>Para lidar com o efeito de pele, cada fio litz \u00e9 composto de muitos fios menores. Cada um desses fios tem um di\u00e2metro com cerca de uma profundidade de pele, para que todo o material possa ser usado para conduzir eletricidade. Os fios individuais podem ser agrupados e, em alguns casos, v\u00e1rios pacotes ser\u00e3o transformados em um \u00fanico fio. As frequ\u00eancias mais altas exigem fios individuais mais finos, portanto, pode ser importante conhecer as caracter\u00edsticas da corrente alternada em uma aplica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para escolher o fio litz correto.<\/em><br \/>\n<em>Outra quest\u00e3o com a qual o fio litz pode lidar \u00e9 o efeito de proximidade. Esse \u00e9 um fen\u00f4meno que resulta em uma resist\u00eancia geral mais alta quando v\u00e1rios fios transportam eletricidade muito pr\u00f3ximos um do outro. A corrente pode ser restringida a uma \u00e1rea menor que o normal, resultando em uma situa\u00e7\u00e3o conhecida como aglomera\u00e7\u00e3o atual. Para lidar com esse problema, cada fio do componente pode ser torcido. Muitos tipos diferentes de isoladores podem ser usados, embora o poliuretano seja frequentemente escolhido porque n\u00e3o precisa ser removido antes de soldar o fio\u201d.<\/em><br \/>\n<em>Cabos RCA, XLR e de for\u00e7a, feitos com fios Litz s\u00e3o melhores?<\/em><br \/>\n<em>Por que OCC? (Segundo um vendedor de cabos RCA de US$ 120 do ebay):<\/em><br \/>\n<em>\u201cUsados na ind\u00fastria de \u00e1udio de ponta, os cabos OCC (Ohno Continuous Cast) s\u00e3o equipados com cobre e prata de qualidade superior, a melhor poss\u00edvel hoje.<\/em><br \/>\n<em>OCC \u00e9 o nome dado ao processo de fundi\u00e7\u00e3o desenvolvido para ajudar a superar os problemas de recozimento e virtualmente eliminar todos os limites de gr\u00e3o em cobre ou prata com um processo patenteado exclusivo. O m\u00e9todo de fundi\u00e7\u00e3o OCC usa moldes aquecidos especializados para desenhar um \u00fanico cristal de at\u00e9 125 metros de comprimento. Com apenas um \u00fanico cristal de comprimentos muito longos, h\u00e1 um caminho livre desimpedido para a melhor transfer\u00eancia de sinal poss\u00edvel. Junto com esta estrutura de cristal \u00fanico longo superior, OCC fornece cobre e prata com o m\u00ednimo poss\u00edvel de \u00f3xidos e outras impurezas.<\/em><br \/>\n<em>Em alto contraste com o OCC, existem outros cobres de grau inferior, como ETP e OFC, com uma infinidade de contornos de gr\u00e3o e outras impurezas. ETP (Electrolytic Tough Pitch), tamb\u00e9m conhecido como. TPC (Tought Pitch), tamb\u00e9m conhecido como. Na verdade, o CDA110 tem cerca de 1400 limites de cristal por p\u00e9, com conte\u00fado de oxig\u00eanio em torno de 235 ppm. ETP \u00e9 o cobre mais comum dispon\u00edvel hoje (conhecido simplesmente como grau el\u00e9trico). OFC (Oxygen Free Copper) tem cerca de 400 cristais por p\u00e9 e, apesar do nome, tem um teor de oxig\u00eanio de cerca de 10 ppm. Tendo menos conte\u00fado de oxig\u00eanio e menos impurezas gerais em compara\u00e7\u00e3o com o ETP, o OFC \u00e9 popular em cabos de \u00e1udio de n\u00edvel m\u00e9dio. Independentemente disso, tanto o ETP quanto o OFC t\u00eam uma infinidade de limites de gr\u00e3os por metro que o sinal deve rotear e passar. O OCC oferece a solu\u00e7\u00e3o que elimina todos esses problemas que envolvem os condutores de cobre baseados em ETP e OFC.