{"id":2302,"date":"2013-01-26T15:57:30","date_gmt":"2013-01-26T18:57:30","guid":{"rendered":"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/?p=2302"},"modified":"2021-06-09T16:17:57","modified_gmt":"2021-06-09T19:17:57","slug":"som-ao-vivo-sem-acusacoes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/som-ao-vivo-sem-acusacoes\/","title":{"rendered":"Som ao Vivo &#8211; Sem Acusa\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>De volta ao assunto sobre som ao vivo n\u00e3o ser uma refer\u00eancia ABSOLUTA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2303\" title=\"bellport_jam\" src=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/bellport_jam.gif\" alt=\"\" width=\"268\" height=\"172\" \/><\/p>\n<p>Podemos receber uma cr\u00edtica de diversas formas, uma delas seria refletindo sobre o que estamos fazendo e reavaliando e identificando o que pode ser melhorado, a outra \u00e9 achar que se trata de uma manifesta\u00e7\u00e3o opressiva que enseja at\u00e9 a alus\u00e3o \u00e0 repress\u00e3o militar.<br \/>\n\u00c9 \u00f3bvio que se queremos aprimorar o que fazemos, devemos escolher a primeira op\u00e7\u00e3o, mas, se queremos ignorar a cr\u00edtica buscando a f\u00e1cil alternativa da defesa incondicional de nosso ponto de vista, o que alguns chamam de arrog\u00e2ncia, a segunda op\u00e7\u00e3o parece mesmo mais condizente.<\/p>\n<p>O nosso universo do \u00e1udio hi-end \u00e9 infestado de interesses dos mais diversos e de comportamentos pouco elogi\u00e1veis por parte de alguns. Seja uma revista, um site informativo, um f\u00f3rum ou qualquer outro ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o, a responsabilidade daquilo que se escreve \u00e9 muito grande, pois influencia leitores e muitas vezes lhes causa at\u00e9 preju\u00edzos quando mal orientados.<\/p>\n<p>E \u00e9 sobre isso que vou, novamente, escrever e tentar esclarecer \u00e0queles que parecem ter alguma dificuldade para interpretar algumas ideias que talvez estejam muito adiante de seus limitados conhecimentos, ou de seus interesses pessoais, seja estes quais forem.<\/p>\n<p>Mais uma vez refor\u00e7o a informa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o atuo no mercado de \u00e1udio, n\u00e3o tenho qualquer v\u00ednculo com comerciantes ou anunciantes, n\u00e3o presto assessorias remuneradas ou qualquer outro interesse econ\u00f4mico no assunto. Minha liga\u00e7\u00e3o com o \u00e1udio vem apenas do meu conhecimento t\u00e9cnico, da constante leitura e pesquisa sobre os diversos temas que fazem parte deste hobby, e do interesse em ajudar os leitores tentando abrir seus olhos sobre as verdadeiras faces da audiofilia.<\/p>\n<p><strong>Som ao vivo n\u00e3o \u00e9 refer\u00eancia absoluta<\/strong><\/p>\n<p>Parece que alguns articuladores e avaliadores de equipamentos t\u00eam alguma dificuldade para compreender esta ideia, mas o fato \u00e9 que, queiram aceitar ou n\u00e3o, o som ao vivo n\u00e3o \u00e9 uma refer\u00eancia absoluta.<br \/>\nPara distorcer ainda mais esta quest\u00e3o, que levantei h\u00e1 muito tempo e que foi aceita com muitos elogios at\u00e9 por publica\u00e7\u00f5es internacionais, alguns indiv\u00edduos suprimem a palavra \u201cabsoluta\u201d, e disparam cr\u00edticas sobre o fato de \u201calgu\u00e9m\u201d n\u00e3o aceitar o som ao vivo como forma de avaliar um sistema de som.<br \/>\nQuando levantei esta quest\u00e3o, amplamente explicada em outro artigo espec\u00edfico, eu ainda tinha menos informa\u00e7\u00f5es do que tenho hoje para reafirmar a posi\u00e7\u00e3o acima, refor\u00e7ando que, novamente, me refiro a inutilidade do som ao vivo como uma refer\u00eancia ABSOLUTA.