{"id":2844,"date":"2014-01-12T12:59:22","date_gmt":"2014-01-12T15:59:22","guid":{"rendered":"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/?p=2844"},"modified":"2021-06-14T17:27:35","modified_gmt":"2021-06-14T20:27:35","slug":"devemos-ajustar-um-sistema-de-som-hi-end-com-cabos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/devemos-ajustar-um-sistema-de-som-hi-end-com-cabos\/","title":{"rendered":"Devemos Ajustar um Sistema de Som Hi-End com Cabos?"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o faltam sugest\u00f5es para que um sistema de \u00e1udio seja ajustado com cabos, mas, seria mesmo esta a solu\u00e7\u00e3o a mais recomendada? Cuidado para n\u00e3o acabar louco tentando&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Recebi uma carta do leitor Odilon questionando sobre o ajuste de sistemas com a troca de cabos, e esta \u00e9 uma oportunidade para, novamente, esclarecer esta quest\u00e3o. Segue a carta do leitor:<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>&#8220;Por favor, gostaria de uma opini\u00e3o de voc\u00eas.<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #0000ff;\"><em>Li numa revista uma resposta a um leitor que depois de montado o sistema ele deveria proceder ao ajuste com uma escolha de cabos.<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #0000ff;\"><em>Na mesma edi\u00e7\u00e3o, um artigo sobre testes com discos recomendados citava novamente que cabos deveriam ser usados para ajustar um sistema e corrigir o equil\u00edbrio tonal ajustando o comportamento das frequ\u00eancias.<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #0000ff;\"><em>Pergunto ent\u00e3o se cabos realmente devem ser usados para ajustar um sistema de som, como funciona isso e se \u00e9 realmente necess\u00e1rio? N\u00e3o seria poss\u00edvel ajustar com a correta escolha dos equipamentos para que todo o sistema fosse o mais flat poss\u00edvel?<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #0000ff;\"><em>A impress\u00e3o \u00e9 que quanto mais caros os cabos escolhidos melhores os resultados, mas at\u00e9 quanto devemos gastar? Li numa edi\u00e7\u00e3o antiga desta mesma publica\u00e7\u00e3o que o investimento deveria ser da ordem de 15%, mas em outra edi\u00e7\u00e3o desta mesma revista ela cita que n\u00e3o existe uma rela\u00e7\u00e3o.<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #0000ff;\"><em>Possuo um sistema formado por um amplificador Rega Mira 3, um tocador de Cds Audio Aero Prima al\u00e9m de um Oppo BDP 105, e duas caixas B&amp;W CM8. Atualmente todo o cabeamento \u00e9 da QED (recomenda\u00e7\u00e3o de voc\u00eas).<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #0000ff;\"><em>O que voc\u00eas acham que pode ser melhorado neste cabeamento?<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #0000ff;\"><em>Desculpe tantas perguntas, mas agrade\u00e7o muito se puderem me orientar.&#8221;<\/em><\/span><\/p>\n<p>Para esclarecer estas d\u00favidas, vamos organizar este artigo com destaque para alguns pontos importantes.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Cabos servem para ajustar um sistema de som?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Fico realmente desapontado quando vejo algu\u00e9m sendo orientado a ajustar um sistema atrav\u00e9s da troca de cabos. \u00c9 comum encontrarmos alguns &#8220;entendidos&#8221; sugerindo a leitores de algumas publica\u00e7\u00f5es para que informe o equipamento que ir\u00e1 comprar para que possa lhe auxiliar na escolha de cabos. Um grande absurdo!<\/p>\n<p>Cabos n\u00e3o devem ser utilizados no ajuste de equipamentos da forma como se apregoa por a\u00ed. A finalidade de um cabo n\u00e3o \u00e9 ajustar um sistema, mas t\u00e3o somente conduzir os sinais el\u00e9tricos de forma a preservar suas caracter\u00edsticas de origem.<\/p>\n<p>Cabos n\u00e3o devem ser usados para filtragem, para corre\u00e7\u00e3o tonal ou para qualquer ajuste de um sistema.