<\/em><br \/>\n<em>OCC litz cable<\/em><br \/>\n<em>A quest\u00e3o, em \u00faltima an\u00e1lise, se resume ao seguinte: Voc\u00ea prefere que o seu sinal flua em um caminho com muitas rachaduras, solavancos e obst\u00e1culos no caminho (OFC \/ ETP) ou flua ao longo de um caminho livre completamente desimpedido com o m\u00ednimo de impurezas poss\u00edveis (OCC). Do nosso ponto de vista, a escolha \u00e9 simples, e o resultado final \u00e9 que a maioria dos projetos de cabos de topo utilizam OCC, pois oferece a plataforma de base mais pura para chegar muito mais perto da verdadeira transpar\u00eancia absoluta.<\/em><br \/>\n<em>Cryo OCC: O cobre e a prata mais puros do planeta Terra.<\/em><br \/>\n<em>Litz: O melhor design para eliminar a pele e o efeito de proximidade. O design de condutor mais forte e dur\u00e1vel. O melhor design para eliminar qualquer degrada\u00e7\u00e3o por oxida\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Cryo OCC + complexo de cadeia fina Litz<\/em><br \/>\n<em>O cabo mais dominante e sonoramente o mais transparente\u201d.<\/em><br \/>\n<em>Isto \u00e9 verdade?<\/em><br \/>\n<em>Afinal, qual \u00e9 o melhor tipo de fio que pode ser empregado em um cabo RCA?<\/em><br \/>\n<em>E em um cabo XLR?<\/em><br \/>\n<em>E em um cabo de for\u00e7a?<\/em><br \/>\n<em>Desde j\u00e1 lhe parabenizo pelas explica\u00e7\u00f5es bem detalhadas que encontrei em seu website. A respeito das minhas perguntas devo lhe dizer que n\u00e3o encontrei, at\u00e9 agora, algu\u00e9m que possa explica-las com clareza, principalmente para os que pouco entendem deste assunto, como eu. Conto com a sua inestim\u00e1vel ajuda. Muito obrigado mesmo. <\/em><\/p>\n<p><em>Jorge Alvariza.<\/em><\/p>\n<p><strong>Minha resposta:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Caro Jorge, obrigado por prestigiar este humilde espa\u00e7o.<br \/>\nSua pergunta merecia um artigo, pois oferece um longo espa\u00e7o para coment\u00e1rios e abordagens t\u00e9cnicas, mas vou tentar reduzir a minha resposta de uma forma mais did\u00e1tica e objetiva.<\/p>\n<p>Se formos entrar na quest\u00e3o do efeito de \u201cpele\u201d, ou efeito peculiar ou skin, como \u00e9 mais conhecido, essa \u00e9 uma caracter\u00edstica de condu\u00e7\u00e3o el\u00e9trica j\u00e1 bastante conhecida e presente em in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 em \u00e1udio. Mas, suas implica\u00e7\u00f5es na faixa de \u00e1udio (at\u00e9 20kHz nominalmente) s\u00e3o t\u00e3o pouco importantes que mesmo em aplica\u00e7\u00f5es muito, mas muito mais exigentes em computa\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o de v\u00eddeo, etc\u2026 onde as frequ\u00eancias atingem os MHz ou GHz n\u00e3o existe toda essa preocupa\u00e7\u00e3o exagerada, e estas aplica\u00e7\u00f5es funcionam perfeitamente com cabinhos maci\u00e7os de baixa pureza. Em \u00e1udio, teve fabricante que inventou cabos de caixas ac\u00fasticas bicablados com fios \u201cocos\u201d para a faixa de alta-frequ\u00eancia (agudos) em fun\u00e7\u00e3o deste efeito.<br \/>\nImportante salientar que a divis\u00e3o de baixa, m\u00e9dia e alta frequ\u00eancia tem um objetivo apenas de \u201corganiza\u00e7\u00e3o\u201d em \u00e1udio para efeitos de projetos de divisores de frequ\u00eancia e sele\u00e7\u00e3o de drivers. Mas, na pr\u00e1tica, os agudos n\u00e3o est\u00e3o numa faixa real de altas frequ\u00eancias com a atual evolu\u00e7\u00e3o. Imagine que os 20.000 Hz de \u201caltas frequ\u00eancias do \u00e1udio\u201d est\u00e1 muito longe dos mais de 3.600.000.000 Hz da velocidade de clock de um computador ou dos 5.000.000.000 Hz do seu roteador de internet, e eles funcionam muito bem sem essas \u201cfrescuras\u201d, e transportam sinais muito mais complexos e precisos.