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es s\u00e3o bastante \u00f3bvias.<br \/>\nDepois de muito pesquisar sobre o assunto, descobri que as pessoas ouvem de formas diferentes, cada um com suas caracter\u00edsticas perceptivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sensibilidade, frequ\u00eancias e at\u00e9 \u00e0 distor\u00e7\u00e3o do som captado pelo nosso sistema auditivo.<br \/>\nMais recentemente, depois de uma longa pesquisa junto a alguns amigos m\u00e9dicos especialistas no assunto, descobri que exames audiom\u00e9tricos completos (n\u00e3o estes b\u00e1sicos feitos apenas para avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica trabalhista) provam que a curva de audi\u00e7\u00e3o de cada indiv\u00edduo se assemelha, em variedade, \u00e0s nossas impress\u00f5es digitais, ou seja, cada um tem a sua.<br \/>\nO que isto significa na pr\u00e1tica?<br \/>\nSignifica que, ao avaliarmos os exames audiom\u00e9tricos (caracter\u00edsticas auditivas) de um universo de indiv\u00edduos de diversas idades e de ambos os sexos, constatamos que todos apresentam percep\u00e7\u00f5es diferentes dos sons (imaginem ainda em rela\u00e7\u00e3o aos complexos sons musicais).<\/p>\n<p>\u00c9 impressionante como cada indiv\u00edduo demonstra uma sensibilidade diferente para cada frequ\u00eancia que comp\u00f5e o espectro de frequ\u00eancias aud\u00edveis, com curvas bastante complexas, demonstrando menor ou maior sensibilidade para cada uma destas frequ\u00eancias. \u00c9 perfeitamente comum encontrarmos indiv\u00edduos que apresentam diferen\u00e7as de 3, 6 ou at\u00e9 20 decib\u00e9is ao longo desta faixa (pessoas normais). Al\u00e9m da idade, de perdas causadas pela conviv\u00eancia direta com sons de intensidades elevadas, de raz\u00f5es org\u00e2nicas e de in\u00fameras outras origens, estas diferen\u00e7as ocorrem tamb\u00e9m por meras caracter\u00edsticas intr\u00ednsecas de nossos sistemas auditivos, e este \u00e9 o ponto em destaque aqui.<\/p>\n<p>Ou seja, quem se baseia exclusivamente no som ao vivo como refer\u00eancia para avaliar ou ajustar um sistema de som comete um erro b\u00e1sico, pois est\u00e1 trazendo para o sistema eletr\u00f4nico os mesmos problemas captados em suas audi\u00e7\u00f5es ao vivo.<br \/>\nVejamos um exemplo bastante grosseiro.<br \/>\nVamos supor que um indiv\u00edduo tenha uma perda de sensibilidade nos sons agudos extremos. Este sujeito, ao ouvir o som ao vivo, ter\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o limitada dos sons nesta faixa de frequ\u00eancias, podendo at\u00e9 mesmo deixar de ouvir algumas notas de determinados instrumentos (algo que constatei pessoalmente numa experi\u00eancia com alguns amigos em minha casa).<br \/>\nNestas condi\u00e7\u00f5es, este mesmo indiv\u00edduo ficar\u00e1 satisfeito se chegar perto desta \u201crefer\u00eancia\u201d ao avaliar ou ajustar o seu sistema de som. Ou seja, transportar\u00e1 a mesma limita\u00e7\u00e3o \u00e0 sua reprodu\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica. Se antes de considerar este som ao vivo como refer\u00eancia ele tivesse conhecido melhor suas caracter\u00edsticas auditivas, e ent\u00e3o compensado o n\u00edvel sonoro nesta faixa de frequ\u00eancias, acabaria se afastando da refer\u00eancia ao vivo, mas, aproximando-se do som real, daquele que realmente deveria estar ouvindo.<br \/>\nAlguns diriam: \u201cMas voc\u00ea est\u00e1 sugerindo equalizar o som?\u201d.<br \/>\nSim, e porque n\u00e3o? Se para alguns parece um absurdo a ideia de utilizar um \u201cdispositivo equalizador\u201d em seus sistema, segundo eles o que poderia prejudicar a pureza do som, ent\u00e3o saibam estes que dispositivos j\u00e1 existem no mercado mundial, e de n\u00edvel audi\u00f3filo, ou hi-end, como confundem alguns.