<br \/>\nA primeira coisa que algu\u00e9m deve ter em mente, antes de iniciar sua jornada na constru\u00e7\u00e3o de um sistema de som hi-end com pretens\u00f5es audi\u00f3filas, \u00e9 que dever\u00e1 compreender primeiro as suas caracter\u00edsticas pessoais de audi\u00e7\u00e3o. Como j\u00e1 abordamos em nossa s\u00e9rie de artigos &#8220;Rumo \u00e0 Customiza\u00e7\u00e3o&#8221;, cada um de n\u00f3s ouve de uma forma diferente, e por isso n\u00e3o existe um sistema que serve para todo mundo, mas sim necessidades individuais que devem ser atendidas com as escolhas que ser\u00e3o feitas, incluindo a\u00ed at\u00e9 as caracter\u00edsticas ac\u00fasticas da sala.<br \/>\nAquele equipamento que ganha uma elevada pontua\u00e7\u00e3o num &#8220;review&#8221; pode ser uma p\u00e9ssima escolha para outro ouvinte, e isso \u00e9 bem mais comum do que se imagina.<br \/>\n\u00c9 importante salientar que a maioria destes testes, resguardadas algumas honrosas exce\u00e7\u00f5es, s\u00e3o puramente subjetivos e, portanto, sujeita a in\u00fameras vari\u00e1veis que prejudicam os seus resultados. Afinal, o pr\u00f3prio avaliador possui uma curva de audi\u00e7\u00e3o exclusiva, e isso se contrap\u00f5e \u00e0 pr\u00f3pria id\u00e9ia de realizar um teste de valor sobre um equipamento ou sistema.<br \/>\nFalar em &#8220;ouvidos treinados&#8221; \u00e9 outra bobagem que alguns gostam de usar para dar maior confiabilidade aos testes que realiza. N\u00e3o existem ouvidos treinados, e sim condicionamento do c\u00e9rebro, que \u00e9 algo que pouco ajudar\u00e1 o avaliador a identificar as caracter\u00edsticas exatas de um produto analisado.<\/p>\n<p>Mas, apenas dizer n\u00e3o basta. Vamos \u00e0 explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um cabo bem constru\u00eddo e com componentes de boa qualidade \u00e9 plenamente capaz de transportar os sinais el\u00e9tricos encontrados num sistema de \u00e1udio.<br \/>\nQuem afirma o contr\u00e1rio demonstra falta de conhecimento t\u00e9cnico no assunto, e por vezes tenta confundir esta verdade alegando que cabos transportam &#8220;sinais de \u00e1udio&#8221;. Isso \u00e9 muito visto em algumas publica\u00e7\u00f5es que claramente tentam confundir os seus leitores ao tentar dar \u00e0s varia\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas uma conota\u00e7\u00e3o toda especial quando se fala em &#8220;\u00e1udio hi-end&#8221;, e isto acabou popularizando tanto esta express\u00e3o que falar em sinais de \u00e1udio se tornou algo comum, mas n\u00e3o \u00e9 da forma como alguns querem nos convencer.<br \/>\nOs sinais el\u00e9tricos envolvidos na reprodu\u00e7\u00e3o de \u00e1udio s\u00e3o bem menos complexos do que aqueles usados em transmiss\u00f5es de RF, em computadores, equipamentos m\u00e9dicos, e at\u00e9 celulares e televisores.<br \/>\nN\u00e3o se fala em cabos &#8220;esot\u00e9ricos&#8221; para estes equipamentos, mas quando se entra no universo do \u00e1udio, a fantasia toma conta.<br \/>\nEm recente edi\u00e7\u00e3o de uma publica\u00e7\u00e3o de \u00e1udio ficou n\u00edtida a inten\u00e7\u00e3o do articulista em &#8220;for\u00e7ar&#8221; uma situa\u00e7\u00e3o bastante comum de supervalorizar cabos pelo pre\u00e7o, ao dizer que era um erro mencionar que n\u00e3o haveria diferen\u00e7a entre cabos bem constru\u00eddos e cabos de milhares de d\u00f3lares, em mais uma tentativa de defender cabos caros . Podemos perceber claramente que a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante falha, ao querer mais uma vez colocar a ci\u00eancia de um lado (algo que claramente o articulista n\u00e3o domina) e o pre\u00e7o do outro.<\/p>\n<p>Mas, porque cabos n\u00e3o devem ser utilizados para ajustar um sistema?