<\/p>\n<p>Esse ponto do voc\u00ea preferir \u201cque o seu sinal flua em um caminho com muitas rachaduras, solavancos e obst\u00e1culos no caminho (OFC \/ ETP) ou flua ao longo de um caminho livre completamente desimpedido com o m\u00ednimo de impurezas poss\u00edveis (OCC)\u201d \u00e9 algo que fez a alegria de muitos fabricantes de cabos que venderam produtos car\u00edssimos com esse tipo de argumento.<br \/>\nA impress\u00e3o que se sugere \u00e9 que a corrente el\u00e9trica corre pelos cabos e quando encontra um \u201ccristal\u201d de cobre ela passa por ele como um \u201cfantasma\u201d, mas se tiver uma part\u00edcula de alum\u00ednio no caminho ela vai trope\u00e7ar e cair de boca\u2026. kkkk\u2026<br \/>\nIsso n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>Quanto a condutividade dos materiais, acredite, no caso do \u00e1udio n\u00e3o faz a menor diferen\u00e7a. Se estiv\u00e9ssemos falando de dezenas ou centenas de metros de cabo, poder\u00edamos at\u00e9 ter esse par\u00e2metro em maior aten\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o interferindo no sinal el\u00e9trico da forma como sugerem os fabricantes de cabos.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 oxida\u00e7\u00e3o, \u00e9 o que eu comentei num artigo recente: n\u00e3o \u00e9 o material de fabrica\u00e7\u00e3o do conector que mudar\u00e1 o sinal el\u00e9trico que passa por ele, mas o estado dessa conex\u00e3o. O ouro oxida menos com o tempo, o cobre oxida mais, mas o cobre limpo ou polido periodicamente (pelo menos a cada um ano ou seis meses dependendo das caracter\u00edsticas do ambiente) oferece EXATAMENTE o mesmo resultado.<br \/>\n\u00c9 impressionante como os audi\u00f3filos valorizam caracter\u00edsticas como estas que praticamente nenhuma diferen\u00e7a provoca e n\u00e3o controlam a umidade do ambiente, n\u00e3o substituem o ferroflu\u00eddo de seus <em>tweeters<\/em> ou adequam o sistemas para os seus par\u00e2metros de audi\u00e7\u00e3o (que ali\u00e1s a maioria desconhece).<br \/>\nExiste a\u00ed aquela coisa de pagar caro num cabo e ter o prazer de ver aqueles cabinhos bonitos, com conectores dourados cheio de detalhes que mais lembram uma joia, dentro daquela caixinha de mogno forrada com veludo e revestida com dez camadas de verniz polidas uma a uma\u2026 Isso acabou se tornando um \u201cfetiche\u201d para os audi\u00f3filos.<br \/>\nCabo bom \u00e9 cabo bom, e n\u00e3o um cabo exot\u00e9rico cheio de frescuras est\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Vamos agora numa outra dire\u00e7\u00e3o\u2026<br \/>\nSe realmente o fabricante desse cabo tivesse raz\u00e3o, e a prata fosse o melhor condutor, o ouro o melhor revestimento de contato e a configura\u00e7\u00e3o Litz aquela perfeita para o \u00e1udio, n\u00e3o ter\u00edamos ent\u00e3o todos os cabos com essas caracter\u00edsticas construtivas? Todos os cabos seriam iguais, mudando apenas a cor, um conector maior ou menor, um fio mais grosso ou mais fino, etc\u2026<br \/>\nMas, n\u00e3o \u00e9 isso o que acontece. Cada fabricante adota uma tecnologia diferente, chegando a extremos de um fabricante usar esse tipo de \u201crecurso\u201d e outro defender que o cabo simples de cobre com conector de cobre \u00e9 o ideal pelas suas caracter\u00edsticas \u201csimplistas\u201d.