<br \/>\nMas, n\u00e3o \u00e9 preciso seguir nesta dire\u00e7\u00e3o somente. Conseguimos ajustar nosso sistema \u00e0s nossas caracter\u00edsticas auditivas pessoais utilizando-se de cabos, das varia\u00e7\u00f5es dos pr\u00f3prios componentes do sistema e at\u00e9 das caracter\u00edsticas dos falantes de uma caixa ac\u00fastica, por exemplo (tratarei sobre isso em outro artigo que ser\u00e1 publicado em seguida).<br \/>\nMas, para isso, temos que ter a consci\u00eancia de que o que ouvimos ao vivo pode (normalmente) estar seriamente comprometido.<br \/>\nN\u00e3o adianta ficar distorcendo este fato com a est\u00fapida ideia de que alguns s\u00e3o contra o som ao vivo como refer\u00eancia.<br \/>\nOs defensores desta ideia envelhecida argumentam algo como, por exemplo, se algu\u00e9m n\u00e3o conhecer o sabor de uma ma\u00e7\u00e3 natural jamais poder\u00e1 ter uma refer\u00eancia precisa de seu sabor, podendo confundi-la com um morango.<br \/>\n\u00c9 um argumento bastante fraco, n\u00e3o?<br \/>\nClaro que \u00e9 importante ter a refer\u00eancia do sabor de uma ma\u00e7\u00e3 natural, mas n\u00e3o de forma ABSOLUTA para desenvolver, por exemplo, uma ess\u00eancia sabor ma\u00e7\u00e3.<br \/>\nDo que adiantaria essa refer\u00eancia se ela fosse percebida por n\u00f3s de forma imprecisa?<br \/>\nAfinal, n\u00e3o \u00e9 isto que fazemos? Vamos refletir um pouco&#8230; nossos equipamentos eletr\u00f4nicos, cabos, alto-falantes, etc., em nada se assemelham a um piano, ou um viol\u00e3o ou \u00e0s cordas vocais de um cantor.<br \/>\nCriamos o som artificial, como criar\u00edamos a ess\u00eancia do sabor de uma ma\u00e7\u00e3.<\/p>\n<p>Se, por qualquer raz\u00e3o, nossos sensores do paladar provocar alguma \u201cdistor\u00e7\u00e3o\u201d na sensa\u00e7\u00e3o deste sabor, iremos transferir isso para o sabor artificial, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<br \/>\nSe corrigirmos o sabor de nossa ess\u00eancia, aumentando ou diminuindo a acidez do sabor, ou sua caracter\u00edstica adocicada que percebemos erroneamente, vamos poder experimentar o sabor natural da ma\u00e7\u00e3, n\u00e3o aquele distorcido da realidade \u201cao vivo\u201d. N\u00e3o se trata de mudar o sabor da ma\u00e7\u00e3, mas de afastar os elementos que fizeram ela parecer diferente do que realmente \u00e9, enganado por algum desvio de nosso sistema degustativo, tempor\u00e1rio ou permanente.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, saiba que nosso sistema auditivo, em fun\u00e7\u00e3o da complexidade dos sons musicais, \u00e9 muito mais afetado por estes desvios perceptivos que o paladar, pois as varia\u00e7\u00f5es auditivas s\u00e3o muito maiores.<br \/>\nAl\u00e9m disso, nossa percep\u00e7\u00e3o auditiva \u00e9 afetada tamb\u00e9m pelo nosso estado emocional, pelas nossas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e at\u00e9 pelo que est\u00e1vamos fazendo um pouco antes de nos dedicarmos a audi\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica, al\u00e9m de outros tantos fatores.<br \/>\nSer\u00e1 que esta n\u00e3o seria a explica\u00e7\u00e3o para tantas opini\u00f5es contradit\u00f3rias de &#8220;especialistas&#8221; sobre o mesmo produto avaliado? (claro que existem outras&#8230;)<\/p>\n<p>Nem considerarmos ainda as varia\u00e7\u00f5es de instrumentos, salas, forma de tocar e outros fatores que tamb\u00e9m afetam a precis\u00e3o dos instrumentos. A varia\u00e7\u00e3o da curva auditiva j\u00e1 \u00e9, por si s\u00f3, um motivo muito grande para considerarmos falha a refer\u00eancia ao vivo como absoluta para uma avalia\u00e7\u00e3o CRITERIOSA de um sistema de som. E, afinal, n\u00e3o \u00e9 isso o que busca o audi\u00f3filo?