<\/p>\n<p>J\u00e1 est\u00e1 exaustivamente provado que as qualidades positivas de um produto de \u00e1udio est\u00e3o relacionadas ao seu bom desempenho, assim como qualquer outro produto tecnol\u00f3gico. Assim, \u00edndices de distor\u00e7\u00e3o, por exemplo, devem ser baixos. Afinal, algo distorcido \u00e9 algo que foi deteriorado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua caracter\u00edstica original. Cabos n\u00e3o v\u00e3o corrigir distor\u00e7\u00f5es e muitas outras caracter\u00edsticas el\u00e9tricas danosas. J\u00e1 foi jogada ao ch\u00e3o a tese de cabos de for\u00e7a que funcionam como filtros, o que j\u00e1 era sabido por muitos, principalmente profissionais da \u00e1rea.<br \/>\nRecentemente um grande fabricante de \u00e1udio afirmou que o cabo de for\u00e7a que seguia com o seu equipamento (equipamento este aclamado por toda a imprensa especializada) era suficiente para extrair todas as qualidades do produto, sem a necessidade de se recorrer aos cabos &#8220;hi-end&#8221; do mercado. Infelizmente, o que costumamos ver, principalmente em algumas publica\u00e7\u00f5es menos t\u00e9cnicas, \u00e9 uma tentativa de &#8220;empurrar&#8221; um equipamento testado j\u00e1 com um cabo adicional, tudo no mesmo review. \u00c9 o velho e conhecido argumento comercial do &#8220;Compre Cabos&#8221;.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao equil\u00edbrio tonal, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda bem mais escandalosa. Quer alguns fazer acreditar que \u00e9 poss\u00edvel acertar o equil\u00edbrio tonal de um sistema com a troca de cabos, corrigindo varia\u00e7\u00f5es do espectro de frequ\u00eancias com a simples troca de cabos, como se isso fosse realmente poss\u00edvel. Isto \u00e9 algo t\u00e3o absurdo que deveriam estes &#8220;especialistas&#8221; estudarem um pouco para conhecerem melhor o assunto que abordam com tanto &#8220;dom\u00ednio&#8221;.<\/p>\n<p>A resposta de frequ\u00eancias de um equipamento, ou melhor ainda, de um sistema j\u00e1 constru\u00eddo, \u00e9 visto como a amplitude do sinal para cada frequ\u00eancia, num gr\u00e1fico como o que apresentamos a seguir:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/responsegraph.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2845\" src=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/responsegraph.jpg\" alt=\"responsegraph\" width=\"497\" height=\"371\" srcset=\"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/responsegraph.jpg 497w, http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/responsegraph-300x223.jpg 300w, http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/responsegraph-401x300.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 497px) 100vw, 497px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico apresentado acima \u00e9 ainda bastante otimista, pois na pr\u00e1tica encontramos varia\u00e7\u00f5es ainda mais intensas e complexas at\u00e9 em sistemas de &#8220;refer\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>Perceba que, de um modo bem simples para maior facilidade de compreens\u00e3o, podemos perceber varia\u00e7\u00f5es de frequ\u00eancias graves, m\u00e9dias e agudas, mostrando que n\u00e3o h\u00e1 uma linearidade na reprodu\u00e7\u00e3o destas faixas de frequ\u00eancias. Estas varia\u00e7\u00f5es podem existir, e s\u00e3o at\u00e9 \u00fateis para compatibilizar um sistema de \u00e1udio para cada necessidade em particular. Mas, elas devem ser cuidadosamente controladas, e n\u00e3o levianamente tratadas da forma como muitos fazem.