<br \/>\nEu desafio qualquer fabricante de cabos a me mostrar que essas caracter\u00edsticas realmente provocam mudan\u00e7as na corrente que circula pelo cabo. Um cabo de cobre comum s\u00f3lido, que nem tenha uma \u201cpureza\u201d elevada, com um simples conector \u201ccromado\u201d conduz a corrente el\u00e9trica do mesmo jeito, e \u00e9 isso que interessa para o alto-falante que vai transformar essa corrente el\u00e9trica em campo magn\u00e9tico, e que vai movimentar os cones. Simples assim. Os alto-falantes n\u00e3o v\u00e3o enxergar quest\u00f5es \u201cm\u00edsticas\u201d num cabo. E acredite, as distor\u00e7\u00f5es provocadas pelos alto-falantes s\u00e3o muito, mas muito maiores do que aquela \u201cmuitas vezes supostamente\u201d provocada por um cabo que usa cobre absolutamente puro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 outro que usa cobre comum.<br \/>\nSeria algo como voc\u00ea pingar uma gota de tinta vermelha em meio copo de \u00e1gua, ou ping\u00e1-la numa piscina ol\u00edmpica. A diferen\u00e7a de cor nessa piscina ser\u00e1 totalmente desprez\u00edvel, e nem color\u00edmetros de alt\u00edssima precis\u00e3o v\u00e3o detectar a influ\u00eancia dessa gota em um milh\u00e3o e novecentos mil litros de \u00e1gua. Mas, se for algu\u00e9m como um \u201caudi\u00f3filo\u201d, ele vai notar diferen\u00e7a. Ele pode ser incapaz de notar dois graus de diferen\u00e7a de temperatura da \u00e1gua, mas vai notar essa diferen\u00e7a de cor. Quando voc\u00ea lhe sugere um teste cego, ele foge com os mais diversos argumentos porque sabe que nem ele mesmo tem certeza da subjetividade de suas impress\u00f5es.<\/p>\n<p>99,9% dos argumentos utilizados pelos fabricantes de cabos s\u00e3o puramente comerciais (pelo menos tem algo \u201cpuro\u201d nessa hist\u00f3ria\u2026 rsrsrs\u2026). S\u00e3o criados para dar um diferencial fantasioso ao seu produto. E a\u00ed voc\u00ea acrescenta a participa\u00e7\u00e3o de vendedores e revistas \u201cespecializadas\u201d em \u00e1udio que faturam com vendas e an\u00fancios, e temos a receita pronta para o \u201ccabo inovador\u201d, \u201co lan\u00e7amento do ano\u201d, \u201ca surpresa revolucion\u00e1ria\u201d, o &#8220;diamante lapidado&#8221; e todos aqueles adjetivos utilizados h\u00e1 tantas d\u00e9cadas que teriam feito o cabo de hoje ter uma \u201cdiferen\u00e7a sonora\u201d t\u00e3o grande de um cabo produzido h\u00e1 30 anos que ningu\u00e9m passaria vergonha num teste comparativo de cabos, como j\u00e1 cansei de ver acontecer (at\u00e9 com editor e avaliador de publica\u00e7\u00f5es do ramo).<\/p>\n<p>Recentemente vi uma foto de um sistema de \u00e1udio em um dos grupos de whatsapp que participo, onde uma caixinha <em>bookshelf<\/em> era conectada com um cabo que mais parecia uma mangueira de inc\u00eandio !!! O que era aquilo? Quando o audi\u00f3filo vai evoluir na mesma velocidade em que eles acreditam que os cabos evoluem?<br \/>\nE o dono do sistema se orgulha de ter um sistema \u201cneutro\u201d. Nem os nossos ouvidos s\u00e3o neutros, ali\u00e1s, nenhum \u00e9, mas ele n\u00e3o se preocupa com isso. Nunca fez um teste de audiometria e insiste, de forma equivocada e ultrapassada, em ajustar o seu sistema pela curva de audi\u00e7\u00e3o \u201cao vivo\u201d, cometendo o maior erro que um audi\u00f3filo pode cometer hoje.<\/p>\n<p>A culpa dessa confus\u00e3o criada no mercado, e que faz o audi\u00f3filo pagar fortunas por coisas que n\u00e3o valem, \u00e9 desses fabricantes inescrupulosos, destas revistinhas tendenciosas, de revendedores gananciosos e manipuladores, sempre com raras ressalvas (cada vez mais dif\u00edcil de lembrar de alguma), mas, principalmente, culpa do audi\u00f3filo que se acha \u201cexperimentado\u201d e consegue identificar diferen\u00e7as sempre \u201csubjetivas\u201d que sequer existem em cabos, fus\u00edveis, \u201celevadores de cabos\u201d ou acess\u00f3rios bizarros que desaparecem na mesma velocidade que surgem.