<\/p>\n<p><strong>Metodologias de Avalia\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Clipart-Cartoon-Design-03.gif\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2304\" title=\"Clipart-Cartoon-Design-03\" src=\"http:\/\/hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Clipart-Cartoon-Design-03-300x231.gif\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"231\" srcset=\"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Clipart-Cartoon-Design-03-300x231.gif 300w, http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Clipart-Cartoon-Design-03.gif 349w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ao ignorar os fatos acima, alguns \u201cavaliadores\u201d de equipamentos de som se colocam na defesa de seus m\u00e9todos de avalia\u00e7\u00e3o dos resultados, tentando provar que suas metodologias s\u00e3o confi\u00e1veis.<br \/>\nComo elas podem ser confi\u00e1veis se acabam dependendo exclusivamente dos ouvidos de uma pessoa? Seriam estes ouvidos \u201ccalibrados\u201d e \u201caferidos\u201d periodicamente antes de cada an\u00e1lise?<br \/>\nClaro que n\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o existem \u201couvidos de ouro\u201d ou \u201couvidos treinados\u201d para corrigirem as atenua\u00e7\u00f5es, refor\u00e7os e distor\u00e7\u00f5es percebidas em cada frequ\u00eancia aud\u00edvel. Se voc\u00ea possui uma perda de 6dB na frequ\u00eancia central de 4KHz, por exemplo, n\u00e3o h\u00e1 nada que possa fazer para \u201ccalibrar\u201d essa perda, at\u00e9 porque muitas vezes esse fato nem \u00e9 conhecido do ouvinte, como j\u00e1 pude presenciar com amigos em minha pr\u00f3pria sala, onde cada um ouviu de uma forma diferente um determinado som de uma passagem musical, sendo que um deles nada ouviu, justamente um m\u00fasico experiente.<\/p>\n<p>Sendo assim, qual metodologia sobrevive a este sistema falho?<br \/>\nClaro que podemos tentar identificar detalhamento de um som, por exemplo. Mesmo com algumas falhas, ainda \u00e9 algo poss\u00edvel.<br \/>\nMas, diante dos fatos mencionados acima, falar em timbre, equil\u00edbrio harm\u00f4nico, extens\u00e3o de faixa de frequ\u00eancias e outros par\u00e2metros \u00e9 algo pouco aceit\u00e1vel na avalia\u00e7\u00e3o de um equipamento, qualquer que seja o cuidado com esta metodologia que j\u00e1 nasceu com v\u00edcios \u00f3bvios.<\/p>\n<p>O pior \u00e9 ver publica\u00e7\u00f5es defendendo este m\u00e9todo e ainda utilizando-o para pontuar equipamentos, quando em suas duas \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es a soma dos pontos de duas avalia\u00e7\u00f5es est\u00e1 errada.\u00a0 Parece brincadeira, mas n\u00e3o \u00e9. Se uma simples soma matem\u00e1tica n\u00e3o funciona para eles, o que dizer de uma metodologia \u201csubjetiva\u201d.<br \/>\nComo acreditar na metodologia t\u00e3o defendida por alguns quando ao avaliar uma caixa ac\u00fastica YG informa que ela utiliza falante de alum\u00ednio quando usa na realidade de celulose? Ou informa que a resposta de frequ\u00eancia de um amplificador MBL vai de 20 a 10KHz? Ou ainda apresenta a avalia\u00e7\u00e3o de um equipamento mostrando a foto do equipamento testado como sendo outro? Ou ainda avalia recursos de um equipamento que sequer est\u00e3o dispon\u00edveis?<br \/>\nQue metodologia sobrevive a isso?<\/p>\n<p>Ainda, devemos ter muito cuidado com avaliadores que representam marcas e vendem os produtos avaliados.