<\/p>\n<p>O que, absurdamente, alguns sugerem, \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel realizar estes ajustes de ouvido, ou atrav\u00e9s de cartas ou e-mails baseando-se numa &#8220;experi\u00eancia&#8221; anterior, utilizando-se para isso de cabos de interconex\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p>Vamos ent\u00e3o supor que numa condi\u00e7\u00e3o ideal, onde tudo conspira a favor de permitir que somente esta corre\u00e7\u00e3o de varia\u00e7\u00f5es realmente fosse &#8220;corrigir&#8221; as varia\u00e7\u00f5es tonais de um sistema, e que um cabo de interconex\u00e3o seria escolhido para cumprir este papel, bastar\u00edamos ent\u00e3o escolher um cabo que, baseado no exemplo acima (e como j\u00e1 disse bem otimista), realiza, por exemplo, corre\u00e7\u00f5es como: &#8211; redu\u00e7\u00e3o de 2,5dB em 200Hz, com banda passante controlada para interagir com as rampas laterais desta frequ\u00eancia &#8211; incremento de 1,5dB em 700Hz novamente com banda controlada &#8211; nova atenua\u00e7\u00e3o em 1,5 KHz de 2,5dB, e por a\u00ed vai&#8230;<br \/>\nEm um sistema real, as varia\u00e7\u00f5es poderiam chegar a mais de 20dB em rampas bastante complexas, e muito mais frequentes do que as mostradas neste gr\u00e1fico.<\/p>\n<p>A pergunta agora seria: como encontrar um cabo que realize esta &#8220;equaliza\u00e7\u00e3o&#8221; da forma como foi demonstrada aqui e em qualquer outro sistema? A resposta \u00e9 simples: N\u00c3O EXISTEM CABOS QUE FA\u00c7AM ESTAS CORRE\u00c7\u00d5ES.<br \/>\nSequer existem informa\u00e7\u00f5es sobre as caracter\u00edsticas de qualquer cabo em rela\u00e7\u00e3o a este comportamento, pois isto simplesmente n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Cabos podem, eventualmente, destacar um ou outro ponto, fazendo o sistema parecer mais equilibrado. Mas, a id\u00e9ia que o mercado tenta impor \u00e9 a de que cabos caros se prestam para essa fun\u00e7\u00e3o, o que, novamente, n\u00e3o \u00e9 verdade.<br \/>\nMas, cabos n\u00e3o se prestam para ajustar um sistema. Para esta finalidade devemos trabalhar em outras dire\u00e7\u00f5es, como na escolha dos equipamentos, no tratamento ac\u00fastico e el\u00e9trico, na escolha das caixas e em ajustes realmente efetivos. Depois de tudo isso, para proceder a um ajuste mais &#8220;fino&#8221; ou mesmo mais &#8220;intenso&#8221; quando n\u00e3o conseguimos controlar alguma destas caracter\u00edsticas, recomendo a utiliza\u00e7\u00e3o de um dispositivo de ajuste de frequ\u00eancias mais completo e preciso, como o Anti-Mode, j\u00e1 apresentado e avaliado com exclusividade aqui pelo Hi-Fi Planet.<br \/>\nMesmo instala\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis podem ser plenamente ajustadas com o uso do Anti-Mode ou outro similar.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que muitos audi\u00f3filos gastam verdadeiras fortunas em cabos e nunca est\u00e3o satisfeitos com os resultados. Nenhum cabo no mundo vai ajustar todas as caracter\u00edsticas necess\u00e1rias de um sistema.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Mas, afinal, existem diferen\u00e7as com cabos?<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Cabos podem apresentar resultados diferentes, mas muitas vezes estas diferen\u00e7as s\u00e3o propositalmente criadas para proporcionar uma ilus\u00e3o ao ouvinte, que pode at\u00e9 acreditar que houve uma melhora no resultado.<\/p>\n<p>Imagine, por exemplo, um cabo que &#8220;atenue&#8221; as baixas e m\u00e9dias frequ\u00eancias, funcionando como um mero filtro passa-altas leve. Ele vai provocar a falsa id\u00e9ia de que houve uma amplia\u00e7\u00e3o nos extremos altos, com maior detalhamento e foco (comum pela direcionalidade destas frequ\u00eancias). Importante salientar que esse tipo de &#8220;brilho&#8221;, como se costuma chamar o evidenciamento dos agudos, costuma provocar uma sensa\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel ao ouvinte, o que lhe faz acreditar que o cabo\u00a0realmente\u00a0ajustou o seu sistema.<\/p>\n<p>Perceba que n\u00e3o houve um ajuste em toda banda, e o ajuste realizado ainda \u00e9 totalmente aleat\u00f3rio, inconsistente com o que realmente seria necess\u00e1rio.<br \/>\nO ajuste correto deveria levar em conta uma avalia\u00e7\u00e3o auditiva do ouvinte, uma avalia\u00e7\u00e3o da sala e da resposta do sistema como um todo.