<br \/>\nMas, quando voc\u00ea lembra que os alto-falantes reagem magneticamente de acordo com a corrente recebida, e sugere medir ou analisar a \u201ctal diferen\u00e7a\u201d que teria ocorrido com essa corrente, ent\u00e3o chovem argumentos de que instrumentos n\u00e3o s\u00e3o precisos, n\u00e3o conseguem captar com a mesma sensibilidade de nossos ouvidos, sofrem interfer\u00eancias \u201cc\u00f3smicas\u201d, etc\u2026 O que interessa para eles \u00e9 alimentar o fetiche, e, novamente, desprezando caracter\u00edsticas importantes que realmente fazem diferen\u00e7as sens\u00edveis, objetivas e identific\u00e1veis por um instrumento at\u00e9 bem vagabundo. Mas, aqui eles n\u00e3o percebem essas diferen\u00e7as, porque a manuten\u00e7\u00e3o de contatos, o ajuste de adequa\u00e7\u00e3o do sistema aos ouvidos, a simples substitui\u00e7\u00e3o de um <em>tweeter<\/em> que perdeu as suas caracter\u00edsticas ao longo do tempo n\u00e3o chegam numa caixinha de mogno forrada com veludo ou seda.<\/p>\n<p>Desde que ingressei no <em>hobby<\/em> de \u00e1udio, h\u00e1 quase 45 anos, eu uso meus conhecimentos em engenharia el\u00e9trica e especializa\u00e7\u00e3o em eletr\u00f4nica, junto com minhas pr\u00e1ticas em montagens de cabos, de amplificadores, toca-discos, etc. para entender melhor o \u00e1udio de alta-fidelidade. E eu te digo uma coisa: \u00e9 uma bagun\u00e7a e uma total falta de informa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAt\u00e9 fotos manipuladas de salas com caixas remontadas digitalmente eu j\u00e1 identifiquei e at\u00e9 mostrei aqui no Hi-Fi Planet.<br \/>\nFiz muitas amizades com t\u00e9cnicos e fabricantes de componentes \u201cHi-End\u201d do mundo todo que, para a minha pouca surpresa, me mostraram um mundo de manipula\u00e7\u00f5es e mentiras que se aproveita da ingenuidade de muitos audi\u00f3filos. \u00c9 algo que d\u00e1 nojo.<br \/>\nEu sou muito cr\u00edtico para escolher um chocolate, uma cerveja, um vinho e at\u00e9 um celular novo, mas no \u00e1udio as diferen\u00e7as s\u00e3o alimentadas de formas artificiais.<br \/>\nVoc\u00ea percebe nitidamente a diferen\u00e7a de uma cerveja feita de puro malte e uma de \u201csuco de milho\u201d, mas, no \u00e1udio, tudo \u00e9 simplesmente subjetivo, e na grande maioria das vezes com percep\u00e7\u00f5es totalmente equivocadas.<\/p>\n<p>Desculpe o longo texto para lhe resumir que: \u201ccada fabricante vai inventar argumentos dos mais fantasiosos para destacar o seu produto da concorr\u00eancia\u201d.<br \/>\nEnt\u00e3o, se o cabo \u00e9 bem feito e tem qualidade, pode comprar, mas t\u00e3o somente se ele tiver um pre\u00e7o justo, n\u00e3o o pre\u00e7o de uma joia.<\/p>\n<p>E, parab\u00e9ns pelo cuidado que voc\u00ea demonstra no entendimento desse <em>hobby<\/em>. Tenha muito sucesso com as suas mudan\u00e7as no seu sistema e aproveite a vida.<\/p>\n<p>Abra\u00e7o<\/p>\n<p>Eduardo&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Recebi uma pergunta interessante de um leitor, consciente da import\u00e2ncia da escolha de um cabo em fun\u00e7\u00e3o dos argumentos do vendedor. Gostaria de compartilhar isso aqui na forma de um artigo.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":4274,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4273"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4273"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4273\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4275,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4273\/revisions\/4275"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4274"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}