<br \/>\nSe voc\u00ea, que est\u00e1 lendo este texto, fosse o dono de uma revenda Volkswagen, e tivesse uma publica\u00e7\u00e3o que avaliasse autom\u00f3veis, iria dizer que o Gol foi mal nos testes e n\u00e3o \u00e9 uma boa compra (ou uma \u201ccompra segura\u201d)?<br \/>\nCertamente sendo uma pessoa honesta, teria que colocar de lado a perda econ\u00f4mica que teria por raz\u00e3o de sua sinceridade.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o ainda pior ocorre quando o avaliador informa ter avaliado centenas de produtos que n\u00e3o eram recomend\u00e1veis, e de nunca ter publicado um deles nas p\u00e1ginas de sua revista cheia de an\u00fancios. Seriam os produtos de alguns fortes anunciantes?<br \/>\nMas isso nunca saberemos, porque parece que a \u201cmetodologia\u201d empregada n\u00e3o funciona para produtos ruins, escondendo-os automaticamente do conhecimento do leitor, que pode assim adquiri-los desconhecendo os seus defeitos.<\/p>\n<p>Existem publica\u00e7\u00f5es internacionais que se limitam a dar a \u201cimpress\u00e3o\u201d pessoal do avaliador, assumindo o \u201csubjetivismo\u201d do teste, sem pontuar os equipamentos (The Absolute Sound). Outras, pelo menos, apontam equipamentos ruins, citando imediatamente op\u00e7\u00f5es melhores, e sem perdoar as marcas poderosas de seus anunciantes (What Hi-Fi, Hi-Fi Choice, etc&#8230;).<\/p>\n<p>Coloco a palavra \u201csubjetivismo\u201d entre aspas, porque no meu modo de ver n\u00e3o existe uma opini\u00e3o subjetiva baseada em gosto pessoal, mas sim uma avalia\u00e7\u00e3o limitada \u00e0s caracter\u00edsticas org\u00e2nicas de cada um, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quelas apresentadas pelos seus sistemas auditivos.<br \/>\nPoder\u00edamos trocar a express\u00e3o \u201cavalia\u00e7\u00e3o subjetiva\u201d por algo como \u201cavalia\u00e7\u00e3o limitada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es perceptivas pessoais\u201d, ou ainda \u201cavalia\u00e7\u00e3o individual comprometida\u201d ou algo assim, pois \u00e9 certo que a avalia\u00e7\u00e3o de uma pessoa n\u00e3o \u00e9 igual \u00e0 de outra.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o objetiva \u00e9 mais simples e precisa em muitos aspectos. Se um equipamento (ou um acess\u00f3rio) possui distor\u00e7\u00e3o mais elevada, limita\u00e7\u00e3o na resposta de frequ\u00eancias, sensibilidade ou pot\u00eancia diferente daquelas informadas, isso \u00e9 mostrado com exatid\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o acontece, como j\u00e1 vi, de um avaliador dizer que \u201ctratam-se de caixas com alta sensibilidade que casam bem com amplificadores valvulados ou menos potentes\u201d, quando depois acabei observando num teste objetivo de uma revista americana que a sensibilidade MEDIDA por eles daquela mesma caixa era muito menor do que aquela informada (precisaria do dobro de pot\u00eancia para obter o mesmo volume), fato assumido pelo fabricante.<\/p>\n<p>O maior argumento contra os testes objetivos \u00e9 de que aparelhos que s\u00e3o bem constru\u00eddos, segundo as suas especifica\u00e7\u00f5es, nem sempre soam bem.<br \/>\nEste \u00e9 um argumento infeliz de quem acha que o audi\u00f3filo de hoje \u00e9 o mesmo audi\u00f3filo mal informado de ontem.<br \/>\nTeste objetivo n\u00e3o tem nada a ver com especifica\u00e7\u00f5es informadas, mas com medi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e precisas.<br \/>\nAlgu\u00e9m ainda tem d\u00favidas de que podemos medir distor\u00e7\u00e3o sonora, faixa de resposta de frequ\u00eancias, ru\u00eddo de fundo, velocidade, pot\u00eancia, sensibilidade e in\u00fameros outros par\u00e2metros com total precis\u00e3o com os equipamentos de que dispomos hoje?