<\/p>\n<p>Quando dizemos que um cabo bem constru\u00eddo e com componentes de qualidade \u00e9 suficiente para conduzir perfeitamente os sinais el\u00e9tricos de \u00e1udio, mesmo com a inten\u00e7\u00e3o lament\u00e1vel de terceiros que tentam distorcer esse FATO, estamos realmente afirmando que um cabo correto \u00e9 capaz de transportar estes sinais com total compet\u00eancia. Isso \u00e9 medido e avaliado por equipamentos, sem restar qualquer d\u00favida sobre esse fato.<\/p>\n<p>Somente para exemplo, gostaria de citar o teste que realizamos do cabo DNM para interliga\u00e7\u00e3o de caixas ac\u00fasticas.<br \/>\nTrata-se de um cabo bastante simples, mais parecido com aqueles cabos chatos de antena, com fios r\u00edgidos e bem espa\u00e7ados, e conectores que n\u00e3o possuem qualquer atrativo visual, feitos de pl\u00e1stico e com uma simplicidade muito grande. Visualmente, ningu\u00e9m daria nada por estes cabos.<br \/>\nPor\u00e9m, eles surpreenderam muitos que o avaliaram, e chegou at\u00e9 a receber pontua\u00e7\u00f5es elevad\u00edssimas, curiosamente sem muita empolga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de um cabo caro, mas mesmo assim a impress\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 interesse de que o leitor saiba que est\u00e1 diante de um cabo corretamente constru\u00eddo e com componentes de boa qualidade, capaz de conduzir os sinais el\u00e9tricos com toda a perfei\u00e7\u00e3o, parece patente nas avalia\u00e7\u00f5es feitas por algumas publica\u00e7\u00f5es.<br \/>\nVeja que a l\u00f3gica do espa\u00e7amento entre os fios tem a inten\u00e7\u00e3o de evitar intera\u00e7\u00f5es capacitivas ou indutivas, caracter\u00edsticas estas que mudam o comportamento de um cabo e s\u00e3o utilizadas por muitos fabricantes com a inten\u00e7\u00e3o de &#8220;for\u00e7ar&#8221; uma diferen\u00e7a de comportamento. Alguns fabricantes trabalham na dire\u00e7\u00e3o de proporcionar cabos corretos e sem fantasias, que s\u00f3 confundem o usu\u00e1rio e causam um enorme caos em seu sistema.<\/p>\n<p>Percebam que nem o material dos condutores diz muito sobre o cabo. Cabos elogiad\u00edssimos por alguns avaliadores s\u00e3o feitos de cobre, prata, ouro e in\u00fameras ligas. Se realmente existisse o material ou a constru\u00e7\u00e3o ideal, apenas ter\u00edamos um tipo de cabo como o melhor do mundo, ou seja, at\u00e9 nessa abordagem o mercado se perde e alimenta a confus\u00e3o.<\/p>\n<p>Cabos podem fazer diferen\u00e7a, mas em duas dire\u00e7\u00f5es: ou s\u00e3o t\u00e3o ruins a ponto de deteriorar o sinal, ou s\u00e3o constru\u00eddos de forma a manipular o sinal com a inten\u00e7\u00e3o de apresentar uma &#8220;novidade&#8221;, afastando-se assim do que seria o mais simples e o mais \u00f3bvio: um cabo correto para cumprir a sua mais simples fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Ent\u00e3o porque existe tanta confus\u00e3o quando o assunto \u00e9 cabo?<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Perceba como o mercado de cabos \u00e9 bem at\u00edpico em rela\u00e7\u00e3o aos demais itens que comp\u00f5em um sistema de \u00e1udio. O projetista de um amplificador argumenta (e prova) que o resultado positivo de um determinado produto deveu-se a redu\u00e7\u00e3o de ru\u00eddo de fundo, da &#8220;suavidade&#8221; da transi\u00e7\u00e3o das classes de funcionamento dos transistores de pot\u00eancia e a redu\u00e7\u00e3o de sua distor\u00e7\u00e3o (Classe XD da Cambridge, por exemplo), pela utiliza\u00e7\u00e3o de capacitores com menor fuga, pela elimina\u00e7\u00e3o de contatos no caminho do sinal, pelo dimensionamento generoso de uma fonte, etc.<br \/>\nO mesmo ocorre com DACs, caixas ac\u00fasticas e demais componentes. Os fabricantes buscam preservar os sinais com a redu\u00e7\u00e3o de distor\u00e7\u00f5es, interfer\u00eancias, e uma s\u00e9rie de provid\u00eancia conhecidas por todos que se dedicam a esta \u00e1rea.