<br \/>\nSer\u00e1 que algu\u00e9m com ouvidos suspeitos (pelas raz\u00f5es mais naturais do mundo como as apontadas acima) pode afirmar que um determinado cabo possui pouca extens\u00e3o nos agudos,\u00a0 e ignorar que um frequ\u00eanc\u00edmetro de \u00e1udio ou outro instrumento de medi\u00e7\u00e3o pode detectar isso com maior precis\u00e3o?<br \/>\nSer\u00e1 que n\u00e3o evitar\u00edamos as bobagens de \u201ccaixas muito sens\u00edveis\u201d (como este caso citado acima), ou erros como de amplificadores que respondem at\u00e9 10KHz?<\/p>\n<p>Este medo que recai sobre os testes subjetivos obviamente tem os seus motivos. Um deles seria a falta de interesse do avaliador em investir em equipamentos de qualidade, ou ent\u00e3o a falta de conhecimento t\u00e9cnico de como utiliz\u00e1-los corretamente, ou ainda a falta de conhecimento, tamb\u00e9m t\u00e9cnico, sobre o que deve ser medido, ou ainda o risco de perder a \u201cflexibilidade\u201d para enaltecer certos equipamentos de seus interesses.<\/p>\n<p>Algumas publica\u00e7\u00f5es no exterior realizam medi\u00e7\u00f5es nos equipamentos avaliados, ainda muito limitadas, mas suficientes para esclarecer algumas d\u00favidas importantes.<\/p>\n<p>Dizer que medir a resposta de frequ\u00eancia e a pot\u00eancia n\u00e3o garante que um equipamento \u00e9 veloz, \u00e9 tentar argumentar o \u00f3bvio e desviar a aten\u00e7\u00e3o dos fatos. Para avaliar a velocidade de um equipamento existem m\u00e9todos e equipamentos espec\u00edficos.<br \/>\nSer\u00e1 que a ind\u00fastria de avia\u00e7\u00e3o, de inform\u00e1tica, de v\u00eddeo entretenimento, automobil\u00edstica, hospitalar, naval e tantas outras desenvolvem e avaliam seus produtos apenas subjetivamente? Porque s\u00f3 no \u00e1udio hi-end encontramos esta frescura?<\/p>\n<p>Para avaliar o desempenho de um autom\u00f3vel s\u00e3o medidos valores como velocidade m\u00e1xima, acelera\u00e7\u00e3o, torque e outras caracter\u00edsticas. Se o piloto do carro testado tem a \u201csensa\u00e7\u00e3o\u201d de que o carro parece estar andando a 100km\/h quando est\u00e1 na realidade a 150km\/h, isso \u00e9 uma impress\u00e3o pessoal, e n\u00e3o um fato. Numa estrada com limite de velocidade de 100km\/h ele ser\u00e1 multado, pois novamente est\u00e1 sendo avaliado por um instrumento, chamado radar, que n\u00e3o tem nada de subjetivo.<br \/>\nSe quisermos ir mais longe, podemos medir o n\u00edvel de ru\u00eddo do motor e dos pneus dentro do carro, a sua estabilidade e acelera\u00e7\u00e3o lateral, a dureza da suspens\u00e3o e outros fatores que lhe causam essa impress\u00e3o, ou atribuir este desvio a pura falta de percep\u00e7\u00e3o do piloto.<br \/>\nMas, n\u00e3o h\u00e1 como discutir a medi\u00e7\u00e3o de velocidade com a \u201csensa\u00e7\u00e3o\u201d do piloto. Um \u00e9 fato, o outro, impress\u00e3o.<\/p>\n<p>No \u00e1udio \u00e9 comum vermos argumentos de que um equipamento \u00e9 muito \u201cpreciso\u201d mas o outro ganha a mesma pontua\u00e7\u00e3o n\u00e3o por ser preciso, mas por ser mais \u201cmusical\u201d !!!<br \/>\nO que \u00e9 isso? Estamos brincando com a ci\u00eancia ou com a intelig\u00eancia das pessoas?<br \/>\nA\u00ed surgem argumentos do tipo \u201ccertas distor\u00e7\u00f5es que existem no segundo s\u00e3o agrad\u00e1veis para os ouvidos\u201d !!!<br \/>\nDistor\u00e7\u00e3o (que tamb\u00e9m pode ser medida atrav\u00e9s de equipamentos) \u00e9 algo aceit\u00e1vel num equipamento apenas porque faz \u201cmassagem\u201d em nossos t\u00edmpanos?<br \/>\nDistor\u00e7\u00e3o \u00e9 distor\u00e7\u00e3o, algo que provoca varia\u00e7\u00e3o de um estado original.<br \/>\nSe for ou n\u00e3o agrad\u00e1vel, novamente isso \u00e9 problema de cada um. N\u00e3o cabe a um avaliador julgar que um equipamento encontra-se num mesmo patamar de \u201carte\u201d por conta disso.<\/p>\n<p>Mas, vamos l\u00e1, medir tudo e com precis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tarefa simples. Isso exige conhecimento cient\u00edfico, equipamentos de alta precis\u00e3o e pleno dom\u00ednio do que se est\u00e1 fazendo. N\u00e3o \u00e9 algo para qualquer um.<br \/>\n\u00c9 bem poss\u00edvel que, mesmo chegando bem pr\u00f3ximo de tudo isso, ainda n\u00e3o consigamos identificar algum detalhe que possa realmente provocar alguma diferen\u00e7a nos resultados. Mas, uma coisa \u00e9 certa, chegaremos bem perto, e eliminaremos muitos fatores \u201csubjetivos\u201d provocados pelas limita\u00e7\u00f5es humanas naturais. E, a partir da\u00ed, precisamos conhecer nossa \u201cimpress\u00e3o digital\u201d auditiva, para fazer a adequa\u00e7\u00e3o final.<br \/>\nAlgumas publica\u00e7\u00f5es t\u00eam investido nesta dire\u00e7\u00e3o com resultados muito animadores. Afinal, evoluir \u00e9 preciso.<\/p>\n<p>Mas, e se n\u00e3o houver condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, de conhecimento ou de disponibilidade econ\u00f4mica para seguir nesta dire\u00e7\u00e3o? Ent\u00e3o \u00e9 melhor assumir que apenas pelo sabor n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer se a comida est\u00e1 envenenada, e ter muito cuidado ao tentar defender metodologias t\u00e3o comprometidas pelos v\u00edcios apontados acima, alguns at\u00e9 lament\u00e1veis e revestidos de interesses pouco elogi\u00e1veis.<br \/>\nE que assumam de vez que o que ouvimos ao vivo tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser aceito como \u00fanico fator de avalia\u00e7\u00e3o precisa de um sistema ou de um equipamento de som, pois os meus ouvidos, os seus ouvidos e os ouvidos deles n\u00e3o funcionam da mesma forma.<\/p>\n<p>Enquanto alguns ve\u00edculos de \u201cinforma\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o aceitarem isso, continuar\u00e3o confundindo a cabe\u00e7a dos audi\u00f3filos que querem investir num bom sistema hi-end.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prestar uma assessoria segura ao leitor desprezando estas vari\u00e1veis acima, e o consumidor certamente ser\u00e1 induzido ao erro pelos pontinhos (muitas vezes somados errados), pelas estrelinhas e outras firulas sem muito significado pr\u00e1tico para as condi\u00e7\u00f5es individuais deste leitor.<\/p>\n<p>Parece complicado? N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9. Basta querer mudar, deixar interesses pessoais de lado, investir em conhecimento e recursos, e parar de querer transformar o \u00e1udio hi-end em algo misterioso, inexplic\u00e1vel e confuso, como se estiv\u00e9ssemos tratando de algo de outro mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>De volta ao assunto sobre som ao vivo n\u00e3o ser uma refer\u00eancia ABSOLUTA. &nbsp;<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":2303,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2302"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2302"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2302\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3293,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2302\/revisions\/3293"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2303"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2302"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.hifiplanet.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}