<br \/>\nAt\u00e9 aqui a ci\u00eancia funciona, \u00e9 explicada e mostra os seus resultados de forma clara e real.<\/p>\n<p>Mas, quando se fala em cabos, tudo muda. Teorias das mais fantasiosas s\u00e3o utilizadas, o material do condutor \u00e9 sempre de um tipo &#8220;especial&#8221;, a constru\u00e7\u00e3o se utiliza de uma &#8220;geometria complexa e exclusiva&#8221;, etc. Perceba que mesmo os mais t\u00e9cnicos n\u00e3o conseguem enxergar isso num cabo. C\u00f4modo, n\u00e3o?<br \/>\nSe a constru\u00e7\u00e3o de um cabo &#8220;competente&#8221; \u00e9 t\u00e3o simples, e para qualquer novo projeto o engenheiro aplica a ci\u00eancia, porque tudo parece t\u00e3o misterioso quando se fala deles, parecendo que eles s\u00e3o concebidos num caldeir\u00e3o m\u00e1gico de um bruxo?<\/p>\n<p>Muitas vezes isso ocorre porque \u00e9 f\u00e1cil convencer algu\u00e9m da ilus\u00e3o que 1 metro de cabo pode custar milhares ou dezenas de milhares de d\u00f3lares, sem que o comprador se d\u00ea conta das raz\u00f5es pr\u00e1ticas e reais disso. Por essa raz\u00e3o a quest\u00e3o de cabos \u00e9 t\u00e3o pol\u00eamica e misteriosa.<br \/>\nO mist\u00e9rio faz parte da ilus\u00e3o, e a ilus\u00e3o faz parte do pre\u00e7o.<br \/>\n\u00c9 perfeitamente poss\u00edvel (h\u00e1 muitas d\u00e9cadas) medir e avaliar com precis\u00e3o o que acontece com os sinais el\u00e9tricos em cabos, at\u00e9 em altas frequ\u00eancias (muito maiores do que \u00e1udio) e em outras aplica\u00e7\u00f5es bem mais complexas. Mas, parece que quando se trata de \u00e1udio hi-end e de justificar os pre\u00e7os absurdos do alguns cabos, toda a ci\u00eancia e a tecnologia do mundo real \u00e9 colocada de lado.<br \/>\nJ\u00e1 se tomou conhecimento de fabricante que apenas muda a cor da capa do cabo para estabelecer faixas de desempenho e, l\u00f3gico, uma disparada de pre\u00e7os nestas faixas.<\/p>\n<p>Quem ganha com isso? Todo mundo que colabora diretamente e indiretamente com a venda destes cabos.<br \/>\nVejamos, quem publicaria um an\u00fancio numa revista de carros que n\u00e3o convencesse pelo menos um leitor a comprar o carro anunciado? Como iria sobreviver esta publica\u00e7\u00e3o?<br \/>\n\u00c9 \u00f3bvio que a publica\u00e7\u00e3o tem que realizar todos os esfor\u00e7os que estiverem ao seu alcance para promover a venda do produto (existem rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>Eu fico rindo com a quantidade de vezes que leio que um cabo testado provocou um aumento do sil\u00eancio de fundo, muitas vezes acompanhado da express\u00e3o &#8220;sil\u00eancio sepulcral&#8221;. Basta aguardarmos pela pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o ou por outras seguintes para ver que isso ocorre com bastante frequ\u00eancia. \u00c9 quando me questiono o que est\u00e1 acontecendo com o equipamento do avaliador, pois n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que ele tivesse tanto ru\u00eddo de fundo assim a ponto de sofrer dr\u00e1sticas redu\u00e7\u00f5es sempre que se compara um novo cabo. Em meu sistema posso ent\u00e3o ficar tranquilo em rela\u00e7\u00e3o a esse ponto, j\u00e1 que n\u00e3o existe qualquer ru\u00eddo de fundo. Ele \u00e9 simplesmente &#8220;zero&#8221;, e isso sem usar os cabos m\u00e1gicos e caros apresentados como &#8220;um milagre&#8221; de tempos em tempos.<br \/>\nChega-se ao ponto de dizer que se acontecer de n\u00e3o ouvirmos esta diferen\u00e7a n\u00e3o significa que ela n\u00e3o existe. S\u00e3o tantos argumentos hilariantes para alimentar o sempre entediante conceito criado por eles do eterno &#8220;Compre Cabos&#8221;.<\/p>\n<p>Sobre esta quest\u00e3o, conv\u00e9m comentar algo.<br \/>\nSe formos beber uma jarra de suco de laranjas, e se nesta jarra colocarmos uma gota de \u00e1gua, podemos dizer que existe uma diferen\u00e7a? Sim, podemos. Mas, podemos afirmar que esta diferen\u00e7a ser\u00e1 percept\u00edvel no sabor? \u00d3bvio que n\u00e3o. Uma gota de \u00e1gua num litro de suco de laranja n\u00e3o ir\u00e1 afetar em nada a nossa percep\u00e7\u00e3o de sabor. Podemos ent\u00e3o afirmar que n\u00e3o sentimos esta diferen\u00e7a e, portanto, no mundo real ela n\u00e3o existe.<br \/>\nMas, a\u00ed vir\u00e3o os espertinhos afirmando que se h\u00e1 uma gota de \u00e1gua n\u00e3o podemos afirmar que n\u00e3o existe uma diferen\u00e7a, mas que alguns n\u00e3o a percebem.<br \/>\nMas, para tentar convencer o &#8220;incr\u00e9dulo&#8221;, afirmam que o sistema \u00e9 pobre para apresentar estas diferen\u00e7as ou o ouvinte n\u00e3o est\u00e1 &#8220;treinado&#8221;. Seria o mesmo que afirmar que para perceber a diferen\u00e7a da gota de \u00e1gua na jarra dever\u00edamos ter copos de cristal, uma jarra de prata e a\u00e7\u00facar de alta pureza&#8230;<br \/>\n\u00c9 muito conveniente quando algu\u00e9m tenta nos convencer de algo que sabemos estar fora de nossa realidade f\u00edsica, mas que h\u00e1 um interesse para que algu\u00e9m se conven\u00e7a de sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Agora virou moda acusar os f\u00f3runs de alimentar o que chamam de &#8220;bobagens&#8221;, como se todos os participantes de f\u00f3runs de \u00e1udio fossem idiotas.<br \/>\nEles se esquecem de que destes f\u00f3runs participam in\u00fameros audi\u00f3filos bem mais experientes que eles, experimentadores dedicados, engenheiros, t\u00e9cnicos, psic\u00f3logos e uma infinidade de especialistas nos mais diversos segmentos envolvidos diretamente ou indiretamente com o \u00e1udio, e, portanto, conhecimentos que muitos avaliadores sequer chegam perto de possuir.<br \/>\nParece que a ci\u00eancia serve para tudo, mas no \u00e1udio a impress\u00e3o \u00e9 que vivemos na idade da pedra, ainda comparando com filosofias se a Terra \u00e9 redonda ou plana.<\/p>\n<p>Portanto, antes de crer que cabos devem ser usados para ajustar um sistema de \u00e1udio, devemos primeiro conhecer as limita\u00e7\u00f5es de nosso sistema, ajustar os equipamentos e a sala conforme um padr\u00e3o, que de prefer\u00eancia deve ser a curva caracter\u00edstica de cada ouvinte, e entender que cabos n\u00e3o precisam ser &#8220;m\u00e1gicos&#8221; para colocar este sistema onde deve estar.<\/p>\n<p>Enquanto alguns &#8220;formadores de opini\u00e3o&#8221; continuar irresponsavelmente colocando seus interesses pessoais acima dos interesses do consumidor, criando fantasias absurdas, utilizando os argumentos mais rid\u00edculos poss\u00edveis para vender suas id\u00e9ias fant\u00e1sticas, e n\u00e3o entenderem que para tudo \u00e9 necess\u00e1rio conhecimento espec\u00edfico que s\u00f3 se adquire de forma s\u00e9ria e consciente, vamos ainda viver por muito tempo bombardeados com teorias de que cabos devem custar caro, corrigem um sistema desequilibrado, possuem formula\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas e nenhuma ci\u00eancia consegue explicar o seu funcionamento.<\/p>\n<p>Est\u00e1 na hora de velhos padr\u00f5es morrerem, e algo novo come\u00e7ar a surgir nesse universo de desinforma\u00e7\u00e3o que virou o nosso hobby.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>N\u00e3o faltam sugest\u00f5es para que um sistema de \u00e1udio seja ajustado com cabos, mas, seria mesmo esta a solu\u00e7\u00e3o a mais recomendada? Cuidado para n\u00e3o acabar louco tentando&#8230; &nbsp;<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":2846,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15],"tags":[155],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2844"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2844"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2844\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3228,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2844\/revisions\/3228"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2846"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}